PASSARELAS:
O DRAMA DOS QUE VIVEM NAS BAIXADAS
Rodolfo Juarez
Alguns
poucos vereadores da Câmara Municipal de Macapá resolveram buscar explicações
para o alegado pela Administração Municipal de Macapá e pela Administração
Estadual, com relação às justificativas de que não podem realizar serviços de
recuperação nas pontes e passarelas nas áreas de baixada, devido a uma
recomendação do Ministério Público.
Acontece que
são mais de 100 mil habitantes ocupando aquelas áreas, sabidamente impróprias
para morar, e que ali se instalaram, ou por indicação da própria prefeitura, ou
por absoluta falta de acompanhamento da ocupação urbana em Macapá e em outros
centros urbanos do Estado.
Faz tempo
que a Prefeitura de Macapá e a Prefeitura de Santana, as duas maiores
concentrações urbanas do Estado, não apresentam um plano de expansão. As
alegações são muitas e nem uma diretriz é estabelecida com coerência, deixando
que as ocupações aumentem sem o controle ou o conhecimento da Prefeitura.
Há 3 ou 4
anos o Ministério Público Estadual, sentindo a manipulação da situação para
favorecimento político em período de eleição, sem qualquer estudo sociológico e
prendendo-se apenas na legislação vigente, recomendou para os entes municipal e
para o ente estadual, abster-se de fazer qualquer melhoria nas passarelas e nas
pontes.
Recomendação
encaminhada, recomendação cumprida ao pé da letra.
A desculpa
apresentada aos moradores por parte da prefeitura e do governo é sempre a
recomendação ministerial, não utilizando, sequer, para buscar alternativas para
resolver a necessidade de manutenção daqueles logradouros.
Acontece
que, sem manutenção ou recuperação as pontes e as passarelas estão
completamente apodrecidas, se transformando em um risco permanente para todos
os que moram nas áreas de baixada.
Ninguém
seria tão estúpido que não respeitasse o risco daqueles que há anos moram nas
áreas de ressacas. Uma justificativa técnica, antropológica e sociológica,
coerentemente elaborada, seria um instrumento decisivo para discussão.
Deixar a
população isolada, entregue à própria sorte e aos riscos decorrentes do
desleixo não pode ser a prioridade de ninguém, nem mesmo do Ministério Público,
com representantes preparados e ganhando muito bem.
Mas os executivos,
estaduais e municipais, mas principalmente os municipais, a quem caberia todas
as iniciativas, permanecem inertes, como se o problema não existisse, mesmo
sabendo que se agrava a cada hora que passa.
Os registros
de acidentes, inclusive com morte de crianças, afogadas devido a precariedade
das vias, não tem conseguido sensibilizar as autoridades que são responsáveis
pela solução desses problemas.
Nem mesmo a
conclusão dos conjuntos habitacionais, com construções iniciadas em áreas
urbanas favoráveis, está acontecendo, com as construções abandonada e entregue
ao vandalismo, enquanto a população cresce e não tem onde construir a sua
moradia, direito indiscutível das pessoas.
Ninguém pode
se esconder das responsabilidades fazendo uma recomendação ou se apoiando em
uma dessas recomendações para continuar sem oferecer, aos moradores de longas
datas, condições de sair de suas casas.
Quando se
aproximam as eleições, o grupo de vereadores que volta à casa do eleitor
percebe que não dá para chegar até aos endereços sem correr o risco de cair,
quebrar uma perna (ou as duas), uma costela ou um braço.
Que tal
experimentar colocar o morador das áreas de ressaca em primeiro lugar?
Saber que
ele está ali porque, próximo passa o transporte coletivo, um mototáxi ou um táxi,
e ele tem a chance de ir para o seu local de trabalho. Que precisa ter um
mínimo de tranquilidade quando o filho ou a filha sai para a escola, sem correr
riscos de acidentes graves no percurso da passarela.
Está na hora
de levar este assunto a sério!
Nenhum comentário:
Postar um comentário