sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PIONEIRISMO

 
 “É preciso que os jovens tenham mais cuidado com a própria vida. A vida virou uma coisa à toa. Hoje, até mesmo com o trânsito é complicado conviver. Tenho o maior orgulho de ter criado meus filhos sem problemas com drogas e outros males que afligem a sociedade, e me considero uma mãe vitoriosa e feliz com a família que ajudei a construir”.

Maria José Barbosa – Micro empresária


Da Editoria

Veterana na arte da panificação no centro da cidade, Maria José da Silva Barbosa, atualmente aposentada e com 76 anos de idade, chegou à capital aos 19 anos. Ela veio de Belém e tem fixa na memória a imagem da Macapá antiga, onde a vida era respeitada e mais tranqüila. “Naquela época, os mais novos obedeciam aos mais velhos por serem mais experientes. Não existiam drogas e todos viviam sem medo de serem assaltados ou molestados. Dormíamos com as portas e janelas abertas”, recorda.


Aurino Borges de Oliveira, o Padeirinho
Viúva de Aurino Borges de Oliveira, o Padeirinho, Maria José criou doze filhos: dois deles deixados pela primeira esposa do marido viúvo (Aurino Borges Filho e Maria Alice Borges), nove de seu casamento e uma neta, que ela considera como sua filha. Ao ficar viúva e com extensa prole para criar, Maria, juntamente com os filhos resolveu assumir os negócios e passou a conciliar as funções comerciais com as de doméstica. Para ela, a vida nas décadas de 1950 e 1960 era muito mais difícil. Mesmo assim, conseguiu que parte dos filhos fosse educada. Entre eles, existe um delegado e um oficial das Forças Armadas. Uma, inclusive, foi morar na França.
 
Sobre a convivência diária na Macapá antiga, Maria José faz questão de dizer que, apesar das dificuldades, principalmente por ter que andar em cima de pontes no lugar de ruas, era possível conviver de forma harmoniosa, pois a população era menor e todo mundo se conhecia. “Antes de conhecer o Aurino, trabalhei em dois empregos. Fui empregada doméstica de Dona Ime, uma senhora conhecida na sociedade local e trabalhei na Pensão Europa, onde conheci o Padeirinho”, revelou. De tradição católica, Maria José esclarece que apesar de o marido não costumar ir à Igreja, sempre participou de atividades religiosas.

Do marido Aurino Borges, Maria José lembra que, além de ser um dos poucos comerciantes que trabalhavam na área de panificação, foi por longos anos administrador do Matadouro Municipal e do Mercado Central de Macapá. Padeirinho era considerado uma pessoa de bons princípios e conhecida da sociedade local, mas faleceu na década de 1970, com pouco mais de quarenta anos, em virtude de problemas cardíacos no Rio de Janeiro, onde morava seu irmão, o médico Edilson Borges de Oliveira.

Como lição de vida à juventude atual, Maria José, comenta: “É preciso que os jovens tenham mais cuidado com a própria vida. A vida virou uma coisa à toa. Hoje, até mesmo com o trânsito é complicado conviver. Tenho o maior orgulho de ter criado meus filhos sem problemas com drogas e outros males que afligem a sociedade, e me considero uma mãe vitoriosa e feliz com a família que ajudei a construir”, garante.

Além dos dois enteados e dos dez filhos criados, Maria José da Silva Barbosa tem 22 netos e um bisneto. Os filhos são: José Edilson, José Maria e Maria José, que são gêmeos, José Carlos, Teodolina, José Luis, José Paulo, José Roberto e Anabela. E sua neta mais velha, Tereza Barbosa, que ela chama de sua filha, atualmente com 30 anos.



FOTO LEGENDA

- “Da vida na cidade antiga, guardo muitas lembranças boas e me considero uma mulher feliz”, comemora

- Maria José e a neta e filha de criação Tereza Barbosa convivem em harmonia na residência da família no centro da cidade

- A família com carinho, a única lembrança (fotografia) deixada por Aurino Borges de Oliveira


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