O
dia em que me perdi na Expofeira
Certo dia, faz pouco tempo, tio meu pergunta no grupo da família, no WhatsApp: "Que horas vamos pra Expofeira?". Como toda família brasileira, é claro, há um grupo para a minha, e como todo bom WhatsApp, o meu grupo é usado para os propósitos equivocados de sempre, a saber: enviar correntes e passar coordenadas geográficas.
Então meu tio pergunta quem é que vai pra essa feira que todos nós tão bem conhecemos, feito a palma da mão, com bichinhos lindinhos de fazenda, coisas gostosas para comer, além das instalações de um bom e velho Ita Park ou similar, com aqueles brinquedos rangedores aventurosos, feitos no quintal da casa de alguém, e diversões mil.
Descubro que toda a família estará lá, na ocasião em que meu tio fez o convite, menos eu, que ocorro de agora morar agora um bocadito longe daí.
Me bateu então a saudade. E eu lembro especialmente da Expofeira de 2005, quando eu contava então 11 vaporosos anos, tinha um all star rosa e acabei me perdendo de todo o resto da comitiva familiar quando desci de um brinquedo no parque e não encontrei ninguém me esperando no local combinado.
Uma grande falha na comunicação. Rolou de a minha diversão no brinquedo durar mais do que meu tio (o mesmo que hoje fez a pergunta no WhatsApp) tinha previsto e, ao chegar no ponto marcado, eu ainda não estava. Ele me deu logo por perdida, e quando finalmente desci da nave, já não encontrei ninguém.
Sei que perambulei infinitas 2, 3 horas por aquele parque imenso, tentando alguma ajuda, alguma comunicação. Comecei a considerar viver com as vaca, arrumar um canto pra dormir na palha, e quando levantassem acampamento e tudo fosse desmontado, ia sobrar eu lá no feno, subnutrida e enfim encontrada.
Ah, bons tempos aqueles... Em que andei uma noite inteira entre o esterco, achando que era o fim da linha, game over, segue em frente, tem outras família.
E de pensar que hoje tudo se resolveria num segundo, no WhatsApp mesmo:
"Cadê tu, criatura?"
"Saí do Globo da Morte agora. Tô aqui no ponto de encontro".
Fico assim pensando que as próximas gerações perderão muito em termos de aventura, deserção familiar, abandono de incapaz e amizade com as vaca.
Certo dia, faz pouco tempo, tio meu pergunta no grupo da família, no WhatsApp: "Que horas vamos pra Expofeira?". Como toda família brasileira, é claro, há um grupo para a minha, e como todo bom WhatsApp, o meu grupo é usado para os propósitos equivocados de sempre, a saber: enviar correntes e passar coordenadas geográficas.
Então meu tio pergunta quem é que vai pra essa feira que todos nós tão bem conhecemos, feito a palma da mão, com bichinhos lindinhos de fazenda, coisas gostosas para comer, além das instalações de um bom e velho Ita Park ou similar, com aqueles brinquedos rangedores aventurosos, feitos no quintal da casa de alguém, e diversões mil.
Descubro que toda a família estará lá, na ocasião em que meu tio fez o convite, menos eu, que ocorro de agora morar agora um bocadito longe daí.
Me bateu então a saudade. E eu lembro especialmente da Expofeira de 2005, quando eu contava então 11 vaporosos anos, tinha um all star rosa e acabei me perdendo de todo o resto da comitiva familiar quando desci de um brinquedo no parque e não encontrei ninguém me esperando no local combinado.
Uma grande falha na comunicação. Rolou de a minha diversão no brinquedo durar mais do que meu tio (o mesmo que hoje fez a pergunta no WhatsApp) tinha previsto e, ao chegar no ponto marcado, eu ainda não estava. Ele me deu logo por perdida, e quando finalmente desci da nave, já não encontrei ninguém.
Sei que perambulei infinitas 2, 3 horas por aquele parque imenso, tentando alguma ajuda, alguma comunicação. Comecei a considerar viver com as vaca, arrumar um canto pra dormir na palha, e quando levantassem acampamento e tudo fosse desmontado, ia sobrar eu lá no feno, subnutrida e enfim encontrada.
Ah, bons tempos aqueles... Em que andei uma noite inteira entre o esterco, achando que era o fim da linha, game over, segue em frente, tem outras família.
E de pensar que hoje tudo se resolveria num segundo, no WhatsApp mesmo:
"Cadê tu, criatura?"
"Saí do Globo da Morte agora. Tô aqui no ponto de encontro".
Fico assim pensando que as próximas gerações perderão muito em termos de aventura, deserção familiar, abandono de incapaz e amizade com as vaca.
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