“Aos meus amigos de
Macapá, que até hoje continuam a me ajudar de uma forma ou de outra, termino
com o coração partido por não poder voltar pois minhas condições físicas, não
permitem, pois ando apoiada em uma bengala. E gostaria de ter mais alguns
livros publicados, mas não consegui. E com alegria e saudades que agradeço a
meus amigos que sempre me ajudaram. Que Deus os abençoe e proteja”.
Maria
da Gloria Motta Araújo – poetisa, escritora e pianista.
Reinaldo
Coelho
Gloria
Araújo confidencia que na juventude frequentou o Conservatório Carlos Gomes, em
Belém do Pará, onde estudou Piano. “Também
sou acordeonista, trocamos de ensino eu e uma amiga Dorila. Ensinei piano a ela
e em troca ela me ensinou acordeom”.
Esta semana a editoria do Pioneirismo homenageia
uma personagem feminina que esteve aqui no Amapá por um certo período de sua
vida, dedicou-se ao lar e aos filhos, mantendo o estilo de vida ditado pela
sociedade patriarcal a todos as mulheres nascidas nas primeiras décadas do
século XX, com o ranço patriarcal do Século XIX.
A figura feminina naquela época era
considerada como algo frágil, que deveria, portanto, ser protegida pelo pai,
marido ou irmão mais velho. De modo que o casamento era um ritual que passaria
a mão da filha para os cuidados, agora, do marido. E este mantinha os mesmos
costumes, procriar, cuidar da casa e dos filhos. Muitas não tinham acesso à
escola e nem a emprego, mesmo quando alfabetizadas e amantes da leitura e
grande tendência literária, não recebiam o apoio, ao contrário eram instigadas
a se recolherem a cozinha.
Temos em Maria da Gloria Motta Araújo
uma belenense que demorou, mas conseguiu quebrar esse elo de uma corrente que
ainda continua a maltratar milhares de mulheres pelo mundo afora. Mesmo com os
movimentos feministas e de empoderamento da mulher, ainda temos essa nódoa na
sociedade humana.
Gloria foi filha de um cearense,
Augusto Dias Motta, e de uma ribeirinha, Eugenia Alves Motta, das ilhas
marajoaras, Afuá, a Veneza Brasileira. Nascida em 07 de dezembro de 1939, portanto
com 79 anos recém completados. “Meus pais estão falecidos. Papai nasceu no
Ceará, era sócio da Padaria Onça, em Belém (PA), onde viveu e casou. Mamãe era
filha de Afuá dona de casa”.
Como toda jovem paraense teve uma
infância e juventude na grande metrópole da Amazônia, a Cidade das Mangueiras,
onde conheceu seu esposo, o Chefe Osélio a quem apoiou e incentivou na arte
marcial do Judô, possibilitando a montagem de uma grande academia de sucesso no
Bairro do Trem, onde residiam.
![]() |
| Com os bisnetos |
Desta união nasceu sete filhos. Hoje,
Gloria Araújo é divorciada e reside em Fortaleza (CE). “Fui casada hoje sou
divorciada tive 7 filhos. A minha primeira filha faleceu antes de completar um
ano Maria Yasodhara. Nasceram Osélio Hiawattwa, Onélio Augusto, Océlio Adonai
que moram em Macapá. Obélio Howard reside na Alemanha e Oseliana e Oleriana que
residem em Fortaleza (CE)”.
Sua vida em Macapá foi intensa,
dedicada a família e ao lar. Para Glória Araújo foram muitos anos e muito
amigos. “Em Macapá vivi muitos anos e tive muitos amigos. Ao me divorciar vim
para o Ceará pois meus pais ainda aqui residiam”.
A Literatura na sua vida
No Amapá, após muitos anos, Maria da
Glória Motta, tornou Glória Araújo. Pois tinha latente em sua alma as linhas da
poesia, que precisava passa-las para o papel. “Sou poetisa do Movimento Poético
‘Poesia na Boca da Noite’ em Macapá, narra com orgulho a nossa poetisa, que
nasceu e viveu cercada pelos rios amazônicos.
Glória Araújo, escritora e poeta, é
uma amazônida, nascida no coração da Amazônia, em Belém no Estado do Pará,
reside no Estado do Ceará. Nos últimos anos a escritora tem se dedicado
exclusivamente à literatura, com várias obras literárias ainda não publicadas,
participa, como colaboradora, de vários movimentos culturais de incentivo à
leitura.
Ela conta que escrevia poemas desde
criança mas nunca teve apoio. “Somente em 2011 foi que Alcinéa, Rostan e Oswaldo
leram alguns poemas e me oportunizaram, apesar da minha idade, de ter sentido o
amor de uma plateia, pois quando estudava no Colégio Suíço brasileiro ganhei o concurso
da melhor poesia com o poema “O Sacy Tricolor”. Tenho dois livros editado ‘Pelo
Olhar da Gloria’ e a coletânea “Poesia na Boca da Noite que participei com vários
poetas em 2012”.
| Os amigos que acreditaram em mim Alcinéia Cavalcante e Rostan Martins: |
Alcinéa Cavalcante, Oswaldo Simões, Rostan Martins, Aline Monteiro, Andreza Costa, Astrid Cavalcante, Cesar Bernardo, Cléo Farias de Araújo, Deusa Ilario, Jhenni Quaresma, Pedro Henrique, Pedro Stkls, Raolê Assunção, Thiago Soeiro, Rui Do Carmo, e os poetas mirins, Aiury, Alice, Aquila Assunção, Asaf Assunção, João Vitor e Paulo Rostan.
![]() |
| Glória Araújo |
“Esses participaram do livro, mas além
deles haviam muitos poetas que não participaram, tenho amor a todos que me
ajudaram de uma forma ou de outra. Meus amigos de Macapá até hoje continuam a
me ajudar de uma forma ou de outra. Termino com o coração partido por não poder
voltar pois minhas condições físicas, não permitem, pois ando apoiada em uma
bengala. E gostaria de ter mais alguns livros publicados, mas não consegui. E
com alegria e saudades que agradeço a meus amigos que sempre me ajudaram que Deus
os abençoe e proteja”.
A coletânea, de 144 páginas, reúne poemas
de 23 poetas amapaenses com idade entre 7 anos e 72 anos e traz textos contando
a história do Movimento que começou em janeiro do ano passado com apenas quatro
poetas (Rostan Martins, Alcinéa Cavalcante, Osvaldo Simões e Glória Araújo) na
calçada da casa de Alcinéa Cavalcante e tomou as ruas, escolas, hospitais,
praças e tantos logradouros públicos, chegando a reunir em várias ocasiões até
mais de uma centena de poetas e amantes da poesia, como nas escolas Azevedo
Costa e Santina Rioli.
Em agosto de 2012 a coletânea foi
lançada na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, e chamou atenção de
professores, escritores, poetas e amantes da poesia de diversos Estados do país
elevando o nome do Amapá no cenário cultural brasileiro.







Nenhum comentário:
Postar um comentário