sexta-feira, 25 de agosto de 2017

SAÚDE EM FOCO

                      


MÉDICOS EM ALTA E SAÚDE EM BAIXA CREDIBILIDADE


      Sofrendo desmonte e progressivo histórico processo de subfinanciamento o setor de saúde pública vem passando por um período crítico, particularmente nos últimos 14 anos, onde vários fatores interferiram e continuam contribuindo para a baixa credibilidade dos serviços prestados nas áreas de assistência, prevenção, urgência e reabilitação.
          No topo desses problemas estão dois graves: a carência e  desvalorização de recursos humanos e a corrupção na saúde. Enquanto as autoridades da saúde, como o Ministério da Saúde, tenta escamotear o foco do problema, culpando os profissionais médicos, a população reconhece o Médico e nele deposita confiança e credibilidade.  Esses foram dois assuntos tratados no jornal Medicina, edição nº 262 (Dezembro/2016) e em pesquisa Datafolha.
         A má qualidade dos serviços prestados em saúde resulta da falta não só de investimentos, que está na base dos problemas, mas também do sucateamento e abandono dos serviços essenciais, cujo levantamento feito pelo CFM demonstra que o setor de saúde preocupa principalmente as mulheres (43%) e entre as pessoas que tem apenas o ensino fundamental (42%). Os desvios, o mau emprego dos recursos e a corrupção preocupam mais aos homens (22%) com maior grau de estudo (26%).
        Independente donde esteja sendo prestado, cerca de 65% dos entrevistados deram o conceito “ruim” e “péssimo” para a assistência da saúde. As regiões onde ocorreu a maior crítica foram o Sudeste (68%) e a Norte e Centro-Oeste (66%). Para a pesquisa Datafolha, 37% da população coloca a saúde como o principal problema do país.
        Em vez de atuar de maneira mais efetiva e realista nas questões cruciais que afetam o setor, apontadas pela população, os governos tentam ofuscar e desviar o foco com medidas que não interfere na melhora e nem na qualidade dos serviços, como instalar biometria e ponto eletrônico nas unidades. Tal medida inócua esta sendo implantada no setor público do Amapá. Enquanto isso, as questões do subfinanciamento, infraestrutura, equipamentos, medicamentos e recursos humanos, não recebe a devida importância, como se observa no quadro da pesquisa Datafolha.  
       

 
         Enquanto grande parcela da população (26%) confere ao Médico o ranking de maior credibilidade no Brasil, entre as profissões mais importantes para resolver os graves problemas, ficando inclusive na frente dos professores  (24%) e bombeiros (15%), o Ministro da Saúde desdenha dizendo que os médicos “estão brincando de trabalhar”, numa ofensa à classe  e na contramão da opinião pública.
                             

          Para amenizar a situação a Ouvidoria e a Gestão do SUS, que recebe reclamações diárias da população, além dos dados que o próprio MS possuí, deveriam atuar num elenco de medidas prioritárias: combate à corrupção (65%), aumento de profissionais (58%), maior número de leitos( 50%), maiores recursos para a saúde (47%), acesso a medicamentos (47%), qualificação de profissionais (46%), contratação de mais médicos (45%) e melhorar a infraestrutura (44%).  Macapá-AP, 14. 08.2017.

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