Votar e salvar Temer valeu a pena? Para quem?
Nobilíssimos,
"Cada
um tem seu interesse pessoal na próxima eleição. O candidato a deputado, o
candidato a governador, o candidato a qualquer coisa. O que prevalece é o puro
interesse pessoal. Não há nenhuma análise de interesse partidário e não há
nenhuma análise de interesse do país."
Na
última quarta-feira quando foi votado a denúncia da Procuradoria-Geral da
República (PGR) contra o presidente Michel Temer não conseguiu o aval de dois
terços da Câmara e foi, portanto, barrada no plenário da Casa. Sem os 342 votos
necessários para sua continuidade no Supremo Tribunal Federal (STF), o processo
ficará parado até que Temer deixe a Presidência.
A
decisão ocorreu durante a votação da bancada do Rio de Janeiro. Os votos a
favor de Temer, somados às ausências e abstenções, ultrapassaram os 172 votos,
inviabilizando o número mínimo de 342 votos para a continuidade da denúncia.
A maioria dos deputados da
base do governo justificaram seus votos com um simples “ruim com ele, pior sem
ele” e usaram a economia com justificativa de Temer continuar. Se fizeram de
cegos, ou olharam para o umbigo e não perceberam que as benesses distribuídas
pelo presidente Michel Temer que usou sem cerimônia a máquina federal para
conquistar votos de deputados, estava comprometendo ainda mais a frágil
estabilidade da economia nacional.
Ao contrário da sessão que
autorizou o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a votação
da denúncia foi marcada por justificativas relacionadas ao combate à corrupção,
à agenda econômica e às reformas trabalhista e da Previdência.
Na quarta-feira, 02 de agosto,
o mês que é considerado como o “mês do desgosto” pelos fatos históricos ruim
que normalmente acontecem, os argumentos ligados à família ou às bases
eleitorais dos parlamentares ficaram de fora dos discursos no microfone do
plenário. Em geral, deputados que votam contra a denúncia — dizendo sim para o
relatório que impede o prosseguimento da investigação — citam medidas tomadas
pelo governo na área econômica.
Michel fez sua “campanha
eleitoral” para permanecer no Planalto. Sua "campanha" incluiu a
promessa de bilhões de reais para emendas parlamentares e projetos em
municípios e estados, criação de cargos comissionados e atendimento de demandas
específicas de bancadas.
As medidas contrastam com o
discurso de "sacrifício" que Temer evocou ao assumir o governo em
2016. Para se salvar de uma eventual admissão pela Câmara da denúncia criminal
por suspeita de corrupção, o presidente pode ter gasto mais de 17 bilhões de
reais apenas em emendas parlamentares e verbas destinadas para governos e
prefeituras.
Ao ceder em projetos dispendiosos de deputados
e criar mais cargos, Temer jogou uma pá de cal na política de ajuste fiscal
prometida no início do governo
O aumento das despesas
públicas nesta “campanha” vergonhosa, levará os ministérios da Fazenda e do
Planejamento que já cogitam ter que rever a meta fiscal e aumentar a previsão
de déficit em 2017. É o retrocesso de uma estabilização da economia este ano. O
Brasileiro deverá esperar as eleições de 2018 e aguentar mais denúncias e ações
de Temer para continuar no cargo e com o beneplácito de parlamentares
compromissados com ele e não com o povo que os elegeu. Mas, vamos sofrer ainda
17 meses, porém a esperança é de limpar o parlamento e poder executivo desses
excrementos que “borram” o nome do Brasil em 2018.

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