domingo, 6 de agosto de 2017

Coluna de Bruno Belém


Votar e salvar Temer valeu a pena? Para quem?



Nobilíssimos,
"Cada um tem seu interesse pessoal na próxima eleição. O candidato a deputado, o candidato a governador, o candidato a qualquer coisa. O que prevalece é o puro interesse pessoal. Não há nenhuma análise de interesse partidário e não há nenhuma análise de interesse do país."
Na última quarta-feira quando foi votado a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer não conseguiu o aval de dois terços da Câmara e foi, portanto, barrada no plenário da Casa. Sem os 342 votos necessários para sua continuidade no Supremo Tribunal Federal (STF), o processo ficará parado até que Temer deixe a Presidência.   
A decisão ocorreu durante a votação da bancada do Rio de Janeiro. Os votos a favor de Temer, somados às ausências e abstenções, ultrapassaram os 172 votos, inviabilizando o número mínimo de 342 votos para a continuidade da denúncia.
A maioria dos deputados da base do governo justificaram seus votos com um simples “ruim com ele, pior sem ele” e usaram a economia com justificativa de Temer continuar. Se fizeram de cegos, ou olharam para o umbigo e não perceberam que as benesses distribuídas pelo presidente Michel Temer que usou sem cerimônia a máquina federal para conquistar votos de deputados, estava comprometendo ainda mais a frágil estabilidade da economia nacional.
Ao contrário da sessão que autorizou o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a votação da denúncia foi marcada por justificativas relacionadas ao combate à corrupção, à agenda econômica e às reformas trabalhista e da Previdência.
Na quarta-feira, 02 de agosto, o mês que é considerado como o “mês do desgosto” pelos fatos históricos ruim que normalmente acontecem, os argumentos ligados à família ou às bases eleitorais dos parlamentares ficaram de fora dos discursos no microfone do plenário. Em geral, deputados que votam contra a denúncia — dizendo sim para o relatório que impede o prosseguimento da investigação — citam medidas tomadas pelo governo na área econômica.
Michel fez sua “campanha eleitoral” para permanecer no Planalto. Sua "campanha" incluiu a promessa de bilhões de reais para emendas parlamentares e projetos em municípios e estados, criação de cargos comissionados e atendimento de demandas específicas de bancadas.

As medidas contrastam com o discurso de "sacrifício" que Temer evocou ao assumir o governo em 2016. Para se salvar de uma eventual admissão pela Câmara da denúncia criminal por suspeita de corrupção, o presidente pode ter gasto mais de 17 bilhões de reais apenas em emendas parlamentares e verbas destinadas para governos e prefeituras.
 Ao ceder em projetos dispendiosos de deputados e criar mais cargos, Temer jogou uma pá de cal na política de ajuste fiscal prometida no início do governo

O aumento das despesas públicas nesta “campanha” vergonhosa, levará os ministérios da Fazenda e do Planejamento que já cogitam ter que rever a meta fiscal e aumentar a previsão de déficit em 2017. É o retrocesso de uma estabilização da economia este ano. O Brasileiro deverá esperar as eleições de 2018 e aguentar mais denúncias e ações de Temer para continuar no cargo e com o beneplácito de parlamentares compromissados com ele e não com o povo que os elegeu. Mas, vamos sofrer ainda 17 meses, porém a esperança é de limpar o parlamento e poder executivo desses excrementos que “borram” o nome do Brasil em 2018.

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