Algumas reflexões sobre o Brasil –
Parte II
Adriana
Ferreira Serafim de Oliveira
Essa é uma empresa. Quantas mais há por detrás desse véu imundo que ainda não caiu totalmente?
Os candidatos eleitos para representarem o povo, escondem-se por trás de religiões, falam em nome de Jesus, utilizam passagens da Bíblia, falam em nome da saúde, das minorias, das mulheres, blá, blá, blá e buscam a sua escalada no poder econômico.
Não há éticos nessa questão de corruptos! Até agora foram esmiuçados o Poder Executivo e Legislativo, ainda há o Judiciário e o BNDES, a Caixa Econômica Federal!
Estamos perdidos?! Não, estamos fazendo parte da construção da cidadania brasileira que insistiu até agora em inexistir. Segundo o Professor Leandro Karnal em entrevista à Ana Maria Braga neste mês de abril, desde 22 de abril de 1500 nossa casa não era limpa! Bingo! Verdade!
Se formos bem honestos, somos frutos de antepassados que vieram para o Brasil a fim de enricar e voltar para seus país de origem, frutos de imigrantes judeus que fugiram do holocausto, frutos de imigrantes que fugiram das guerras, frutos de europeus que não tinham lugar nas sociedades europeias, frutos de africanos que foram trazidos para o Brasil à força, frutos de índios que tiveram sua cultura morta e de tantos outros que estavam "correndo" de algo!
Todos que aqui chegaram trouxeram algo e acabaram por motivos alheios às suas vontades e por determinação própria, ficando, miscigenando e formando descendentes.
Cá estamos, chamados a limpar a casa, a repensar as eleições, a ser parte dessa transformação pensando em que país deixaremos para os descendentes das nossas famílias, dos nossos queridos.
Estamos sim em um país continental, entretanto, possível de ser governando regionalmente como já temos governos estaduais. Assim, é possível eleger um modelo como o da administração dos países nórdicos e adaptarmos as nossas realidades.
Infelizmente, esses representantes políticos saíram da nossa sociedade, a qual está cravejada de pessoas que se tivessem a mesma oportunidade, invariavelmente, teriam agido da mesma forma.
O corrompido foi seduzido por algo que queria e não podia ter ou que lhe julgava difícil de ter e como esse algo é desejado, depois de bicar no mel, como uma apaixonado, enlouquece e determinado fica a agir como necessário for para ter o objeto de desejo. Funciona como um perfume enebriante e isso foi citado por um executivo delator como: "o cara ficava tão ávido pelo dinheiro, que no dia do pagamento da propina, chegava antes do dinheiro e ficando esperando ansioso"
Seres humanos não têm preço e as coisas são transitórias e perecíveis, como já ocorreu com os negros escravizados, com sacas de café apodrecendo em celeiros, nossas gerações estão escravas do consumismo, do valor da troca, me dá uma coisa que eu te dou atenção, que te dou amor, que te dou o que deseja, seja na vida profissional ou pessoal. Nossas coisas são podres, um telefone celular comprado hoje já é podre amanhã perante à tecnologia. Estamos semelhantes aos negros escravizados e às sacas de café.
Necessitamos despertar e entender nossa espécie, não tomar atitudes separatistas e sim agregadoras, a cultivar com sabedoria valores salutares para a sobrevivência com qualidade do ser humano.
As leis não dão conta de determinar e confirmar direitos se a maioria dos seres humanos não os reconhecem ou o fazem momentaneamente e ainda valoram mais quem tem capital que quem não tem ou já despertou!
Adriana Ferreira Serafim de Oliveira é Doutoranda em Educação na Unesp de Rio Claro, Mestra em Direitos Fundamentais, especialista em Política e Relações Internacionais, Graduada em Direito.
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