sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ARTIGO DO GATO



Fora de foco

A corrupção sistêmica é pauta central dos telejornais, radio jornais, jornais impressos e mídias sociais, mas a abordagem deste delito é superficial. Concentra-se na menor parte desse problema e, na menos danosa que é a corrupção sistêmica, pois essa tem reparação. A Lava Jato já prendeu um monte, está processando outros tantos e já repatriou mais de R$ 10 bilhões aos cofres públicos.
A praga maior dessa anomalia comportamental da sociedade está na corrupção intelectual. Essa sim tem um efeito globalizante e duradouro, pois trabalha exatamente na formação intelectual do indivíduo e transforma o intelecto das pessoas. Promove a corrupção endêmica, alimenta a corrupção sindrômica e consequentemente é o combustível para que essa corrupção que está sendo mostrada fartamente na mídia de toda ordem ganhando o status de protagonista. Entretanto não é causa, é consequência.
A corrupção intelectual está sendo diluída na educação, através do ensino, na informação enviesada construída pelos veículos de comunicação, pelos artistas que se pré-dispõe a emprestar seus rostos e fama para dar aso às campanhas de interesses inconfessáveis. Esses atores mostram de forma pedagógica o errado como certo e certo como errado de acordo com interesse das ideologias dominantes. Os conteúdos programáticos das disciplinas são conduzidos pelos professores de forma ideologizada e quem ouça discordar do prisma abordado são discriminados e colocados categoricamente de lado, e é tratado como um “alienígena”.
Essa corrupção intelectual fica evidenciada nos processos que deram origem ao capitalismo mundial. As escolas ensinam e ensinam com a certeza de que está construindo uma consciência crítica moldada aos interesses deles. Agem de forma deliberada, contam uma história que nos mostra sempre a superficialidade do conteúdo. A evolução brasileira de colônia a Reino Unidos, passando a Império, chegando à República com todas suas causas só nos uniformizou no desiderato dos interesses ocidentais. O grito de independência de D. Pedro I foi de fato um ato heroico? Abolição da escravidão foi de fato uma evolução humanitária da sociedade colonial brasileira? E a proclamação da República? Todos esses fatos estão diretamente atrelados com os acontecimentos da primeira Revolução Industrial, iniciada no primeiro quarto do Século XVIII que promoveu a evolução da manufatura para a industrialização usando novas tecnologias que permitiram uma nova estrutura com ferrovias, energia a vapor (com base no carvão mineral), ferro e indústria têxtil. Com o capitalismo arrobando a porta das relações sociais, cabia negociar com sociedades escravocratas? Queriam mercados os novos ricos e o Brasil e todas as demais Américas eram os mercados e somos, com exceção da do Norte.
Vejam como evolui a história mundial e se nós estamos inseridos.José Eustáquio Diniz Alves, doutor em Demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE em entrevista a Revista IHU – On Line (Insituto Humanistas) trouxe trechos de uma obra premiada  de Robert J. Gordon ““The Rise and Fall of American Growth: The U.S. Standard of Living since the Civil War (tradução) A ascensão e a queda do crescimento americano: o padrão de vida dos EUA desde a Guerra Civilmostra claramente que tivemos três revoluções industriais 1ª Revolução Industrial foi caracterizada pelos seguintes principais marcadores: ferrovias, energia a vapor (com base no carvão mineral), ferro e indústria têxtil, abarcando o período de 1770 a 1870; a 2ª RI foi marcada por massificação do acesso à eletricidade, petróleo e gás natural, aço, motor a combustão interna, petróleo, gás natural, automóveis, eletrodomésticos, produtos farmacêuticos, plásticos, água encanada, banheiros, saneamento básico, aquecimento dentro de casa, telefone fixo, avião, abarcando o período de 1870 a 1960; a 3ª RI foi marcada por telecomunicações, computadores, energia nuclear, internet, celulares, abarcando o período de 1960 até o início do século XXI. E alerta que a 4ª RI está a caminho com a Inteligência Artificial, que já existe e pode mudar completamente a relação das pessoas e enquanto a tecnologia está sendo preparada para determinar as novas relações sociais, estamos mentindo, usando a mentira como regra de conduta em todos os setores da vida pública.





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