CAESA
Dívidas de 9 mil
consumidores chegam a R$ 36 milhões
A diretoria de negócios da CAESA tenta conciliação no TJAP
com 300 pessoas físicas e jurídicas inadimplentes
Reinaldo Coelho
Foi uma semana intensa para os consumidores, servidores e a diretoria da
Companhia de Água e Esgoto do Amapá (CAESA), que se encontraram para o 1º
Mutirão de Negociação da estatal na Central de Conciliação do Fórum de Macapá
que acabou na última sexta-feira (25).
O evento jurídico conciliatório foi para a realização de 300 audiências
de conciliação, que estavam pautadas com consumidores pessoas físicas e
jurídicas, com o objetivo de resolver pré-processualmente as pendências, que
somam muitos milhões de reais e impedem a CAESA de expandir seus indispensáveis
serviços de fornecimento de água potável e de tratamento de esgotos.
Contemplando consumidores de Macapá e Santana, que acumulam dívidas na
faixa de R$ 10.000 a R$ 50.000, esta iniciativa faz parte de um plano de ação
que incluirá pelo menos mais dois mutirões neste semestre e será ultimado com a
implantação de uma unidade de conciliação dentro da própria CAESA.
Atualmente a Companhia tem cerca de 9 mil consumidores inadimplentes, somando
uma dívida de quase R$ 36 milhões, referentes ao não pagamento de contas nos
últimos 10 anos.
Parceria TJAP e CAESA
A parceria entre o TJAP e a CAESA vem acontecendo na Central de
Conciliação no Fórum de Macapá e o Judiciário amapaense já realiza esse tipo de
parceria com outros órgãos do Estado e informou que chegou a realizar
treinamentos com funcionários da CAESA e de outros órgãos, com o intuito de prepará-los
como conciliadores.
“A Central convida as partes para
que elas tenham conhecimento dos débitos que existem e o judiciário faz o papel
do conciliador e de mediador dessas demandas. Começamos do maior devedor ao
menor ao invés de fazermos o inverso”, explicou Marcelo Miranda, supervisor
da Central de Conciliação de Macapá.
![]() |
| A diretora comercial da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), Magaly Xavier |
A diretora comercial da Companhia de Água e Esgoto do Amapá – CAESA,
Magaly Xavier, disse que o processo de negociação é uma poderosa e eficiente
ferramenta de solução de pendências, e que oportuniza o consumidor a tomar
conhecimento de uma série de questões que normalmente não são percebidas.
“Seja por esquecimento ou
por falta de recursos, o consumidor que cria uma dívida e não procura quitar
seu débito pode estar ignorando o fato de que sua inadimplência causa males a
outros, pois ele está tendo acesso à água potável sem pagar por ela enquanto
outros podem estar sem o produto por falta de recursos pela CAESA para ampliar
e reparar a rede”, explicou.
Magaly Xavier reforçou que a empresa está tentando negociar pelo menos
uma entrada substancial de cada um e fazer parcelamento de quem solicitar – mas
é importante ressaltar que nos casos de pagamento a vista não vão ser cobrados
juros, correção monetária e multas – essa dívida não é apenas de água, mas
também de esgoto.
“Os adeptos da conciliação
passaram a negociar suas dívidas e tiveram os benefícios de isenção de juros e
multas e vão poder parcelar as suas dívidas em até 50 vezes, basta dar uma
entrada que vai de 10% a 30% do débito”, explicou a diretora de negócios da
CAESA.
A parceria firmada com o Tjap permitiu a
qualificação de 44 funcionários da Caesa, que receberam capacitação e foram
orientados sobre as técnicas da conciliação e mediação. Esse trabalho foi
desenvolvido pela equipe do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução
de Conflitos (Nupemec/Tjap).
Além deste trabalho inicial, a Caesa também está atuando no processo de
criação do Centro Judiciário de Soluções de Conflitos (Cejusc) no espaço da
companhia. O centro funcionará como uma extensão da Justiça, onde os servidores
poderão fazer rodadas de negociações e acordos com usuários, a valor de título
executivo judicial.
Displicência com a
inadimplência
Essa situação de inadimplência dos usuários do abastecimento de água
fornecido e distribuído pela Caesa vem há muito tempo acontecendo e nunca foi
encontrado um sistema de cobrança que levasse o consumidor a quitar suas
dívidas e diminuir a inadimplência, principalmente dos consumidores de alto
poder aquisitivo. Chegando a estatal necessita constantemente de repasses de
recursos do Governo do Estado para honrar sua foilha de pagamento e não
conseguindo investir na estrutura da empresa que beneficiasse os amapaenses.
Foi criado então criada este ano a Diretoria Comercial e de Negócios que
ampliou o recrutamento de encanadores e pretende fazer uma licitação para
contratar empresa de distribuição e emissão de contas para a capital e
municípios do interior.
