sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Cultura


Contos que lhe conto

César Bernardo de Souza, lança mais um livro de contos e tem 21 aguardando.

Reinaldo Coelho

Para o psicólogo Júlio Peres escrever é uma maneira eficaz de superar situações difíceis, a partir do momento que a pessoa manifesta suas angústias e sofrimentos. E os benefícios da escrita não param por aí. O especialista acredita que este tipo de experiência permite ter domínio sobre as próprias emoções, lidar harmoniosamente com os mais diversos eventos e, consequentemente, ter mais autoconhecimento.
Utilizando-se desse argumento em toda sua vida o mineiro, de Volta Grande, César Bernardo veio ao Amapá em 1974, com 22 anos de idade, através do Projeto Rondon, era acadêmico da Faculdade de Ciências Agrícolas/UFRRJ e aqui se radicou. Hoje com 65 anos, há 43 anos é amapaense, pois aqui se casou com a professora Consolação, pai de Tito, Fernando e Danilo, avô de Jéssica, Vili, Camilo, Letícia e Lorenzo. “Passei 8 anos sem voltar a minha terra natal, devido as dificuldades financeiras, mas amo o Amapá e aqui plantei minhas sementes, meus filhos e netos e minhas plantas e meus estudos. Diz-se que todo homem (ser humano), antes de morrer (corpo físico), deve ‘plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro’. Essa frase tem um significado muito profundo, que nos leva à nossa origem, nos religando à energia divina e nos ensinando um caminho de volta ao nosso Pai. E eu já fiz isso e quero continuar fazendo, multiplicado”.
O articulista e radialista César Bernardo de Souza descobriu ser portador de tumores malignos e agora uma das suas atuais tarefas e gladiar com a doença no seu dia a dia, porém ela não o destruiu seu espirito e sua inteligência e continuou a produzir, tanto que autografará seu terceiro livro “Conto que lhe Conto”, neste 4 de outubro, data de sua chegada ao Amapá em 1974. “Era para ser lançado em setembro, porém para reforçar em mim os 43 anos de chegada ao Amapá, que foi em 4 de outubro de 1974, pois foi o destino que me trouxe para esse amado Estado e sou muito feliz aqui”.
E sobre a doença ele é simplista, mas consciente da necessidade de seu tratamento. “Escrever me conforta e penso que a escrita de meus livros é um legado para as pessoas que enfrentam o câncer. Sei o quanto é difícil passar por isso, mas se tivermos o apoio das pessoas e fé em Deus, a dor é amenizada. E nesse período meus livros são um grande amigo e confidente”.

César Bernardo é autor de ‘Mestre Açaizeiro’ e ‘Assembleia dos Peixes’ (Tarso Editora, 2013) destinado ao público infanto-juvenil – 6.500 exemplares vendidos e ‘O Doutor das Calçadas’ (Tarso Editora, 2015). A atual obra amplia a sua participação na literatura amapaense – ele é autor e/ou coautor de vários livros, alguns deles escolhidos para leitura obrigatória em várias escolas e universidades.
César explicou que é um autor de ficção, poderia está escrevendo a não ficção, porém devido as leis brasileiras isso se complica, quando pessoas processam os autores por se identificarem com os personagens. “Contos que lhe conto, como o título revela, são diversos contos ficcionais que tem como cenário a região amazônica e os personagens são nortistas. Fazendeiros, agricultores, o ribeirinho. Aproveito para destacar que o homem da Amazônia nunca destruiu e nem pensou em destruir as florestas, não por ser bonzinho, mas por falta de capitalização, pois não se derruba as árvores amazônicas com machadadas. O Sul e Sudeste e as ONG’S e blogueiros que brigam pela floresta e não pelo o homem que habita a floresta”.
Ele ressaltou a reportagem das dificuldades gráficas para publicação de livros, devido as gráficas amapaenses não serem voltadas exclusivamente para esse tipo de produção literária e inexiste concorrência entre as gráficas. “Depois de esperar por quase 25 anos fiz o lançamento do meu segundo livro de contos – ‘O Doutor das Calçadas’. Foram anos com ele escrito, tantas revisões impostas, até que surgiram as condições básicas para publicar a obra. ‘O Doutor das Calçadas’ foi escrito aos leitores, de todas as idades, de todas as classes sociais e de inserção em qualquer sociedade no Brasil”, explicou César Bernardo.
O preço da produção literária no Amapá é muito alto, o que não permite vender um livro. “Hoje em dia as pessoas não estão querendo ler muito. Tem livro no Celular, nos Tablets, e isso impossibilita ver um livro mais barato. Este livro está a venda por R$ 20,00, mas não devia, pois para financiar-se e ajudar na publicação de outros deveria sair por R$ 26. Mesmo nesse preço você vai chegar em uma banca de revista e encontrar uma obra de Paulo Coelho a R$ 29. Caramba, Paulo Coelho a R$ 29 e César Bernardo a R$ 26!”
As capas e prefácios de seus livros, César Bernardo sempre entregou a artistas e escritores amapaenses, como o escritor Paulo de Tarso Barros e as capas e contra capas de Ronaldo Picanço, e o rigor revisional de Epaminondas Pelaes dos Santos, respectivamente. “Além disso essa publicação dá sequência ao propósito que temos de aliar em livros a excelência das artes plásticas que se pratica no Amapá”, atesta o autor de ‘Contos que lhe Conto’.

César Bernardo promete para ainda este ano lançar mais duas obras: ‘Point para Macapá’ e ‘Águas assassinas’.

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