Imaginem
Imaginem um candidato ideal para os dias
atuais... Quais seriam as credenciais desejadas? Casado? Com filhos? Bem
formado? Bem sucedido? Honesto? Solidário? Prestativo? Trabalhador?
Compromissado com o seu eleitorado? Sim, essas são algumas características que
provavelmente imaginamos sobre um candidato.
Poucos meses atrás um candidato com
características desejáveis poderia ser o ex-procurador do Ministério Público
Federal, Marcelo Miller. Isso mesmo, aquele procurador envolvido no caso JBS,
agora investigado por obstrução às investigações e exploração de prestígio.
Atuante até o início do ano no Ministério Público Federal de Brasília, o doutor
provavelmente reunia boas credenciais para ser um bom candidato nas próximas
eleições. Distante de ser um político profissional e sem um histórico de
envolvimento em atitudes ilícitas, ele poderia ser considerado por muitos como
uma pessoa acima de qualquer suspeita. Um bom salvador para a nossa pátria.
Agora, voltando para a realidade, qualquer
pessoa é honesta até ser corrompida. Casos de corrupção envolvendo o
Legislativo e Executivo estamos cansados de assistir nos noticiários. O
destaque, então, é que estamos descobrindo casos de corrupção envolvendo outro
poder da república, o Judiciário. Começam a brotar nos noticiários relatos de
comportamentos suspeitos ou crimes cometidos por alguns de seus membros.
Diante de todos esses fatos, começo a perceber
que mesmo com uma boa reforma política ou outras reformas essenciais, ainda
teremos dificuldade em melhorar o país. Mesmo com um congresso renovado com as
eleições de 2018, ainda podemos ver cenas de corrupção como as atuais. Isso
porque o nosso sistema atual é, infelizmente, corrupto. O mocinho pode ser
tornar bandido em um piscar de olhos.
Assim, o nosso problema é mais complexo do que
imaginamos.
Uma solução para o crime de corrupção que
esfola o nosso país seria não só a criação de leis mais rígidas para esse tipo
de crime, mas principalmente a execução dessas leis de forma rápida e exemplar.
Ilustrando, para crimes de corrupção envolvendo valores astronômicos a
aplicação de pena máxima seria pertinente. Para a maioria da população os
milhões de reais escondidos em apartamentos ou contas no exterior seriam mais
bem aproveitados se fossem utilizados para salvar milhares de vidas nas filas
dos hospitais públicos.
José Renato Campos é aluno de doutorado do
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Unesp e professor do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo.
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