COMO ENFRENTAR A SÍNDROME DE BURNOUT NA ÁREA MÉDICA
Muitos
jovens estabelecem muito cedo ou são induzidos por outrem a escolher as
profissões, colocando nessa escolha expectativas apenas de sucesso e
prosperidade. Quando esse resultado esperado não ocorre à contento ou a curto
prazo, após anos de esforço, estudo e dedicação, pode gerar frustações e
decepções.
A
Síndrome de Burnout , que surge por
aspectos psicológicos pessoais e relacionamentos profissionais conflituosos,
tóxicos e desgastantes, pode começar logo cedo nas frustações e decepções cotidianas, sendo alimentadas por
uma pressão emocional negativa contínua que resulta em reações de estresse.
Para
se contrapor à essa síndrome, muito comum na profissão médica, onde o
profissional passa mais tempo no trabalho do que junto com a família ou com
amigos, além das cobranças, de exposição aos cenários adversos e de
insatisfação com os resultados alcançados, o CFM lançou um plano de ação para
lidar e enfrentar esse problema. O plano visa recuperação da autoestima,
prevenção da ansiedade e redução da percepção de esgotamento.
O
estudo da Demografia Médica, ganizado pelo CFM e CREMESP, já indica pistas que
contribuem para desencadear a síndrome: os deslocamentos longos e constantes
para cumprir diferentes jornadas de
trabalho, o número de horas trabalhadas e o sentimento de sobrecarga são alguns
exemplos.
A
prevenção também começa no ambiente de trabalho, evitando condutas e
comportamentos tóxicos: evitando fofocas, traição, omissão de informações e o
desgaste emocional pelas péssimas condições de trabalho, que superam os
esforços e as improvisações, gerando sensação de impotência, ansiedade e
expectativas negativas.
Dependemos
das situações do ambiente de trabalho, dos relacionamentos e das nossas
expectativas. A falta de cortesia e de respeito no ambiente de trabalho são
comportamentos que ajudam a alimentar a síndrome. Já condutas como elogios,
reconhecimento, valorização e trabalho
em equipe evitam o surgimento do distúrbio.
Mas
como os locais de atuação profissionais não possuem programas ou planos de
enfrentamento, valorização, recuperação e controle do estresse, fica a cargo do profissional procurar criar
um ambiente de trabalho saudável e sustentável. A revista “Mente & Cérebro”
(nº 53), em artigo intitulado “no limite do estresse”, propõe algumas estratégias
e condutas:
1)
ATIVIDADE FÍSICA REGULAR: melhora a qualidade
de vida e aumenta a capacidade de resistência ao estresse. A combinação com
nutrição adequada e sono reparador pode ajudar a reduzir a vulnerabilidade à
exaustão, que é um dos sintomas mais marcantes da síndrome;
2)
CICLOS DE RECUPERAÇÃO: relacionamentos
interpessoais positivos, momentos de reflexão e descaço são rotinas de
atividades prazerosas e relaxantes que ajudam no restabelecimento da saúde;
3)
PAUSAS E PARADAS: fazer pequenas pausas no
trabalho de 30/40 minutos para repor energias; a subdivisão das férias em
períodos mais curtos pode também ajudar;
4)
MANEIRAS DE RECONHECIMENTO: receber ou emitir
elogios; a expressão de gratidão quebra o gelo de um ambiente hostil e pesado;
5)
EXECUÇÃO DE ATIVIDADES PRAZEROSAS: no trabalho
ou for dele, concentrando um tempo naquilo que gostamos de fazer ou estando em
ambiente que preferimos ficar.
No âmbito administrativo os
médicos, na Demografia Médica (CFM), já deram algumas pistas na resolução, já
que 45% relataram sintomas da síndrome em algum momento de suas carreiras. As
especialidades mais afetadas são as que estão na linha de frente do acesso à
assistência, ou melhor, “os que sofrem mais diretamente com a pressão de
pacientes, familiares e da sociedade, tendo que lidar com cenários de carência
em termos de infraestrutura e de recursos materiais e humanos”.
As especialidades mais
afetadas são a Clínica Médica, Medicina de Urgência e Emergência e Medicina de
Família e Comunidade, de acordo com estudo do Archives of Internal Medicine em 2012. ( Fontes:
Jornal Medicina, nº 265; Revista Mente & Cérebro, n° 53). JARBAS ATAÍDE, Macapá-AP, 31.07.2017.

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