MP-AP, Tjap, GEA e município de
Oiapoque firmam acordo de cooperação em defesa de vítimas e testemunhas de
violência
O
Ministério Público do Amapá (MP-AP) firmou, nesta quarta-feira (6), um acordo
de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), município de
Oiapoque e Governo do Amapá (GEA) para implementar o programa “Depoimento
Especial”, no extremo norte do Estado, visando, por meio de ações conjuntas,
romper com o ciclo de revitimização de crianças e adolescentes vítimas e
testemunhas de violência. O acordo possui vigência por 60 (sessenta)
meses, a contar de sua assinatura.
O
documento foi assinado pelo procurador-geral de Justiça, Márcio Augusto Alves;
presidente do Tjap, desembargador Carlos Tork; defensor Público Geral do
Estado, Horácio Magalhães, delegada-geral de Polícia, Maria de Lourdes Sousa e
o delegado titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes
Praticados contra Crianças e Adolescentes (Dercca), Daniel Mascarenhas. Assinam
o termo, ainda, a prefeita do município de Oiapoque, Maria Orlanda Garcia e o
secretário de Segurança Pública, Euricláudio Alencar.
O
programa Depoimento Especial visa a proteção à criança e adolescente e não se
esgota apenas na denúncia, na apuração do fato e na garantia de assistência a
sua saúde física e psicoemocional. A forma como será assegurado o atendimento à
vítima infanto/juvenil dentro do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e
do Adolescente torna-se fundamental, isto é, o atendimento ofertado pelo
Conselho Tutelar, serviço de saúde, delegacia e o Sistema de Justiça deverá
aperfeiçoar-se significativamente, buscando minimizar o sofrimento das vítimas
por meio de uma escuta mais humanizado.
Atribuições
Com
o acordo, o Tjap fica responsável pelo acompanhamento da execução do Programa e
avaliação continuada da prática do depoimento especial e desempenho dos
entrevistadores; O MP-AP será responsável por, observado a necessidade da
produção de provas, peticionar ao juiz competente, nos casos demandados pela
Delegacia de Polícia ou por iniciativa própria, para a realização de Depoimento
Especial de Crianças e Adolescentes, além de participar da oitiva especial.
Por
sua vez, a Prefeitura de Oiapoque disponibilizará dois servidores (psicólogo e
assistente social) lotados na Secretaria Municipal de Assistência Social
(Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS ou Centro de Referência
de Assistência Social- CRAS), capacitados pelo Tjap, para atuarem como
entrevistadores no programa de Depoimento Especial, especificamente quando da
realização das oitivas especiais.
Já
a Defenap exercerá a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e
do adolescente, conforme o art. 4º, XI, da Lei Complementar nº 0086 de
15.06.2014; disponibilizando os defensores públicos lotados nos municípios de
Macapá, Santana, Oiapoque e Laranjal do Jari para que atuem nos processos
referentes à matéria da infância e Juventude. Deverá também participar da
oitiva do Depoimento Especial representando o réu e a vítima (defensores
distintos). Caso o réu tenha patrocínio privado, será garantida a presença de
advogado particular.
A
delegacias de Polícia terão a incumbência de, ao tomar conhecimento de fatos
que ensejam a indispensável tomada de depoimento da própria criança ou
adolescente vítima ou testemunha do ato de violência e desde que insuficiente a
escuta dos demais envolvidos e parentes próximos para a conclusão do inquérito,
peticionar ao juiz competente ou ao promotor de justiça a sua realização no
Núcleo de Depoimento Especial, sem prejuízo das atribuições do Ministério
Público, bem como participar da oitiva especial.
“A
defesa dos direitos das crianças e adolescentes é um desafio de toda a
sociedade. Quando falamos em vítima infanto-juvenil a temática torna-se ainda
mais sensível, exigindo das instituições que compõem o sistema de justiça e
segurança pública cooperação técnica e esforço no cumprimento de todas as
medidas necessárias para garantir o melhor atendimento possível, contribuindo,
inclusive, para prevenção de novos casos”, manifestou o PGJ do MP-AP, Márcio
Alves.
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