O LÚDICO COMO FONTE DE PRAZER E SAÚDE
Não é de agora que ouvimos a frase: lugar de criança é na escola e na
brincadeira. Mas o que tem isso com nossa saúde? Vamos relacionar as atividades
lúdicas e brincadeiras com saúde, violência e emoção. A relação dessas
condicionantes com o desenvolvimento mental e cerebral é uma realidade.
Estudando 26 assassinos texanos,
Stuart Brown, psiquiatra americano, descobriu que a maioria deles tinha dois
pontos em comum: eram de famílias violentas e raramente (ou nunca) brincavam
quando crianças. Durante 42 anos entrevistou 6 mil pessoas sobre a sua fase de
infância. Brown chegou à seguinte conclusão: crianças precisam brincar.
O pesquisador citado, fundador do
Instituto Nacional de Brincadeiras, na Califórnia, indica ter maneiras de
trazer a prática lúdica para a vida cotidiana: “brincar com o corpo, com
objetos e participar de atividades sociais”. Mas para despertar a mente precisa
de motivação interior. Quando o próprio movimento ou atividade física não gera
prazer ou emoção, feito apenas para queimar calorias, a pratica não pode ser
considerada lúdica.
Segundo o biólogo evolucionista Marc Bekoff, da Universidade do
Colorado-USA, mesmo depois de grande nunca é tarde para reservar um espaço na
agenda para divertir-se”. Suas pesquisas
“indicam que atividades lúdicas são importantes não só para o desenvolvimento
cerebral e psíquico, mas também para a saúde mental e física dos adultos; reduz
a vulnerabilidade aos efeitos do estresse e ao risco de adoecimento”.
A privação e falta das
brincadeiras e bagunça das crianças, ou seja, de “atividades lúdicas
desestruturadas (sem regras definidas) pode fazer com que crianças se
transformem em adultos desajustados e infelizes. Brincadeiras “livres” servem
para adaptação social, controle do estresse, construção de habilidades
cognitivas e capacidades de solucionar problemas”.
Na tentativa de melhor preparo
intelectual para enfrentar a globalização, a competição e as demandas do
desenvolvimento, os pais estão sacrificando o tempo livre e as brincadeiras por
atividades mais estruturadas. Excluem as “bagunças” e brincadeiras
descontraídas, os pulos, as cambalhotas que estimulam a criatividade e dos
jogos inventados que estimulam a cooperação. Isso prejudica o desenvolvimento
social, emocional e cognitivo em algum grau.
Essa relação entre saúde e
brincadeira surge com Stuart Brown, em 1961, mas começa a se transformar numa
preocupação internacional, com “a finalidade de proteger, preservar e promover
essa atividade, como um direito fundamental da criança”. Atividades estruturadas
(natação, jogos diversos, como xadrez e futebol, saber usar instrumentos
musicais) possuem regras e metas a serem atingidas e exigências impostas
(sucesso e eficiência).
Certamente, os jogos com regras
definidas, possuem suas vantagens de sociabilidade e coesão de grupo,
organização e obediência. As brincadeiras livres não tem regras iniciais e permitem
a mente buscar respostas criativas, estabelecendo conexões cerebrais prazerosas.
São algumas conclusões do psicólogo educacional Anthony Pellegrini, da Universidade de Minnesota-USA.
Em brincadeiras livres e
desestruturadas, “as crianças usam a imaginação e experimentam novas atividades
e papeis, fazem tentativas, desafios novos, exercitam a flexibilidade e a
capacidade de lidar com o não usual”. Diante disso, ao brincar, expressam
decepções, angustias e medos, buscando inconscientemente formas de superação e controle
da situação.
A criação de atividades lúdicas,
inventadas, fantasiosas, brigas fictícias, em que os lutadores se batem por
pura diversão, trocando periodicamente os papéis para que ninguém ganhe sempre,
estimula a competição saudável e capacidade de suportar perdas.
Quando brincamos encararmos a vida
de forma mais descontraída e com menor ansiedade e riscos do cotidiano. Não é
negar as dificuldades como uma euforia maníaca, mas conferir aos problemas sua
real dimensão, sem deixar que tome conta de todos os âmbitos da vida, causando
paralisia ou levando a decisões equivocadas. JARBAS ATAÍDE, 07.08.2017.

Nenhum comentário:
Postar um comentário