Artigo – 28.10.15
O CONFRONTO É A PIOR SITUAÇÃO
Rodolfo Juarez
O setor
público brasileiro está tendo muitas dificuldades para lidar com a diminuição
da atividade econômica e suas implicações na receita pública e, por
consequência, na distribuição das despesas públicas na Lei do Orçamento Anual.
A União
que fica com a maior parte da arrecadação tributária não conseguiu conter as
despesas e praticou as divulgadas “pedaladas fiscais”, deixando de pagar os
seus compromissos e fantasiando situações inverídicas e que resultou na
recessão que o país experimenta hoje.
As
Administrações Estaduais nem perceberam a situação e não foram cautelosos com o
orçamento aprovado no ano anterior e começou a executar o orçamento público
como se houvesse a expectativa de superávit de receita no final do exercício.
Pelo
menos, ao que parece, este foi o caso do Amapá.
As
medidas tomadas pelo Governo do Estado do Amapá, principalmente a do
contingenciamento atuaram no sentido de respeitar a realidade ou, até mesmo de
acumular recursos prevendo dificuldades para alcançar o previsto para a receita
pública no exercício.
Mas, ao
que parece, não calculou direito o risco e os erros apareceram logo no começo
da governança, quando foi autorizado, sem um estudo profundo ou baseado em um estudo
errado, o aumento dos vencimentos do próprio governador, do seu
vice-governador, das funções gratificadas e dos cargos de confiança.
Deu
tudo errado: a política administrativa e o desempenho econômico do Estado.
A outra
medida, o contingenciamento, engessou o Governo que, mesmo assim, continuava
prometendo aumento de salário para diversas categorias, fiel às promessas de
campanha, que ainda persistiam muito vivas na cabeça de todos.
Hoje se
sabe que a área de planejamento errou redondamente nas previsões e não se
antecipou aos problemas, deixando em dificuldade o próprio governo,
prejudicando os projetos e as promessas.
Quando
resolveu através de decretos fazer as contenções de despesas, havia uma onda
forte de resistência e nem mesmo o corte no subsídio foi suficiente para fazer
entender que se tratava de uma medida extrema e que todos deveriam adotá-la.
Os
resultados dos decretos foram frustrantes. Nem mesmo a autorização no corte na
quantidade dos contratos administrativos teve êxito e as despesas, por esse
viés, continuaram do mesmo tamanho.
Em
consequência correu a insatisfação entre os servidores que não viram serem
cumpridas as decisões tomadas sobre as gratificações prometidas, etc. e, agora,
as greves começam a pipocar, prejudicando o desempenho do Governo e
escancarando para a população a situação indesejada, tanto pelos executivos
como pelos servidores.
Para
revelar a delicadeza da situação atual, os deputados da Assembleia Legislativa
que formavam uma base de sustentação do Executivo tranquila naquele Poder,
rebelaram-se e formaram um grupo independente, com a maioria dos deputados e,
agora, mostram-se dispostos ao confronto nas matérias que avaliam de interesse
do Governo e que não são de interesse da população.
A
exigência de resposta em 24 horas, por parte do Governo, para explicar repasse
a maior do duodécimo constitucional sem a necessária autorização parlamentar é
a demonstração do ânimo que os deputados estão experimentando nesse momento.
Até
agora nenhum governo estadual teve sucesso em enfrentamentos com deputados
estaduais. Os prejuízos não são apenas para a Administração, distribuem-se de
forma inexorável com a população, trazendo efeitos profundamente prejudiciais
para todos.
Teimosia,
nesse momento, de pouco adianta. Protelação prejudica a todos e esvazia as
decisões dos poderes.
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