quinta-feira, 5 de novembro de 2015

DE TUDO UM POUCO



O HEROÍSMO NO ABANDONO.

                Este texto foi copiado da revista Arautos do Evangelho, janeiro 2015, nº 157, de autoria da freira Irmã Juliana Montanari, EP, muito mais pela importância contextual e, privilegiadamente, pela passagem do Dia de Finados, 2/11. O texto traz uma proposta de profunda reflexão sobre a temporalidade do ser humano como depositário da matéria chamada “ corpo “, enquanto ser vivo, e da albergação do espírito, comumente titulado de “ alma “.
        O texto começa assim : “ Nossa vida apresenta situações semelhantes as que ocorrem a um navio: somos sacudidos por ventos e tempestades, e até podemos começar a naufragar... “ Essa chamada quer levar-nos a entender os mistérios que envolvem “ nascimento “ e “ morte “, ou “ partidas e chegadas “ , na relação Criador e Criatura, onde nosso entendimento é comparado a um grão de mostarda quando comparado à luz da Eternidade. Continua o texto : “ As ondas banham a praia numa manhã fresca, quando o Sol desponta refletindo-se nas águas e dando-lhes um brilho singular.Quantos fatos admiráveis e misteriosos já ocorreram no mar, este maravilhoso tapete de esmeraldas e topázios, com o qual Deus quis cobrir dois terços de nosso planeta.
        No cais, um grande navio com a proa voltada para o oceano parece desafiá-lo, qual corajoso soldado ante o perigo.  Os tripulantes acenam para os que ficam  e preparam-se para a longa viagem. Em certo momento soltam-se as amarras e a nau começa seu percurso. Passadas algumas horas, céu e mar encontram-se no horizonte e não é mais possível ver terra firme. A embarcação, antes imponente, agora parece um simples e frágil brinquedo das ondas. Contudo,  é nessas circunstâncias que transparece inteiramente a beleza misteriosa da navegação.
        Sozinho em meio àquela vastidão, o navio recebe as investidas das impetuosas vagas que ameaçam naufragá-lo, mas mantém-se firme na sua direção; é balouçado pelos ventos das tempestades, e não se deixa soçobrar. Não obstante, se a partida de uma embarcação suscita entusiasmo nos corações idealistas, por evocar a glória daqueles que, com galhardia, lançam-se no risco rumo a novas conquistas, não menos digno de admiração é o seu regresso ao porto, pois carrega atrás de si as façanhas da empresa. Não é verdade que, depois de uma arriscada  travessia, o navio lembra um guerreiro que ganhou uma batalha e merece o prêmio da vitória?
        Ora, nossa vida também apresenta situações semelhantes as que ocorrem a um navio. Já na aurora de seus dias, o Homem lança-se ao mar das incertezas deste mundo, em busca da felicidade. Não a encontrando, navega errante e, a certa altura do percurso, sente-se solitário. Julga estar abandonado por todos, ao bel-prazer das ondas traiçoeiras que, ao invés de proporcionarem-lhe a alegria que falsamente prometem, só lhe aumentam a frustração. É sacudido pelos ventos das tentações, pelas tempestades dos problemas e dificuldades, e até mesmo começa a naufragar...
        Que devemos fazer para não afundar em meio ao mare magnum  de tribulações que é a vida humana, marcada pelo pecado original? Juntar as mãos e rezar a Deus com confiança, pois é no abandono a sua proteção que os ventos e as ondas  acalmam-se, nas nuvens afastam-se e o Sol torna a brilhar. Quando formos assaltados pela impetuosa maré das provações e dos reveses, lembremo-nos de que Deus permite passarmos por tais situações, desejoso de que busquemos n’Ele nossa segurança. Se soubermos abandonarmo-nos em suas mãos, como filhos amorosos, receberemos as forças necessárias para transpor fiel e valorosamente os piores vagalhões de nossa vida. E quando chegarmos ao porto celeste, receberemos do Divino Capitão a cora de glória reservada aos vencedores, aos que deram tudo, aos que foram heróis “.
        É realmente profunda essa mensagem, vez que nossas partidas são os caminhos que escolhemos ao livre arbítrio das nossas convicções. A viagem  até Ele começa com o nascimento com vida do ser humano e, após o domínio da razão, faz sua escolha de como caminhar e, apoiado pelo cajado da Fé, mostra-se capaz de reconhecer que o último degrau da escada escolhida é a morte física do corpo, desprendendo-se o Espírito que volta ao Criador, realizando-se o cumprimento do Evangelho : Tú és pó e ao pó voltarás “.
        A partir da decisão e da escolha que fazemos, nossa vida é o navio que poderá estar ancorado no porto ou singrando os  mares desafiadores do nosso destino. O certo é que um dia, nosso navio aportará para sempre. É esse momento que não conseguimos compreender ou  aceitar, não importando a forma se mais ou menos traumática ou dolorosa. Não aceitamos e, assim fazendo, estamos sujeitos ao julgamento à Luz da Eternidade.
        A morte não é a última palavra sobre o destino humano, porque o Homem está destinado a uma vida sem limites, que encontra a sua raiz e o seu cumprimento em Deus.
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Para reflexão semanal : “ Nossa vida é uma viagem, por isso devemos desejar felicidades aos que partem e alegrarmo-nos com os que chegam “.
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