quinta-feira, 19 de novembro de 2015

ARTIGO DO GATO


O que aconteceu com a verdade?


Senhoras e senhores, não quero filosofar, longe de mim. Primeiro não sou filósofo, mas me arrisco em temas que são extremamente perigosos. Diria até que a linha que separa um texto denso de um texto vazio é bem tênue. Mas vou me arriscar, me jogarei de cabeça nesse tema filosofal e, se minha abordagem for ridícula, me perdoem. Mas confesso que estou indignado com certas mentiras, ditas como se verdades fossem. Deixa os autores dessas pseudas verdades a certeza de que elas vão “colar.”
Que coisa estranha está acontecendo no Brasil de hoje. Sei até que a verdade não é algo absoluto. Que ela pode ser múltipla, principalmente como o tema em debate é subjetivo. Nesse caso vai depender da abordagem de quem esposa cada tese. Aí lógico, tudo depende das suas crenças e cultura.
Mas tem situações que não deixam margens para essa subjetividade toda. Se alguém pergunta para a parceira: você me ama? E ela responde: Olha...é....bem... amo, mas.... Fica a certeza de que a pessoa está em dúvida e quem tem dúvida não conota verdade. Este é um exemplo clássico de uma resposta pragmática. Você me ama? Sim ou não. Se a resposta vier permeada pelo “talvez, todavia e contudo” esse amor é relativo. Como não há relatividade no amor...a conclusão é: Ah! Vá a merda. Você não me ama. Tchau! Mas a verdade a qual me refiro não é a resposta de um sentimento de alguém por alguém, não! A verdade que invocamos é sobre fatos concretos, científicos cuja a resposta deve e tem de ser pragmática. Por exemplo: qual a causa da mortandade de peixe no rio Araguari? Piracema! Piracema?
Essas respostas podem até ser ditas com o tom de verdade, mas vem recheadas de um diz qualquer coisa que acaba colando. “Imaginam que o povo do Amapá é burro mesmo, aceitam tudo de forma pacífica e que as autoridades não rebatem, não refutam que há uma conivência velada de todos para com A GRANDE OBRA. Não... não meus amigos; não é bem assim. Merecemos respeito. É preciso que a empresa venha a público e fale a verdade, verdadeira, assuma seus erros e as autoridades ambientais do Amapá também. Não adianta ir em dois ou três programas de rádio e televisão dizer qualquer coisa e concluir que a obrigação foi cumprida. “Não é por aí que banda toca.”
Nós os leigos no assunto, mais antenados e interessados no assunto queremos a verdade e buscamos a verdade. A opinião do Estado, da empresa é válido, mais de um terceiro, conhecedor da matéria, é a verdade mais credível, pois está divorciada da emoção ou melhor, da parcialidade. Porra! Piracema. Me compre um “BUSTO” do Camilo que não vale porra nenhuma. Me respeitem que não tenho o nariz furado de atravessador feito Pato e nem sou maxixe que dá pra raspar.
A verdade é que a empresa tem pleno conhecimento do problema ambiental que está causando para a fauna marinha do Araguari, teria que fazer investimento para diminuir a oxigenação da água e não faz. Não é a primeira que esta catástrofe acontece, eles tentaram jogar a lama pra debaixo do tapete, recolhendo peixe mortos do rio da primeira vez que o fato ocorreu, mas a quantidade é muito grande e está acontecendo de forma incontrolável, deixaram pra lá. Solução barata para o problema: vamos mentir. Fica mais barato e a população ribeirinha que usa o pescado como uma das suas principais fontes de alimentação e sustento que se dane. Sinceramente sou um ardoroso defensor do governo Waldez Góes, acredito nesse projeto de governo e sei que o atual governador quer o desenvolvimento do Amapá e espero sinceramente que o governo através dos seus órgãos ambientais aplique uma multa severa nessa empresa e exija que seja feito o que for necessário para que as obras da barragem impactem o mínimo possível na iquitiofauna do Araguari.
Sinceramente a desculpa da Piracema foi um tapa na minha cara. Essa verdade é igual a fábula do Lobo Mau que se disfarçou de Vovozinha do chapeuzinho Vermelho para comer a criança. Essa verdade da Empresa Ferreira Gomes Energia é mentira. O Estado precisa exigir à verdade e punir a empresa pelos danos ambientais causados no rio Araguari.

Esse fato, guardada as proporções me remetem para a catástrofe de Mariana em Minas Gerais. Primeiro o silêncio, depois a mentira, e por fim, a verdade. Sabiam que a barragem podia romper, confessaram que sabiam do risco e alertaram que a segunda barragem está sofrendo risco em virtude da erosão e estão tomando providências. A Ferreira Gomes Energia conhece o problema, negligenciou em tomar medidas preventivas, esse fato lamentável já aconteceu por quatro vezes, eles veem a público e através da imprensa, mentem, arranjam desculpas falaciosas, mas agora está na hora da verdade. A verdade é que o nível de oxigenação da água está muito alto e eles não querem investir para solucionar ou minimizar o problema. Desenvolvimento tem preço e a vida dos amapaenses é um preço muito caro e nós não podemos pagar. Primeiro nós, depois o resto do Brasil.

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