domingo, 6 de agosto de 2017

SAÚDE EM FOCO

  



COMO ENFRENTAR  A SÍNDROME DE BURNOUT  NA ÁREA MÉDICA


Muitos jovens estabelecem muito cedo ou são induzidos por outrem a escolher as profissões, colocando nessa escolha expectativas apenas de sucesso e prosperidade. Quando esse resultado esperado não ocorre à contento ou a curto prazo, após anos de esforço, estudo e dedicação, pode gerar frustações e decepções.
A Síndrome de Burnout , que surge por aspectos psicológicos pessoais e relacionamentos profissionais conflituosos, tóxicos e desgastantes, pode começar logo cedo nas frustações  e decepções cotidianas, sendo alimentadas por uma pressão emocional negativa contínua que resulta em reações de estresse.
Para se contrapor à essa síndrome, muito comum na profissão médica, onde o profissional passa mais tempo no trabalho do que junto com a família ou com amigos, além das cobranças, de exposição aos cenários adversos e de insatisfação com os resultados alcançados, o CFM lançou um plano de ação para lidar e enfrentar esse problema. O plano visa recuperação da autoestima, prevenção da ansiedade e redução da percepção de esgotamento.
O estudo da Demografia Médica, ganizado pelo CFM e CREMESP, já indica pistas que contribuem para desencadear a síndrome: os deslocamentos longos e constantes para cumprir diferentes  jornadas de trabalho, o número de horas trabalhadas  e o sentimento de sobrecarga são alguns exemplos.
A prevenção também começa no ambiente de trabalho, evitando condutas e comportamentos tóxicos: evitando fofocas, traição, omissão de informações e o desgaste emocional pelas péssimas condições de trabalho, que superam os esforços e as improvisações, gerando sensação de impotência, ansiedade e expectativas negativas.
Dependemos das situações do ambiente de trabalho, dos relacionamentos e das nossas expectativas. A falta de cortesia e de respeito no ambiente de trabalho são comportamentos que ajudam a alimentar a síndrome. Já condutas como elogios, reconhecimento, valorização  e trabalho em equipe evitam o surgimento do distúrbio.
Mas como os locais de atuação profissionais não possuem programas ou planos de enfrentamento, valorização, recuperação e controle do estresse,  fica a cargo do profissional procurar criar um ambiente de trabalho saudável e sustentável. A revista “Mente & Cérebro” (nº 53), em artigo intitulado “no limite do estresse”, propõe algumas estratégias e condutas:
1)        ATIVIDADE FÍSICA REGULAR: melhora a qualidade de vida e aumenta a capacidade de resistência ao estresse. A combinação com nutrição adequada e sono reparador pode ajudar a reduzir a vulnerabilidade à exaustão, que é um dos sintomas mais marcantes da síndrome;
2)        CICLOS DE RECUPERAÇÃO: relacionamentos interpessoais positivos, momentos de reflexão e descaço são rotinas de atividades prazerosas e relaxantes que ajudam no restabelecimento da saúde;
3)        PAUSAS E PARADAS: fazer pequenas pausas no trabalho de 30/40 minutos para repor energias; a subdivisão das férias em períodos mais curtos pode também ajudar;
4)        MANEIRAS DE RECONHECIMENTO: receber ou emitir elogios; a expressão de gratidão quebra o gelo de um ambiente hostil e pesado;
5)        EXECUÇÃO DE ATIVIDADES PRAZEROSAS: no trabalho ou for dele, concentrando um tempo naquilo que gostamos de fazer ou estando em ambiente que preferimos ficar.
No âmbito administrativo os médicos, na Demografia Médica (CFM), já deram algumas pistas na resolução, já que 45% relataram sintomas da síndrome em algum momento de suas carreiras. As especialidades mais afetadas são as que estão na linha de frente do acesso à assistência, ou melhor, “os que sofrem mais diretamente com a pressão de pacientes, familiares e da sociedade, tendo que lidar com cenários de carência em termos de infraestrutura e de recursos materiais e humanos”.
As especialidades mais afetadas são a Clínica Médica, Medicina de Urgência e Emergência e Medicina de Família e Comunidade, de acordo com estudo do Archives of Internal Medicine em 2012. ( Fontes: Jornal Medicina, nº 265; Revista Mente & Cérebro, n° 53). JARBAS ATAÍDE, Macapá-AP, 31.07.2017.



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