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| Jose do Carmo Tavares |
José do Carmo Tavares, o Zé
Eletrecista – *1928 / +2017
Reinaldo Coelho
O
mês de setembro foi o mês do elevamento de diversas almas amapaenses. Entre os
que nos deixaram, tivemos a ida de craque do futebol amapaense Mareco, do
Gaivota, o coreógrafo Adrilson Carvalho, o geólogo Marcos Palheta, o
engenheiro, delegado de polícia e professor Bigu e a de José do Carmo Tavares.
Zé
Tavares como era conhecido, e era um negro silencioso, mas quando falava com as
pessoas abria um lindo sorriso, que valia por milhares de palavras. Andava na
cidade em uma bicicleta Hércules, adquirida em 1953 na Casa Leão do Norte, mas
já moldada ao pequeno corpo desse grande eletrecista, por essa profissão e era
conhecido como Zé eletrecista, e tinha como hobby a marcenaria.
Descendente
de uma familia legitimamente amapaense tanto que seus bisavós, residiam no
antigo Largo São José, hoje Praça Barão do Rio Branco, sua família juntamente
com outros negros, originalmente ocupavam a frente da cidade próximo ao
trapiche municipal e ao estaleiro. Muitos viviam da pesca e do plantio da
mandioca. E com a transformação do Amapá em Território Federal e a consequente
instalação do primeiro governo, aconteceu a transferência dos negros para a
parte norte da cidade não foi um fato enfrentado com passividade por eles.
Porém
a família Tavares não foi para o Laguinho. Um ramo deles fixou residência no
Largo dos Inocentes, mais conhecido como Formigueiro.
O
Zeca Eletrecista, cujo nome de batismo era José do Carmo Tavares, filho de José
Tavares e Maria do Carmo Tavares, nasceu na casa dos pais, em março de 1928,
sendo "aparado" por Luzia Francisca da Silva, a Mãe Luzia. Zeca
Tavares veio ao mundo no Largo dos Inocentes, o recanto mais populoso de
Macapá.
O
historiador Nilson Montorial escreveu que os antigos moradores da nossa cidade
diziam que ali tinha tanta gente que parecia um formigueiro. Foi aluno da
Escola Primária de Macapá e começou a trabalhar cedo. Na Prefeitura de Macapá
aprendeu o ofício de eletrecista e prestou relevantes servicos à Comuna
Macapaense. José Tavares não era de jogar conversa fora. Foi torcedor do
América Futebol Clube, do Rio de Janeiro, mas se desencantou com o clube.
“Chamá-lo
de Zeca Americano era um desaforo. Ele e a Lucy, sua esposa, foram pessoas
estimadas.Ela, festeira do marabaixo e tacacazeira famosa. Quando construi
minha casa, entreguei a edificação aos cuidados do Zeca Amaral, mestre de obras
da PMM. As instalações elétricas eu confiei ao Zeca Eletrecista. Tenho um
profundo sentimento de gratidão pelos dois. Após a morte da Lucy o Zeca
Eletrecista perdeu o ânimo pela vida”.
Nilson
Montorial conta que no último sábado, dia 9/9, “eu o vi sentado no banco branco
existentes no pátio de sua casa”.
Ele era servidor aposentado do município de
Macapá e tinha 89 anos de idade, iria completar 90 anos em março de 2018.
Walciria, uma das suas filhas, falou a
editoria do Tribuna Amapaense sobre seu pai adotivo, “Sou sobrinha da Tia Lucy,
que nos criou, eu mais duas irmãs (Walciria, Walquiria r Jacira) desde a tenra
idade. Ela {Tia Lucy} era criada pela Dona Iaci do Espirito Santo Araújo, que a
ajudou a nos criar. Quando a Tia Lucy casou com Zé Tavares ele nos adotou como
filhas e registrou meu primeiro filho como seu e nos colocou quando entro para
a PMM recebíamos o salário família”.
Família
Zequinha era filho de José Tavares, irmão de
João do Carmo Tavares (Jangito), Faustino e Biló, destacados atletas do futebol
amapaense. Era também irmão da Tereza e da Dona Quitéria, que trabalharam com
os Irmãos Zagury.
Profissional
Eletricista dos quadros da PMM ajudou a levar
energia elétrica para muitas comunidades do interior de Macapá e na Prefeitura
de Macapá aprendeu o ofício de eletricista e prestou relevantes serviços à
Comuna Macapaense. Trabalhou muito na instalação e manutenção do sistema de
iluminação do Glicério Marques: até dois meses atrás, antes das complicações do
diabetes, o Zequinha ainda pedalava pelas ruas de Macapá sua bicicleta Hércules
adquirida em 1953 na Casa Leão do Norte, portanto era figura muito querida e
conhecida em nossa cidade.
Foi aluno da Escola Primária de Macapá e
começou a trabalhar cedo. Seu José Tavares não era de jogar conversa fora. Foi
torcedor do América Futebol Clube, do Rio de Janeiro, mas se desencantou com o
clube. Chamá-lo de Zeca Americano era um desaforo.
Ele e a Tia Lucy, sua esposa foram pessoas
estimadas. Ela, festeira do marabaixo e tacacazeira famosa.
Texto de Nilson Montoril, (adaptado ao Porta-Retrato e pelo Tribuna
Amapaense) publicado originalmente, na íntegra, na página do grupo MMM – MEIO
DO MUNDO MACAPÁ, no Facebook.


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