O Idoso e a paciência – FINAL
Por: Celia Lima
CUIDADOS COM IDOSOS
Existe ainda a realidade de muitos filhos que moram
com os pais e cuidam de um ou ambos diariamente. Ainda que não morem na mesma
casa, assumir sozinho a responsabilidade de cuidar de pais idosos pode ser
muito desgastante e exaustivo até, principalmente para quem é filho único ou
tem irmãos que moram longe.
Quem cuida não deve abdicar de sua vida pessoal. É
preciso pedir ajuda, distribuir tarefas, compartilhar responsabilidades. Quando
for possível, contratar um profissional para acompanhar o pai idoso pode ser
uma solução. Mas quando essa possibilidade não é viável, conte com a ajuda de
familiares e vizinhos, não apenas para os cuidados práticos, mas especialmente
para cuidados afetivos: bater papo, assistir um programa de TV juntos, fofocar
um pouco, ouvir as queixas, ser solidário.
Muitos familiares acreditam que
basta colaborar com alguma quantia em dinheiro para pagar um cuidador, e terão
feito sua parte. Isso é um engano, já que a presença de pessoas queridas é um
excelente remédio contra a solidão na velhice, nem que seja através de
telefonemas diários. Quando um idoso se sente querido, ele certamente é menos
teimoso, menos ranzinza e será mais cordial e compreensivo.
"Quando um idoso se sente querido,
ele certamente é menos teimoso, menos ranzinza e será mais cordial e
compreensivo."
É fundamental ter em mente, especialmente se o
idoso for lúcido e puder decidir sobre sua vida, que a opinião dele a respeito
de suas necessidades deve ser respeitada. Alguns preferem viver sozinhos, então
é preciso dar condições para que isso ocorra, falando abertamente sobre
determinados itens que não podem faltar no que diz respeito à segurança:
ausência de tapetes na casa, barras no banheiro, deixar comidas prontas para
evitar ao máximo o uso do fogão. Antes de considerar essa possibilidade como
definitiva, é bom verificar junto à família quem pode acolher esse idoso e
deixar que ele escolha em qual casa deseja morar. Passar o fim da vida de casa
em casa por curtos períodos de tempo pode não ser uma boa opção para ele, que
poderá se sentir um estorvo, dificilmente ficará à vontade e permanecerá sem
referência de lar, a menos que ele mesmo manifeste o desejo de viver assim.
Todos vamos envelhecer e precisar de cuidados.
Quanto mais saudável for a relação entre pais e filhos ao longo da vida, quanto
mais intimidade, cumplicidade, respeito e afeto houver, mais facilmente essa
transição se dará e o relacionamento será mais amigável.
As grandes brigas e estresses acontecem
normalmente, porque quem cuida quer fazer valer sua opinião, seu jeito de
arranjar as coisas, esquecendo que o idoso não é um incapaz a menos que tenha
sido acometido por alguma doença que lhe tire o discernimento. Fundamentalmente
ele quer ser considerado, se sentir incluído, não ser ridicularizado pelas
limitações que a idade impõe. O idoso quer carinho, atenção, respeito e
consideração. Isso é fundamental. Quando ele se sente suprido desse alimento
emocional, tudo se torna mais fácil no trato. Mas quando não está
emocionalmente nutrido, o lado difícil aparece com mais contundência e ele pode
se tornar um ranzinza irrequieto ou entrar num estado depressivo.
Claro que existem situações mais ou menos delicadas
ou difíceis, e certamente a tranquilidade dos relacionamentos depende da boa
vontade de todos. O que se deve ter em mente é o dia de hoje. E quanto mais
cada um puder dar o melhor de si procurando cultivar a paciência, o bom humor e
a atenção às necessidades emocionais de nossos velhos, esse momento da vida não
precisará parecer um fardo para quem cuida, nem um constrangimento para quem é
cuidado.

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