sexta-feira, 23 de outubro de 2015

ARTIGO DO TOSTES

                                                                                           
                                                                               

A dinâmica socioeconômica da mesorregião norte no Amapá

autor: José Alberto Tostes



 Os principais fatores que contribuíram para uma trajetória de maior vulnerabilidade da mesorregião Norte do Amapá manifestaram-se desde a ocupação colonial da região, no clima de disputa envolvendo os portugueses contra holandeses, irlandeses, ingleses e franceses que não aceitavam os direitos das terras do novo mundo dividas entre os portugueses e espanhóis. Apesar dos portugueses terem conseguido expulsar os invasores ingleses, irlandeses e holandeses da Amazônia, a partir de Belém, criada em 1616, os franceses permaneceram disputando a posse da região até o inicio do século 20, baseados em imprecisões dos limites geográficos entre as terras da Guiana Francesa com as da Guiana Brasileira.
Através de acordos diplomáticos no final de 1841, grande parte dessa região é reconhecida como um território contestado e declarado como neutro apesar da maioria dos seus habitantes serem brasileiros. Em 28 de junho de 1862, foi assinada declaração conjunta que estabelece jurisdição das cortes de cada país sobre seus respectivos cidadãos na área contestada. O Contestado Franco-Brasileiro, como ficou conhecido essa região, devido ao seu isolamento, tornar-se-á um ambiente de atração para escravos fugitivos, criminosos, desertores e aventureiros estrangeiros e brasileiros, que se espalharam pela área, garimpando e criando vários povoados.
 A descoberta de ouro em Calçoene, em 1894, contribui para o recrudescimento da disputa, ocorrendo uma chacina de brasileiros, por soldados franceses no povoado de Amapá, em 1895, com grande repercussão na França e no Brasil, o que provocará a resolução do conflito por essas terras, em 1901, de forma favorável aos brasileiros. A região pela sua distancia a Belém, permanecerá isolada dos apoios governamentais. Com a criação do Território Federal do Amapá iniciam os investimentos para a ligação rodoviária dessa região a Macapá, capital do Território, sendo que a pavimentação desta importante rodovia para o desenvolvimento da região, ainda, não se encontra totalmente pavimentada.
 Apesar de a mesorregião Norte ter se constituído na sua gênese, como uma terra sem lei, refugio de aventureiros e fugitivos dos territórios franceses e brasileiros, a sua situação de maior vulnerabilidade será consolidada no pós-guerra, quando o perfil do desenvolvimento econômico do espaço amapaense, também, se consolida, pois o montante de investimentos públicos e privados ocorridos, pela criação do Território Federal do Amapá e implantação da exploração de manganês da Serra do Navio, provocaram um novo dinamismo econômico, com impacto maior para o futuro da Amapá, do que significou o período do "boom da borracha" para outras regiões da Amazônia.
Isto provocou um crescimento demográfico sem precedente, na mesorregião Sul, onde populações que sofriam os impactos da crise da economia extrativista vegetal, ou das secas nordestinas, são deslocadas para essa área na busca de ocupação nas atividades da mineração ou na busca do emprego nas atividades de criação da infraestrutura do governo territorial.
Os Censos do IBGE mostram, que de 1950 para 1960, a população amapaense cresceu de 37.477 para 68.520 habitantes em 10 anos, a uma taxa de crescimento de 82,83%, concentrado no município de Macapá, provocando um salto na taxa de urbanização de 48,89% para 61,64%. Também, no período mais recente, de 1991 a 2010, a população amapaense, continuou crescendo, apresentando uma alta taxa de crescimento demográfico em relação à média nacional, atingindo na década de 1990, a taxa decenal de 77,28%, 3 vezes maior do que  o crescimento ocorrido na região Norte (25,7%) e 5 vezes maior que a taxa nacional(15,4%). Esse crescimento, proporcionalmente, acentuado em relação ao regional e nacional, vem perdurando desde a transformação do Amapá em Território Federal, tornando o espaço geográfico amapaense em um dos principais polos brasileiros de atração de migrantes.
Neste contexto, o centro da dinâmica econômica deslocou-se da área extrativista mineral e vegetal dos extremos norte e sul para o eixo Macapá-Santana-Serra do Navio, em função dos altos investimentos públicos e privados na instalação da sede de governo e na implantação do complexo de exploração do manganês da Serra do Navio, estabelecendo uma nova região econômica, no espaço noroeste da mesorregião Sul, maior  beneficiária dos principais ganhos do surto de desenvolvimento econômico que iniciou neste período e prolongar-se-á até os anos 1990. Em 2010, 91,9% da população amapaense encontrava-se habitando essa mesorregião, que detém 92,7% do PIB estadual, contando com os municípios que possuem os melhores indicadores socioeconômicos do Amapá. Nesta região a taxa de urbanização atingiu em 2010 o valor de 92% com uma densidade de 7,23 habitantes por km2.
Na região mais ao Sul, o extrativismo manteve-se diversificado na coleta da castanha, borracha e madeira, na sua forma empresarial, abrindo espaço para uma pequena agricultura e pecuária para conseguir sobreviver. Na mesorregião Norte, com o fim do dinamismo provocado pela base aérea norte americana, implantada durante a guerra mundial, e a inviabilização da extração do pau rosa, pela redução dos estoques, a pecuária, a pesca, a produção de farinha e a atividade garimpeira em retração, foram o sustentáculo econômico da população local, que permanecerá a margem do surto de crescimento econômico ocorrido no espaço amapaense. Em 2010, os habitantes da mesorregião Norte representam 8,1% da população e 7,3% do PIB amapaense, contando, com os municípios que possuem os piores indicadores socioeconômicos. A taxa de urbanização dessa mesorregião foi de 68% com uma densidade de 0,93 habitantes por km2,.       
  



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