Fora de foco
A corrupção sistêmica é pauta central
dos telejornais, radio jornais, jornais impressos e mídias sociais, mas a
abordagem deste delito é superficial. Concentra-se na menor parte desse
problema e, na menos danosa que é a corrupção sistêmica, pois essa tem
reparação. A Lava Jato já prendeu um monte, está processando outros tantos e já
repatriou mais de R$ 10 bilhões aos cofres públicos.
A praga maior dessa anomalia
comportamental da sociedade está na corrupção intelectual. Essa sim tem um
efeito globalizante e duradouro, pois trabalha exatamente na formação
intelectual do indivíduo e transforma o intelecto das pessoas. Promove a
corrupção endêmica, alimenta a corrupção sindrômica e consequentemente é o
combustível para que essa corrupção que está sendo mostrada fartamente na mídia
de toda ordem ganhando o status de protagonista. Entretanto não é causa, é
consequência.
A corrupção intelectual está sendo
diluída na educação, através do ensino, na informação enviesada construída
pelos veículos de comunicação, pelos artistas que se pré-dispõe a emprestar
seus rostos e fama para dar aso às campanhas de interesses inconfessáveis.
Esses atores mostram de forma pedagógica o errado como certo e certo como
errado de acordo com interesse das ideologias dominantes. Os conteúdos programáticos
das disciplinas são conduzidos pelos professores de forma ideologizada e quem
ouça discordar do prisma abordado são discriminados e colocados categoricamente
de lado, e é tratado como um “alienígena”.
Essa corrupção intelectual fica
evidenciada nos processos que deram origem ao capitalismo mundial. As escolas
ensinam e ensinam com a certeza de que está construindo uma consciência crítica
moldada aos interesses deles. Agem de forma deliberada, contam uma história que
nos mostra sempre a superficialidade do conteúdo. A evolução brasileira de
colônia a Reino Unidos, passando a Império, chegando à República com todas suas
causas só nos uniformizou no desiderato dos interesses ocidentais. O grito de
independência de D. Pedro I foi de fato um ato heroico? Abolição da escravidão
foi de fato uma evolução humanitária da sociedade colonial brasileira? E a
proclamação da República? Todos esses fatos estão diretamente atrelados com os
acontecimentos da primeira Revolução Industrial, iniciada no primeiro quarto do
Século XVIII que promoveu a evolução da manufatura para a industrialização
usando novas tecnologias que permitiram uma nova estrutura com ferrovias, energia
a vapor (com base no carvão mineral), ferro e indústria têxtil. Com o
capitalismo arrobando a porta das relações sociais, cabia negociar com
sociedades escravocratas? Queriam mercados os novos ricos e o Brasil e todas as
demais Américas eram os mercados e somos, com exceção da do Norte.
Vejam como evolui a história mundial
e se nós estamos inseridos.José Eustáquio Diniz Alves,
doutor em Demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População,
Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas
– ENCE/IBGE em entrevista a Revista IHU – On Line (Insituto Humanistas) trouxe
trechos de uma obra premiada de Robert J. Gordon ““The Rise
and Fall of American Growth: The U.S. Standard of Living since the Civil War (tradução) A
ascensão e a queda do crescimento americano: o padrão de vida dos EUA desde a
Guerra Civilmostra claramente que tivemos três revoluções
industriais a 1ª Revolução Industrial foi caracterizada pelos seguintes
principais marcadores: ferrovias, energia a vapor (com base no carvão mineral),
ferro e indústria têxtil, abarcando o período de 1770 a 1870; a 2ª RI foi
marcada por massificação do acesso à eletricidade, petróleo e gás natural, aço,
motor a combustão interna, petróleo, gás natural, automóveis, eletrodomésticos,
produtos farmacêuticos, plásticos, água encanada, banheiros, saneamento básico,
aquecimento dentro de casa, telefone fixo, avião, abarcando o período de 1870 a
1960; a 3ª RI foi marcada por telecomunicações, computadores, energia nuclear,
internet, celulares, abarcando o período de 1960 até o início do século XXI. E
alerta que a 4ª RI está a caminho com a Inteligência Artificial, que já existe
e pode mudar completamente a relação das pessoas e enquanto a tecnologia está
sendo preparada para determinar as novas relações sociais, estamos mentindo,
usando a mentira como regra de conduta em todos os setores da vida pública.

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