sexta-feira, 13 de novembro de 2015

ECONOMIA

  


ECONOMIA
Varejistas com criatividade enfrentam a crise econômica

Quando há desaceleração da atividade econômica no país, todos sofrem o impacto, seja pelo efeito de redução dos repasses ou pelo efeito das cadeias produtivas organizadas. O impacto é maior nos grandes centros industriais, porém, nos municípios mais pobres que já convivem com a insuficiência de recursos, qualquer corte torna a realidade ainda mais perversa.

Reinaldo Coelho

Todos, quase todos, sabem que a atual crise econômica brasileira teve início com o descalabro do governo federal ao (mal) administrar a economia nacional. Com um Pacto Federativo que favorece o governo central na divisão do bolo financeiro, aonde a maior fatia vai para a “gula” do Palácio do Planalto, ocupado há 13 anos pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Enquanto isso, os governos estaduais e municipais recebem as migalhas da mesa de banquete descontrolado e ficam com o “prato da sobremesa” vazio nas mãos. E é nos municípios que a crise mostra suas garras, com o desemprego e empresas e o comércio fechando suas portas. O aumento dos impostos seguidos tem levado o empresário a transferir ao consumidor os custos e este vai fazendo o jogo de cintura para sobreviver com um salário corroído diariamente pela inflação.

MUITOS PEQUENOS COMERCIANTES ESTÃO FALINDO

Questões antigas que pesam nos custos das empresas, como a carga tributária, preço dos aluguéis, mão de obra, foram agravados pela redução do emprego, inflação em alta e pela menor confiança do brasileiro, que acompanha a alta da inflação e com isso o empresariado está reduzindo gastos.
MICROEMPRESÁRIOS FECHANDO AS PORTAS

O varejo passa por uma das situações mais difíceis dos últimos anos. Há muitas lojas fechando em bairros de todas as classes sociais. Tudo isso se insere dentro do ambiente econômico em que estamos vivendo, que já mostrava fraqueza desde 2013. Enquanto o brasileiro não sentiu o desemprego na sua casa ou na proximidade dela, foi no embalo do consumo, que começou em 2006.

O país viveu durante anos uma situação que foi sendo empurrada com a barriga pelo governo. A população não enxergou o desemprego de forma explícita e foi tocando a vida até que, em 2015, a crise que a presidente Dilma diz que não via, se mostrou com toda a força.

E o brasileiro que estava feliz com as conquistas sociais e que acessou um degrau na pirâmide social, está retornando uma casa neste jogo impiedoso, ou se equilibrando na atual. Hábitos estão mudando, pois a crise econômica que atinge praticamente todos os setores da economia e não excluiu a alimentação fora de casa.

Somente no segundo semestre de 2014 os comerciantes começaram a se dar conta de que haveria uma inflexão da curva. Em dezembro, o desempenho do comércio foi muito ruim (queda de 2,6% em relação a novembro de 2014, a primeira queda após quatro meses consecutivos de expansão, segundo o IBGE).

Setores poupados e os mais atingidos
 
PROMOÇÕES NAS DATAS FESTIVAS VEM AJUDANDO O CAIXA
De acordo com o economista e consultor, Nelson Barrizzelli, as grandes redes de varejo atravessarão mais facilmente a crise. Já os pequenos lojistas, preocupados com preços, não aprenderam a conhecer melhor a clientela.

“Os setores menos atingidos são o de alimentos e os ligados à saúde, até porque ninguém pode deixar de comer e de tomar remédio. Todos os demais foram atingidos em níveis diferentes. Os produtos mais baratos continuam sendo comprados, como roupas e calçados populares. Nesses setores, a retração de consumo parece ser menos evidente”.

Os setores de móveis, eletroeletrônicos e automóveis são os que mais sofrem. Quem vai trocar o carro hoje é quem tem algum dinheiro, como os pequenos empresários de regiões menos afetadas. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país são mais resistentes à crise. As regiões Sul e Sudeste já estão sendo mais afetadas.

O Tribuna Amapaense conversou com alguns empresários que fecharam o ponto comercial recentemente. Os motivos são diversos, mas, de modo geral, a queda do movimento acaba sendo fator comum e decisivo. Depois de sete anos funcionando no Bairro Renascer, o restaurante Bom Paladar esta encerrando suas atividades. “Os preços das mercadorias subiram, as compras parceladas foram canceladas e a clientela diminui drasticamente. Infelizmente temos de fechar”, lamenta o micro empresário Batista Gomes.


Ele destaca outro efeito trazido pela crise, a concorrência dos informais e até da comida de rua, sem regulamentação, pesam ainda mais nos momentos de menor crescimento da economia. É o efeito cascata, desemprego e o cidadão passa atuar na informalidade para angariar recursos para manutenção da família.

Vendas caíram à metade


Setores específicos também sentiram o golpe da crise. Álvaro Monteiro (38), tem uma loja de material de construções e diz que as vendas caíram à metade neste ano.
Por conta da crise, ele conta que as vendas fiadas passaram a ser rotina. "Às vezes chega uma pessoa e pede fiado para levar o produto e é melhor vender porque vamos receber um dia. Somos obrigados a usar caderninho, mesmo sem poder", afirma.
Dono de uma mercearia na cidade, Claudinei Vieira (36), diz que 40% do que vende é no fiado.

Fiado salva o mês
 
A CADERNETA DO FIADO AJUDA
 AS VENDAS E SALVA O MÊS
A doceira Cândida Silva (30), diz que a crise apertou a família. "Antes, pagava minhas dívidas sempre certinho no fim do mês, logo quando recebia, mas agora passamos dois meses sem pagar. Se não fosse o fiado, estaríamos perdidos".
A dona-de-casa Joaquina Maria (48), conta que passou a comprar fiado com mais frequência neste ano. "Não tem como comprar tudo, vou pegando e pagando quando der", afirma.
"Se pudesse, pagava tudo na hora, mas não tem como. Pior coisa do mundo é dever", diz Carla Nascimento (22), que viu o marido perder parte de renda pela diminuição dos "bicos" que fazia em casas do bairro onde moram.




Descontos é uma das saídas



Menos dinheiro no bolso, porém, mais poder para negociar. Ao mesmo tempo em que os consumidores se assustam com os preços altos dos produtos, há quem está se espantando diante de valores bem abaixo da média que passaram a ser oferecidos pelo comércio.
Isso porque, no desespero de não ficar no prejuízo e convencer o cliente a gastar, em plena a retração econômica, são muitos os lojistas que passaram a “jogar pesado”. São smartphones mais em conta, roupas com descontos de até 70%, aluguéis negociáveis, academias de ginástica mais acessíveis e até carros com descontos de até R$ 8 mil.

Pelas ruas

Basta uma caminhada pelo Centro Comercial de Macapá ou pelos bairros da capital para observar as diversas promoções de roupas, calçados e até de material escolar. No Bairro Jardim Felicidade I, na Região Norte, muitas são as lojas que anunciam descontos de 30% a 40%. E uma delas, por exemplo, blusas que custavam R$ 59,90 passaram a ser vendidas por R$ 10. Segundo uma das responsáveis pelo local, este ano está muito ruim para vendas, tanto que estamos há seis meses tentando passar o ponto, sem sucesso. “Então, abaixamos os preços de tudo. Vestidos que eram R$ 100 agora custam R$ 49,90”, diz a empresária.



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