sexta-feira, 23 de outubro de 2015

ARTIGO DO RODOLFO JUAREZ

PASSARELAS: O DRAMA DOS QUE VIVEM NAS BAIXADAS
Rodolfo Juarez

Alguns poucos vereadores da Câmara Municipal de Macapá resolveram buscar explicações para o alegado pela Administração Municipal de Macapá e pela Administração Estadual, com relação às justificativas de que não podem realizar serviços de recuperação nas pontes e passarelas nas áreas de baixada, devido a uma recomendação do Ministério Público.
Acontece que são mais de 100 mil habitantes ocupando aquelas áreas, sabidamente impróprias para morar, e que ali se instalaram, ou por indicação da própria prefeitura, ou por absoluta falta de acompanhamento da ocupação urbana em Macapá e em outros centros urbanos do Estado.
Faz tempo que a Prefeitura de Macapá e a Prefeitura de Santana, as duas maiores concentrações urbanas do Estado, não apresentam um plano de expansão. As alegações são muitas e nem uma diretriz é estabelecida com coerência, deixando que as ocupações aumentem sem o controle ou o conhecimento da Prefeitura.
Há 3 ou 4 anos o Ministério Público Estadual, sentindo a manipulação da situação para favorecimento político em período de eleição, sem qualquer estudo sociológico e prendendo-se apenas na legislação vigente, recomendou para os entes municipal e para o ente estadual, abster-se de fazer qualquer melhoria nas passarelas e nas pontes.
Recomendação encaminhada, recomendação cumprida ao pé da letra.
A desculpa apresentada aos moradores por parte da prefeitura e do governo é sempre a recomendação ministerial, não utilizando, sequer, para buscar alternativas para resolver a necessidade de manutenção daqueles logradouros.
Acontece que, sem manutenção ou recuperação as pontes e as passarelas estão completamente apodrecidas, se transformando em um risco permanente para todos os que moram nas áreas de baixada.
Ninguém seria tão estúpido que não respeitasse o risco daqueles que há anos moram nas áreas de ressacas. Uma justificativa técnica, antropológica e sociológica, coerentemente elaborada, seria um instrumento decisivo para discussão.
Deixar a população isolada, entregue à própria sorte e aos riscos decorrentes do desleixo não pode ser a prioridade de ninguém, nem mesmo do Ministério Público, com representantes preparados e ganhando muito bem.
Mas os executivos, estaduais e municipais, mas principalmente os municipais, a quem caberia todas as iniciativas, permanecem inertes, como se o problema não existisse, mesmo sabendo que se agrava a cada hora que passa.
Os registros de acidentes, inclusive com morte de crianças, afogadas devido a precariedade das vias, não tem conseguido sensibilizar as autoridades que são responsáveis pela solução desses problemas.
Nem mesmo a conclusão dos conjuntos habitacionais, com construções iniciadas em áreas urbanas favoráveis, está acontecendo, com as construções abandonada e entregue ao vandalismo, enquanto a população cresce e não tem onde construir a sua moradia, direito indiscutível das pessoas.
Ninguém pode se esconder das responsabilidades fazendo uma recomendação ou se apoiando em uma dessas recomendações para continuar sem oferecer, aos moradores de longas datas, condições de sair de suas casas.
Quando se aproximam as eleições, o grupo de vereadores que volta à casa do eleitor percebe que não dá para chegar até aos endereços sem correr o risco de cair, quebrar uma perna (ou as duas), uma costela ou um braço.
Que tal experimentar colocar o morador das áreas de ressaca em primeiro lugar?
Saber que ele está ali porque, próximo passa o transporte coletivo, um mototáxi ou um táxi, e ele tem a chance de ir para o seu local de trabalho. Que precisa ter um mínimo de tranquilidade quando o filho ou a filha sai para a escola, sem correr riscos de acidentes graves no percurso da passarela.

Está na hora de levar este assunto a sério!

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