Contos que lhe conto
César Bernardo de
Souza, lança mais um livro de contos e tem 21 aguardando.
Reinaldo Coelho
Para
o psicólogo Júlio Peres escrever é uma maneira eficaz de superar situações
difíceis, a partir do momento que a pessoa manifesta suas angústias e
sofrimentos. E os benefícios da escrita não param por aí. O especialista
acredita que este tipo de experiência permite ter domínio sobre as próprias
emoções, lidar harmoniosamente com os mais diversos eventos e,
consequentemente, ter mais autoconhecimento.
Utilizando-se
desse argumento em toda sua vida o mineiro, de Volta Grande, César Bernardo
veio ao Amapá em 1974, com 22 anos de idade, através do Projeto Rondon, era
acadêmico da Faculdade de Ciências Agrícolas/UFRRJ e aqui se radicou. Hoje com
65 anos, há 43 anos é amapaense, pois aqui se casou com a professora
Consolação, pai de Tito, Fernando e Danilo, avô de Jéssica, Vili, Camilo, Letícia
e Lorenzo. “Passei 8 anos sem voltar a
minha terra natal, devido as dificuldades financeiras, mas amo o Amapá e aqui
plantei minhas sementes, meus filhos e netos e minhas plantas e meus estudos.
Diz-se que todo homem (ser humano), antes de morrer (corpo físico), deve
‘plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro’. Essa frase tem um
significado muito profundo, que nos leva à nossa origem, nos religando à
energia divina e nos ensinando um caminho de volta ao nosso Pai. E eu já fiz
isso e quero continuar fazendo, multiplicado”.
O
articulista e radialista César Bernardo de Souza descobriu ser portador de
tumores malignos e agora uma das suas atuais tarefas e gladiar com a doença no
seu dia a dia, porém ela não o destruiu seu espirito e sua inteligência e
continuou a produzir, tanto que autografará seu terceiro livro “Conto que lhe
Conto”, neste 4 de outubro, data de sua chegada ao Amapá em 1974. “Era para ser lançado em setembro, porém para
reforçar em mim os 43 anos de chegada ao Amapá, que foi em 4 de outubro de
1974, pois foi o destino que me trouxe para esse amado Estado e sou muito feliz
aqui”.
E
sobre a doença ele é simplista, mas consciente da necessidade de seu
tratamento. “Escrever me conforta e penso
que a escrita de meus livros é um legado para as pessoas que enfrentam o
câncer. Sei o quanto é difícil passar por isso, mas se tivermos o apoio das
pessoas e fé em Deus, a dor é amenizada. E nesse período meus livros são um
grande amigo e confidente”.
César
Bernardo é autor de ‘Mestre Açaizeiro’ e ‘Assembleia dos Peixes’ (Tarso
Editora, 2013) destinado ao público infanto-juvenil – 6.500 exemplares vendidos
e ‘O Doutor das Calçadas’ (Tarso Editora, 2015). A atual obra amplia a sua
participação na literatura amapaense – ele é autor e/ou coautor de vários
livros, alguns deles escolhidos para leitura obrigatória em várias escolas e
universidades.
César
explicou que é um autor de ficção, poderia está escrevendo a não ficção, porém
devido as leis brasileiras isso se complica, quando pessoas processam os
autores por se identificarem com os personagens. “Contos que lhe conto, como o título revela, são diversos contos
ficcionais que tem como cenário a região amazônica e os personagens são
nortistas. Fazendeiros, agricultores, o ribeirinho. Aproveito para destacar que
o homem da Amazônia nunca destruiu e nem pensou em destruir as florestas, não
por ser bonzinho, mas por falta de capitalização, pois não se derruba as
árvores amazônicas com machadadas. O Sul e Sudeste e as ONG’S e blogueiros que
brigam pela floresta e não pelo o homem que habita a floresta”.
Ele
ressaltou a reportagem das dificuldades gráficas para publicação de livros,
devido as gráficas amapaenses não serem voltadas exclusivamente para esse tipo
de produção literária e inexiste concorrência entre as gráficas. “Depois de esperar por quase 25 anos fiz o
lançamento do meu segundo livro de contos – ‘O Doutor das Calçadas’. Foram anos
com ele escrito, tantas revisões impostas, até que surgiram as condições
básicas para publicar a obra. ‘O Doutor das Calçadas’ foi escrito aos leitores,
de todas as idades, de todas as classes sociais e de inserção em qualquer
sociedade no Brasil”, explicou César Bernardo.
O
preço da produção literária no Amapá é muito alto, o que não permite vender um
livro. “Hoje em dia as pessoas não estão
querendo ler muito. Tem livro no Celular, nos Tablets, e isso impossibilita ver
um livro mais barato. Este livro está a venda por R$ 20,00, mas não devia, pois
para financiar-se e ajudar na publicação de outros deveria sair por R$ 26.
Mesmo nesse preço você vai chegar em uma banca de revista e encontrar uma obra
de Paulo Coelho a R$ 29. Caramba, Paulo Coelho a R$ 29 e César Bernardo a R$
26!”
As
capas e prefácios de seus livros, César Bernardo sempre entregou a artistas e
escritores amapaenses, como o escritor Paulo de Tarso Barros e as capas e
contra capas de Ronaldo Picanço, e o rigor revisional de Epaminondas Pelaes dos
Santos, respectivamente. “Além disso essa
publicação dá sequência ao propósito que temos de aliar em livros a excelência
das artes plásticas que se pratica no Amapá”, atesta o autor de ‘Contos que
lhe Conto’.
César
Bernardo promete para ainda este ano lançar mais duas obras: ‘Point para
Macapá’ e ‘Águas assassinas’.

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