"A programação de cortes já está
acontecendo, depois passa para as notificações, que estão sendo entregues
diariamente. Não podemos cortar sem dar a chance de negociar. Dependendo do
valor, tem negociação", falou Magaly Xavier, diretora comercial da Caesa.
A inadimplência entre os consumidores envolve tanto cliente residencial,
como indústrias, empresas de pequeno, médio e grande porte, além de órgãos
públicos. Para regularizar e controlar as cobranças, está prevista a instalação
de 32 mil novos hidrômetros em residências.
"Existe o clandestino oficial, que tem o
medidor, teve o serviço cortado, mas religou. Isso gera um custo elevadíssimo
para a empresa, que ela não recebe aquilo para o que ela presta serviço. Hoje a
Caesa fornece mais do que arrecada", completou Magaly Xavier.
Entre os problemas que elevam a dívida da companhia estatal está o roubo
de água, que acontece a partir de ligações clandestinas feitas na rede de
distribuição.
Faltou poder de cobrança e
fiscalização
Magaly reclamou do que chamou de ‘afrouxamento’ de gestões anteriores
com relação ao pagamento das faturas: “O
que houve foi um afrouxamento, uma tranquilidade nas contas, andaram passando a
mão na cabeça de algumas pessoas… Não me pergunte o motivo porque eu não
entendo, mas isso afetou muito a CAESA, porque em função do inadimplemento deixou
de haver reinvestimento, e a partir de agora teremos condições de sobreviver de
uma forma mais organizada, porque com o alinhamento das contas vamos também
alinhar, melhorar a prestação de serviços”.
Outra realidade é que por esse “afrouxamento” na cobrança o consumidor
deixa as contas de água por último e muitas nem lembram em pagar. “A falta de negativação do consumidor, a
falta do corte e outras formas de você em alertar o cliente, faz com que ele
deixa a conta da CAESA como última a pagar, por que devido os anos de
desinteresse em cobrar acostumou o consumidor a protelar o pagamento da conta
de água”.
Órgãos Públicos
Questionada se os órgãos públicos estão em dia com os pagamentos, Magaly
respondeu que a maioria sim, mas que alguns se encontram inadimplentes,
incluindo as prefeituras do interior: “Alguns
sim, outros não, mas pelo menos estamos em negociação de permuta, por exemplo.
Para citar, a prefeitura de Macapá deve água, mas também devemos IPTU, e a
gente se alinha, o que estamos com dificuldades ainda, infelizmente, é com o
interior do Estado, onde teremos que alinhar também com as prefeituras que não
estão bem das pernas, e a política pública de cobrança é feita com base em
acordos. Nós estamos fazendo um ajuste com todos os órgãos públicos, que em sua
maioria a dívida já está negociada. Não há problema na Capital e ainda estamos
em fase negociação com o interior, que inclui a prefeitura de Santana”.
É bom para o consumidor
Um dos consumidores chamado a participar do primeiro mutirão da CAESA na
Central de Conciliação do Fórum de Macapá, Jozias Tavares da Silva, disse ter
aderido à iniciativa, posto ser “uma boa medida, pois o caminho amigável é mais
vantajoso para todos”, observou.
Com um débito já há quatro anos, Jozias alega que o problema foi a
imprecisão da estimativa de consumo, que ele julgava absolutamente incompatível
com a realidade. “Nossa questão já havia
envolvido até a atuação do PROCON, em uma negociação que nunca foi finalizada,
mas agora concordaram em efetivamente colocar um medidor no meu imóvel e assim
calcular o meu consumo”, explicou, observando que sem o equipamento a
Companhia apenas estimava seu custo.
Jozias observou que muitos outros
consumidores aguardam apenas uma oportunidade como essa para resolver a questão.
“Quem não quer pagar nem vem aqui, mas
quem quer ficar quites com todas as contas em dia e nenhum débito na praça, vem
mesmo, pois é uma grande chance e uma iniciativa muito necessária”,
acrescentou.
Prejuízos
Devido a alta inadimplência, a Caesa fica
impossibilitada de prestar um serviço de qualidade ao cidadão, pois afeta os
investimentos voltados à reestruturação dos sistemas, das manutenções
preventivas das redes de água e esgoto, na modernização do cadastro e
recadastro dos clientes.
“A população cobra um serviço de qualidade,
mas, muitas vezes, não há o retorno financeiro para que isso ocorra. A Caesa
tem buscado outras maneiras para garantir a prestação do serviço com o apoio do
Governo do Estado, mas é essencial o apoio do cidadão para que esse quadro se
reverta”, concluiu o diretor-presidente da Caesa.



Nenhum comentário:
Postar um comentário