País de fantoches
Paulo Roberto Brancatti*
Esse é o país de fantoches... Em Brasília só vemos uma panaceia coletiva
onde uns elogiam outros, pelo fato de serem amigos e fieis nas mazelas do
poder. Na sociedade brasileira não vemos ações, nem inconformismos com os
acontecimentos que interferem no cotidiano das pessoas. Projetos que prejudicam
a população são aprovados sem problemas e com certa ligeireza. Obras que
beneficiam os poderosos são realizadas e entregues rapidamente, distribuições de
bens são feitas para agradar os amigos, além de beneficiar os donos do poder. O
Rei não cai e faz de tudo para proteger os seus amigos... Como diz a música
cantada por Geraldo Azevedo “um rei mal coroado não queria o amor em
seu reinado, pois sabia, não ia ser amado”. As marionetes, por sua vez,
continuam falando, declarando e afirmando que o país precisa crescer e alcançar
seu lugar no mundo. Entretanto, vemos esse país capengando, suprindo as
diversas leis trabalhistas e sociais. O povo está a mingua com gente andando
pelas ruas sem rumo, com gente sem emprego, com gente sem acesso à educação e
aos diversos meios de inclusão social. E, o pior, sem forças, sem organização e
sem propostas para depor esses fantoches que fazem o que querem, para eternizar
o Brasil como país indolente e dócil, como uma pátria de mãe gentil...
O rei mal amado não percebe que as
pessoas do seu reinado não o querem mais. Mas ele faz de conta que não ouve,
que não enxerga e que não percebe o que acontece com seus súditos. Seu povo vive
mal, consomem drogas, caminha sem rumo, padece em seus sonhos e esquecem-se dos
seus futuros... O rei está mudo e só pensa nele, nos seus amigos, nos seus
projetos, nas suas propostas e nos seus currais eleitorais...
O rei está à mingua, mas só ele não
percebe e por isso, ri, fala, gesticula, demonstra ser forte em suas palavras e
em suas determinações. Suas leis precisam ser cumpridas sem questionar, sem
remediar e por isso, ele vai levando, confiando e achando que vai durar
eternamente.
E parafraseando novamente a música, a
mesma diz que “eu volto um dia e o rei velho e cansado já morria. Perdido em
seu reinado, sem magia” ... E quem sabe quando o cantor voltar verá um
reinado livre, forte, alegre, pulsante e enérgico em relação à vida. Uma vez
que, aquilo que as pessoas mais querem e necessitam, é viver e ser feliz; ir e
vir, pensar e agir...
*Paulo Roberto Brancatti é professor da Unesp de Presidente Prudente
*Paulo Roberto Brancatti é professor da Unesp de Presidente Prudente
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