DO ENVELHECIMENTO ATIVO PARA IDOSOS: CONTRIBUIÇÕES
DA PSICOLOGIA – Parte IV
2 DISCUSSÃO
Diante do exposto,
observa-se que, quase metade dos idosos possui renda de até dois salários
mínimos e são aposentados. Isto se aproxima dos dados apresentados pelo Censo
2010, no qual 43,2% dos idosos brasileiros possuem renda de até 1 salário
mínimo e os benefícios previdenciários contribuem diretamente para o sustento
dos mesmos. A média de filhos apresentados pelas análises aponta
para uma transição entre famílias extensas com grande número de filhos para
famílias menores com um ou dois filhos na atualidade (IBGE, 2010).
Nota-se que, todos
os entrevistados apresentam alguma doutrina religiosa. Segundo Nadaf (2013), a
espiritualidade tem sido objeto de estudo por diversas ciências, inclusive da
psicologia, constituindo um poderoso fator de suporte para enfrentar desafios,
frustações e fator de grande relevância para melhorar a qualidade de vida e,
consequentemente, para a satisfação com a vida.
Apesar dos
entrevistados afirmarem que o idoso seja percebido de maneira negativa pela
sociedade e sentir-se percebido assim, nota-se que, os significados atribuídos
para si não constituem nesta perspectiva. O conceito de idoso remete à
experiência de vida, mantendo-se ativo na sociedade e satisfeito consigo mesmo.
Ou seja, a pessoa idosa representa para a sociedade, ou pelo menos deveria representar
um alicerce de saberes, valores e crenças, de modo a estabelecer-se com independência
e autonomia. Estes dados contradiz os achados de Brunnet e seus colaboradores
(2013), no qual o processo de envelhecimento foi
considerado a partir das falas em que as entrevistadas se colocavam como
impossibilitadas de exercer alguma atividade mediante o envelhecimento do corpo
e/ou da mente.
De acordo com Caradec (2016) os indivíduos
contemporâneos que chegam à idade avançada estão impregnados do valor de
autonomia. Por esse motivo, enquanto for possível, as pessoas que envelhecem
preferem manter-se distantes de conceitos estigmatizados e desvalorizados. À
esse respeito Motta (2013) esclarece que, o processo de envelhecimento é um
fenômeno biossocial que não existe singularmente e nem de modo tão evidente
quanto se costuma enunciar. Ou seja, não existe a velhice, existem formas de se
experimentar a idade avançada. Diante desta perspectiva, não existe a pessoa
velha, existem idosos em pluralidade de imagens socialmente construídas e
referidas a um determinado tempo do ciclo de vida.
A prática de atividade física está presente
na rotina dos entrevistados, auxiliando para manutenção da saúde dos mesmos.
Este achado corrobora com os de Valer e seus colaboradores (2015) em que,
práticas corporais estão associadas ao envelhecimento
saudável, como uma forma de tratamento e de oportunidade de convívio social.
A
Organização Mundial da Saúde (2012) ressalta que, a participação em atividades
físicas pode retardar os declínios funcionais. Deste modo, uma vida ativa
melhora a saúde mental e contribui na gerência de desordens como a depressão e
a demência. Há evidências de que idosos fisicamente ativos apresentam menor
prevalência de doenças mentais do que os não-ativos. À esse respeito, dados da
Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 revelam que, somente 13,6% dos idosos
praticam o nível recomendado de atividade física (IBGE, 2015). Portanto, a
prática da atividade física consiste numa ferramenta de oportunidades de
relacionamento e integração social, culminando para a promoção da saúde.
Observou-se
uma diferença significativa na classificação favorável para uma melhor de qualidade
de vida dos entrevistados, sendo a educação um fator contribuinte para o mesmo.
Segundo Monteiro e Monteiro (2013), durante o processo de envelhecimento, o
termo qualidade de vida é um elemento determinado por múltiplos fatores, tais
como objetivos (condições de vida, relações sociais, grau de escolaridade) e
subjetivos (bem-estar psicológico, experiências pessoais).
Neste
sentido, é possível afirmar que, através das atividades educacionais, os
entrevistados podem estar sendo estimulados a diversas circunstâncias, como as
apresentadas no conceito anterior das autoras, e que tem relação direta para suas
perspectivas voltadas à qualidade de vida. Para Fernandes (2016), a aprendizagem ao longo da vida e, em
especial durante o processo de envelhecimento, também e de extrema importância
neste contexto, com um especial enfoque nas competências digitais e nas
políticas ativas de inclusão, a fim de fornecer oportunidades nas diferentes
etapas da vida dos indivíduos, protegendo o risco de exclusão social.
Vicente e Santos (2013) afirmam que, os
fatores psicológicos, que envolvem inteligência e capacidade cognitiva, são
também indicadores de envelhecimento ativo e longevidade. É importante a
adaptação às mudanças advindas da velhice, fazendo-se ajustes e mantendo a
capacidade de resolução dos problemas. É comum o declínio de algumas
capacidades cognitivas ao envelhecer, o que pode ser compensado se o idoso se
mantiver participativo na comunidade em que vive, criando laços e redes de apoio
e suporte social. Assim, se compreende que os determinantes pessoais envolvem,
além dos aspectos biológicos, também as competências individuais de interação
interpessoal e social, tão importantes para um envelhecimento ativo, saudável e
com qualidade de vida.
Á esse respeito, Wichmann e seus colaboradores
(2013) ressaltam que, no Brasil, tem crescido o número de universidades e
grupos de convivência da terceira idade, de modo a promover a redefinição de
valores, atitudes e comportamentos. Assim como, a melhoria física e mental
influenciando diretamente para a manutenção da capacidade funcional do
indivíduo.
