sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

SAÚDE EM FOCO

        DESGASTE  E CRISE ADIA 1ª CONFERENCIA NACIONAL DE SAÚDE .
        As Conferências e os Conselhos de Saúde são legítimos instrumentos de controle social, ou seja, instâncias democráticas de participação da população e da sociedade civil em emitir propostas e auxiliar na gestão compartilhada da área da saúde, prevista na CF/88 e na Lei complementar nº 8.124/90, esta última com regras para os Conselhos, as Conferências e o Financiamento dos níveis de gestão.
         O adiamento da 1ª Conferencia Nacional de Vigilância em Saúde para 2018, com a justificativa de que isso ocorreu devido entrave no processo de licitação, nos faz prever que por trás disso há uma série de questões que contrariam esse motivo alegado.
         Os recursos para preparação e execução das conferências são previstos em orçamento no ano anterior e destinados aos Fundos de Saúde. O próprio Conselho Nacional de Saúde com experiência de 15 conferências, cujo processo preparatório para as conferencias locais começam meses antes da nacional, deveria ter previsto um prazo razoável para a possiblidade de recursos judiciais à licitação.
         Uma das questões atuais que poderia ser a causa da suspensão e adiamento é o momento de desgaste politico do governo Temer, com menos de 10 % de aprovação popular, o que indica que lá estaria a maioria de adversários da atual gestão e do descontentamento com a condução  do MS, sob o comando de Ricardo Barros(PMDB). Esse seria um forte motivo para o boicote à sua realização, evitando mais desgaste para o governo.  
         Assim, a Conferência poderia se transformar em vez de um fórum das questões da saúde num verdadeiro palanque político entre facções. Entre esquerdistas que se perpetuaram no poder por 15 anos e os conservadores que estão agora tirando mais direitos adquiridos. Entre os que suportaram e legitimaram o desmonte do SUS e o subfinanciamento da área por esses anos e os que agora alteram a Constituição para reduzir garantias e recursos já consolidados.
          Após 29 anos do SUS, nenhum governo conseguiu manter ou implantar as grandes demandas em relação à saúde (veja quadro dos problemas do SUS). A municipalização e atenção básica não foram assumidas inteiramente pelos municípios e a câmara federal continua não acatando as indicações e propostas da sociedade, como a EC 92 (Saúde + 10), e descumprindo politicas públicas no setor. Ou seja, a saúde brasileira permanece desorganizada, desestruturada, com gestão centralizada e subfinanciada, agora agravada pela PEC 142, que congela os recursos para saúde.
          Há 2 anos tivemos a 15ª Conferência Nacional da Saúde, ocorrida de 1 a 4.12. 2015., onde se  discutiu o tema “ “Saúde pública de qualidade para cuidar bem das pessoas: direito do povo brasileiro”, cujas propostas e indicações já deveriam ter sido efetivadas, pois foi a repetição do tema da 8ª CONASA, ocorrida em 1986. Rediscutir-se o que deveria ter sido garantido por 30 anos é reconhecer que a gestão da saúde desde 1988 até hoje foi ineficiente,  antidemocrática e inconstitucional.
        Dois projetos, na gestão Dilma, como a tentativa de escuta popular pela mídia -- o “Dialoga Brasil”--, e o “Mais Médicos”, que visava levar assistência básica aos interiores, não tiveram o resultado pretendido, pois o governo petista continuou distante dos anseios do povo e a atenção básica permanece com cobertura incompleta, pois as UBS não foram reformadas e equipadas.  
          As questões de competência das Secretarias de Vigilância em Saúde SVS nas três esferas de poder, previstas na legislação, de fiscalizar e acompanhar a execução das politicas em relação à saúde coletiva, endemias e saneamento básico, ocorrem de maneira pontual e emergencial, pois o Brasil permanece com várias endemias de Malária, Dengue, Chikungunya e Zica, sem falar nas doenças negligenciáveis, erradicadas em outros países. JARBAS ATAÍDE, 27.11.2017.

   

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