sábado, 27 de janeiro de 2018

Pioneirismo




“Aos meus amigos de Macapá, que até hoje continuam a me ajudar de uma forma ou de outra, termino com o coração partido por não poder voltar pois minhas condições físicas, não permitem, pois ando apoiada em uma bengala. E gostaria de ter mais alguns livros publicados, mas não consegui. E com alegria e saudades que agradeço a meus amigos que sempre me ajudaram. Que Deus os abençoe e proteja”.  


Maria da Gloria Motta Araújo – poetisa, escritora e pianista.

Reinaldo Coelho

Gloria Araújo confidencia que na juventude frequentou o Conservatório Carlos Gomes, em Belém do Pará, onde estudou Piano. “Também sou acordeonista, trocamos de ensino eu e uma amiga Dorila. Ensinei piano a ela e em troca ela me ensinou acordeom”.

Esta semana a editoria do Pioneirismo homenageia uma personagem feminina que esteve aqui no Amapá por um certo período de sua vida, dedicou-se ao lar e aos filhos, mantendo o estilo de vida ditado pela sociedade patriarcal a todos as mulheres nascidas nas primeiras décadas do século XX, com o ranço patriarcal do Século XIX.
A figura feminina naquela época era considerada como algo frágil, que deveria, portanto, ser protegida pelo pai, marido ou irmão mais velho. De modo que o casamento era um ritual que passaria a mão da filha para os cuidados, agora, do marido. E este mantinha os mesmos costumes, procriar, cuidar da casa e dos filhos. Muitas não tinham acesso à escola e nem a emprego, mesmo quando alfabetizadas e amantes da leitura e grande tendência literária, não recebiam o apoio, ao contrário eram instigadas a se recolherem a cozinha.
Temos em Maria da Gloria Motta Araújo uma belenense que demorou, mas conseguiu quebrar esse elo de uma corrente que ainda continua a maltratar milhares de mulheres pelo mundo afora. Mesmo com os movimentos feministas e de empoderamento da mulher, ainda temos essa nódoa na sociedade humana.

Gloria foi filha de um cearense, Augusto Dias Motta, e de uma ribeirinha, Eugenia Alves Motta, das ilhas marajoaras, Afuá, a Veneza Brasileira. Nascida em 07 de dezembro de 1939, portanto com 79 anos recém completados. “Meus pais estão falecidos. Papai nasceu no Ceará, era sócio da Padaria Onça, em Belém (PA), onde viveu e casou. Mamãe era filha de Afuá dona de casa”.
Como toda jovem paraense teve uma infância e juventude na grande metrópole da Amazônia, a Cidade das Mangueiras, onde conheceu seu esposo, o Chefe Osélio a quem apoiou e incentivou na arte marcial do Judô, possibilitando a montagem de uma grande academia de sucesso no Bairro do Trem, onde residiam.
Com os bisnetos

Desta união nasceu sete filhos. Hoje, Gloria Araújo é divorciada e reside em Fortaleza (CE). “Fui casada hoje sou divorciada tive 7 filhos. A minha primeira filha faleceu antes de completar um ano Maria Yasodhara. Nasceram Osélio Hiawattwa, Onélio Augusto, Océlio Adonai que moram em Macapá. Obélio Howard reside na Alemanha e Oseliana e Oleriana que residem em Fortaleza (CE)”.

Sua vida em Macapá foi intensa, dedicada a família e ao lar. Para Glória Araújo foram muitos anos e muito amigos. “Em Macapá vivi muitos anos e tive muitos amigos. Ao me divorciar vim para o Ceará pois meus pais ainda aqui residiam”.


A Literatura na sua vida

No Amapá, após muitos anos, Maria da Glória Motta, tornou Glória Araújo. Pois tinha latente em sua alma as linhas da poesia, que precisava passa-las para o papel. “Sou poetisa do Movimento Poético ‘Poesia na Boca da Noite’ em Macapá, narra com orgulho a nossa poetisa, que nasceu e viveu cercada pelos rios amazônicos.
Glória Araújo, escritora e poeta, é uma amazônida, nascida no coração da Amazônia, em Belém no Estado do Pará, reside no Estado do Ceará. Nos últimos anos a escritora tem se dedicado exclusivamente à literatura, com várias obras literárias ainda não publicadas, participa, como colaboradora, de vários movimentos culturais de incentivo à leitura.

Ela conta que escrevia poemas desde criança mas nunca teve apoio. “Somente em 2011 foi que Alcinéa, Rostan e Oswaldo leram alguns poemas e me oportunizaram, apesar da minha idade, de ter sentido o amor de uma plateia, pois quando estudava no Colégio Suíço brasileiro ganhei o concurso da melhor poesia com o poema “O Sacy Tricolor”. Tenho dois livros editado ‘Pelo Olhar da Gloria’ e a coletânea “Poesia na Boca da Noite que participei com vários poetas em 2012”.

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Os amigos que acreditaram em mim Alcinéia Cavalcante e Rostan Martins:

Alcinéa Cavalcante, Oswaldo Simões, Rostan Martins, Aline Monteiro, Andreza Costa, Astrid Cavalcante, Cesar Bernardo, Cléo Farias de Araújo, Deusa Ilario, Jhenni Quaresma, Pedro Henrique, Pedro Stkls, Raolê Assunção, Thiago Soeiro, Rui Do Carmo, e os poetas mirins, Aiury, Alice, Aquila Assunção, Asaf Assunção, João Vitor e Paulo Rostan.
Glória Araújo
“Esses participaram do livro, mas além deles haviam muitos poetas que não participaram, tenho amor a todos que me ajudaram de uma forma ou de outra. Meus amigos de Macapá até hoje continuam a me ajudar de uma forma ou de outra. Termino com o coração partido por não poder voltar pois minhas condições físicas, não permitem, pois ando apoiada em uma bengala. E gostaria de ter mais alguns livros publicados, mas não consegui. E com alegria e saudades que agradeço a meus amigos que sempre me ajudaram que Deus os abençoe e proteja”.  
A coletânea, de 144 páginas, reúne poemas de 23 poetas amapaenses com idade entre 7 anos e 72 anos e traz textos contando a história do Movimento que começou em janeiro do ano passado com apenas quatro poetas (Rostan Martins, Alcinéa Cavalcante, Osvaldo Simões e Glória Araújo) na calçada da casa de Alcinéa Cavalcante e tomou as ruas, escolas, hospitais, praças e tantos logradouros públicos, chegando a reunir em várias ocasiões até mais de uma centena de poetas e amantes da poesia, como nas escolas Azevedo Costa e Santina Rioli.


Em agosto de 2012 a coletânea foi lançada na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, e chamou atenção de professores, escritores, poetas e amantes da poesia de diversos Estados do país elevando o nome do Amapá no cenário cultural brasileiro.

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