A preocupação em
otimizar a saúde é a meta a ser seguida pela maioria dos entrevistados.
Independente das experiências já vividas, traçar objetivos voltados ao lazer e
trabalho foram pertinentes. Estes dados corroboram com as reflexões de Souza e
Miranda-Rodrigues (2015), em que o idoso apresenta
expectativas elevadas quanto ao próprio futuro, bem como o estabelecimento
claro de objetivos a atingir. Nos estudos realizados por Valer e seus
colaboradores (2015) mostrou que, os participantes investigados atribuem
significados ampliados ao tema, não restritos à ausência de doenças e
incapacidades, abrangendo questões relevantes para a atenção à saúde do idoso.
Observou-se um nível elevado de satisfação
com a vida independente dos gêneros da amostra, corroborando com os achados
apresentados por Tinoco, Tinoco e Carvalho (2015). Já no estudo realizado por
Nadaf (2013), os resultados apontam que quem possui maior renda (até 6 ou mais
de 7 salários mínimos) tem uma maior avaliação positiva da satisfação com a
vida, o mesmo ocorreu com os idosos que realizavam atividades físicas. Apesar
de, este estudo não ter o objetivo de avaliar a relação da renda familiar com o
nível de satisfação com vida, nota-se que a baixa renda dos entrevistados não
influenciou negativamente para sua satisfação com a vida.
Hutz e seus colaboradores (2014) esclarecem
que, a satisfação com a vida pode ser entendida como o nível de entusiasmo e
prazer (ou o descontentamento e sofrimento) que uma pessoa percebe na sua vida,
a partir do seu julgamento do que vem ser satisfatório ou insatisfatório. A
Escala de Afetos Positivos e Negativos condiz com a escala de Satisfação com a
Vida, haja vista que os resultados apontam no sentido de um bem-estar subjetivo
positivo, já que se verificou a predominância de aspectos positivos tais como,
“muito atencioso” apresentou maior média, “muito decidido” e “muito atento”
apresentou a menor média sobre os negativos como “muito” “aflito” ponto mais
evidenciado na escala e “muitíssimo” “agitado” menos observado. Tais dados
assemelham-se com os achados de Nunes (2009).
No entanto, quando realizadas correlações
com a variável Renda, observa-se influência significativa para o
bem-estar subjetivo da amostra. Estes dados estão de acordo com os achados de
Read e seus colaboradores (2016), onde a renda é fortemente associada com o
bem-estar subjetivo dos indivíduos. O que contradiz os registros de Nunes
(2009), tendo em vista que nenhuma das variáveis sócio demográfica mostrou ter
influência sobre o bem-estar de idosos.
Os afetos positivos encontrados neste estudo podem ter
relação direta sobre a maneira com que os investigados enfrentam as
dificuldades e, consequentemente, as mudanças decorrentes do processo do
envelhecimento. Ou seja, estes afetos realçam os planos e objetivos ainda
traçados por eles, além da autoestima em não sentirem-se desprovidos de
autonomia diante a sociedade. Com isso, a contribuição da psicologia é
indispensável na construção, manutenção na crescente expectativa de vida.
DO ENVELHECIMENTO ATIVO PARA
IDOSOS: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA – Parte V
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O objetivo
primário deste estudo consistiu em investigar os significados atribuídos pelos
idosos ao envelhecimento ativo. A partir dos resultados apresentados, foi
possível observar que, os entrevistados afirmam que a pessoa idosa seja percebida
de maneira negativa na sociedade e, apesar de não sentirem-se assim, apresentam
níveis de bem-estar subjetivo positivo.
Por conseguinte,
através dos objetivos secundários, ressaltou-se que, o
processo de envelhecimento e a qualidade de vida dos indivíduos apresentam
relação com as atividades educacionais; compreender que a educação oportunizada
a eles auxilia no processo de envelhecimento; além de identificar as
contribuições da psicologia para o processo de envelhecimento através das
análises dos significados e sentimentos atribuídos pelos indivíduos.
A hipótese de que a
educação oportunizada ao respectivo público atribui novos significados
tornando-os mais ativos e participativos na sociedade, foram confirmados. Assim
como, através dos resultados da escala de afetos positivos e negativos vem
confirmar a importância da psicologia para uma melhor compreensão destes
determinantes. Nota-se a necessidade de uma reflexão acerca
do processo do envelhecimento e, consequentemente, sobre a visão que se tem da
pessoa idosa, muitas vezes, rotulada por sinônimos de impotência. Logo,
programar políticas públicas mais eficazes voltadas à valorização do idoso,
estimulando o combate ao preconceito e permitindo sua inserção na sociedade.
Diante deste cenário, programas
educacionais consistem em ferramentas de empoderamento e à capacidade destes
serem percebidos como cidadãos e, de fato, amparados pelo Estatuto do Idoso que,
geralmente, é desrespeitado. Portanto, o presente estudo
ofereceu a possibilidade de investigar mais acerca das concepções dos idosos
sobre o processo de envelhecimento. Além disso, sugere-se que novos estudos
sejam realizados, haja vista que os determinantes que influenciam para este
processo são subjetivos e, consequentemente, singulares a cada indivíduo. Espera-se
que essa pesquisa, contribua para todos acadêmicos, profissionais de saúde bem
como, toda a sociedade tenha um maior envolvimento voltado aos significados de
envelhecimento onde possam proporcionar uma maior condição de satisfatoriedade
diária, vindo assim proporcionar uma melhor condição de vida para o idoso.
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