Terceirização
no Serviço Público
Amapá
diz “não” ao projeto de lei que libera a atividade
Da Editoria
O Amapá disse “não” ao Projeto de Lei que
libera a terceirização ilimitada, inclusive nas atividades-fim das empresas.
Esse foi o resultado da audiência pública ocorrida na sexta-feira (6) sobre o
Projeto de Lei da Câmara Federal (PLC) 30/2015. O evento foi presidido pelo
senador Paulo Paim (PT-RS) e integra uma agenda nacional promovida pela
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, com o
objetivo de dialogar com a população sobre as possíveis consequências do PLC
30/15 para os trabalhadores.
A iniciativa conta com apoio do Fórum
Permanente em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização, integrado
pela CUT e pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho
(Anamatra), entre outras organizações. O
vice-governador Papaléo Paes e o senador Randolfe Rodrigues além de oito
deputados estaduais e dezenas de sindicalistas prestigiaram o evento.
Amapá
é o 21º estado a receber a CDH do Senado para discutir o PL da Terceirização. A
primeira audiência foi realizada em 29 de maio, em Minas Gerais. Como é praxe das audiências públicas, a
“Carta do Amapá” foi posta em votação pelo senador Paulo Paim e aprovada por
unanimidade por deputados, sindicalistas, gestores públicos e público presente
à sessão.
Atualmente, existem no Brasil mais de 12
milhões de terceirizados – 26,8% do mercado formal de trabalho. O estado de São
Paulo é o que concentra o maior número de subcontratações – 4,1 milhões de
trabalhadores (30,5%), quase um terço dos 9,5 milhões contratados diretamente
(69,5%). São trabalhadores sujeitos a salários menores, jornadas diárias
ampliadas e, muitas vezes, em condições precárias de trabalho, o que acarreta
inúmeros agravos à saúde e, até mesmo, óbitos.
Durante a audiência, foi discutido o possível
colapso da Justiça do Trabalho em seu papel de resguardar os direitos dos
trabalhadores, tanto pelo volume de ações que deverão ser impetradas por trabalhadores
que se sentirem lesados em seus direitos, quando pela falta de patrimônio e de
liquidez das empresas terceirizadas, que podem não ter recursos para pagar uma
ação coletiva ou individual.
O Fórum em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados
pela Terceirização insiste no fato de que 90% do trabalho escravo hoje
existente ocorrem em empresas terceirizadas. Uma consequência bastante temida
da liberação irrestrita da terceirização é a institucionalização do trabalho
escravo.
O mais grave, porém, é a questão salarial. Os
terceirizados recebem remuneração até 70% inferior à dos trabalhadores diretos.
Essa situação ficará estabelecida como norma, caso o projeto de terceirização
passe no Senado e vem num momento em que cresce a luta de muitas categorias
profissionais pelo respeito ao princípio da isonomia, em que funções similares
devem ser receber a mesma remuneração.

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