MÉDICOS
EM ALTA E SAÚDE EM BAIXA CREDIBILIDADE
Sofrendo desmonte
e progressivo histórico processo de subfinanciamento o setor de saúde pública
vem passando por um período crítico, particularmente nos últimos 14 anos, onde vários
fatores interferiram e continuam contribuindo para a baixa credibilidade dos
serviços prestados nas áreas de assistência, prevenção, urgência e
reabilitação.
No topo
desses problemas estão dois graves: a carência e desvalorização de recursos humanos e a
corrupção na saúde. Enquanto as autoridades da saúde, como o Ministério da
Saúde, tenta escamotear o foco do problema, culpando os profissionais médicos,
a população reconhece o Médico e nele deposita confiança e credibilidade. Esses foram dois assuntos tratados no jornal
Medicina, edição nº 262 (Dezembro/2016) e em pesquisa Datafolha.
A má qualidade
dos serviços prestados em saúde resulta da falta não só de investimentos, que
está na base dos problemas, mas também do sucateamento e abandono dos serviços
essenciais, cujo levantamento feito pelo CFM demonstra que o setor de saúde
preocupa principalmente as mulheres (43%) e entre as pessoas que tem apenas o
ensino fundamental (42%). Os desvios, o mau emprego dos recursos e a corrupção
preocupam mais aos homens (22%) com maior grau de estudo (26%).
Independente
donde esteja sendo prestado, cerca de 65% dos entrevistados deram o conceito
“ruim” e “péssimo” para a assistência da saúde. As regiões onde ocorreu a maior
crítica foram o Sudeste (68%) e a Norte e Centro-Oeste (66%). Para a pesquisa
Datafolha, 37% da população coloca a
saúde como o principal problema do país.
Em
vez de atuar de maneira mais efetiva e realista nas questões cruciais que
afetam o setor, apontadas pela população, os governos tentam ofuscar e desviar
o foco com medidas que não interfere na melhora e nem na qualidade dos
serviços, como instalar biometria e ponto eletrônico nas unidades. Tal medida
inócua esta sendo implantada no setor público do Amapá. Enquanto isso, as
questões do subfinanciamento, infraestrutura, equipamentos, medicamentos e
recursos humanos, não recebe a devida importância, como se observa no quadro da
pesquisa Datafolha.
Enquanto
grande parcela da população (26%) confere ao Médico o ranking de maior
credibilidade no Brasil, entre as profissões mais importantes para resolver os
graves problemas, ficando inclusive na frente dos professores (24%) e bombeiros (15%), o Ministro da Saúde
desdenha dizendo que os médicos “estão brincando de trabalhar”, numa ofensa à
classe e na contramão da opinião
pública.
Para
amenizar a situação a Ouvidoria e a Gestão do SUS, que recebe reclamações
diárias da população, além dos dados que o próprio MS possuí, deveriam atuar
num elenco de medidas prioritárias: combate à corrupção (65%), aumento de
profissionais (58%), maior número de leitos( 50%), maiores recursos para a
saúde (47%), acesso a medicamentos (47%), qualificação de profissionais (46%),
contratação de mais médicos (45%) e melhorar a infraestrutura (44%). Macapá-AP,
14. 08.2017.



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