“É preciso que os jovens tenham mais
cuidado com a própria vida. A vida virou uma coisa à toa. Hoje, até mesmo com o
trânsito é complicado conviver. Tenho o maior orgulho de ter criado meus filhos
sem problemas com drogas e outros males que afligem a sociedade, e me considero
uma mãe vitoriosa e feliz com a família que ajudei a construir”.
Maria José Barbosa – Micro empresária
Da Editoria
Veterana na arte da panificação no
centro da cidade, Maria José da Silva Barbosa, atualmente aposentada e com 76
anos de idade, chegou à capital aos 19 anos. Ela veio de Belém e tem fixa na
memória a imagem da Macapá antiga, onde a vida era respeitada e mais tranqüila.
“Naquela época, os mais novos obedeciam aos mais velhos por serem mais
experientes. Não existiam drogas e todos viviam sem medo de serem assaltados ou
molestados. Dormíamos com as portas e janelas abertas”, recorda.
| Aurino Borges de Oliveira, o Padeirinho |
Viúva de Aurino Borges de Oliveira, o
Padeirinho, Maria José criou doze filhos: dois deles deixados pela primeira
esposa do marido viúvo (Aurino Borges Filho e Maria Alice Borges), nove de seu
casamento e uma neta, que ela considera como sua filha. Ao ficar viúva e com extensa
prole para criar, Maria, juntamente com os filhos resolveu assumir os negócios
e passou a conciliar as funções comerciais com as de doméstica. Para ela, a
vida nas décadas de 1950 e 1960 era muito mais difícil. Mesmo assim, conseguiu
que parte dos filhos fosse educada. Entre eles, existe um delegado e um oficial
das Forças Armadas. Uma, inclusive, foi morar na França.
Sobre a convivência diária na Macapá
antiga, Maria José faz questão de dizer que, apesar das dificuldades,
principalmente por ter que andar em cima de pontes no lugar de ruas, era
possível conviver de forma harmoniosa, pois a população era menor e todo mundo
se conhecia. “Antes de conhecer o Aurino, trabalhei em dois empregos. Fui
empregada doméstica de Dona Ime, uma senhora conhecida na sociedade local e trabalhei
na Pensão Europa, onde conheci o Padeirinho”, revelou. De tradição católica,
Maria José esclarece que apesar de o marido não costumar ir à Igreja, sempre
participou de atividades religiosas.
Do marido Aurino Borges, Maria José
lembra que, além de ser um dos poucos comerciantes que trabalhavam na área de
panificação, foi por longos anos administrador do Matadouro Municipal e do
Mercado Central de Macapá. Padeirinho era considerado uma pessoa de bons
princípios e conhecida da sociedade local, mas faleceu na década de 1970, com
pouco mais de quarenta anos, em virtude de problemas cardíacos no Rio de
Janeiro, onde morava seu irmão, o médico Edilson Borges de Oliveira.
Como lição de vida à juventude atual, Maria
José, comenta: “É preciso que os jovens tenham mais cuidado com a própria vida.
A vida virou uma coisa à toa. Hoje, até mesmo com o trânsito é complicado
conviver. Tenho o maior orgulho de ter criado meus filhos sem problemas com
drogas e outros males que afligem a sociedade, e me considero uma mãe vitoriosa
e feliz com a família que ajudei a construir”, garante.
Além dos dois enteados e dos dez filhos
criados, Maria José da Silva Barbosa tem 22 netos e um bisneto. Os filhos são: José
Edilson, José Maria e Maria José, que são gêmeos, José Carlos, Teodolina, José
Luis, José Paulo, José Roberto e Anabela. E sua neta mais velha, Tereza Barbosa,
que ela chama de sua filha, atualmente com 30 anos.
FOTO LEGENDA
- “Da vida na cidade antiga, guardo
muitas lembranças boas e me considero uma mulher feliz”, comemora
- Maria José e a neta e filha de criação
Tereza Barbosa convivem em harmonia na residência da família no centro da
cidade
- A família com carinho, a única
lembrança (fotografia) deixada por Aurino Borges de Oliveira
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