MACAPÁ: 260 ANOS
De uma vila importante para Portugal a uma Capital de um
Estado promissor.
Reinaldo Coelho
Em 2018 comemora-se 260 anos da fundação da
Vila de São José de Macapá, fato ocorrido em 4 de fevereiro de 1758, sob o
reinado de D. José I, Rei de Portugal naquele período, e sob o governo do
Estado do Maranhão e Grão-Pará, por Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que
em 24 de setembro de 1751, ficou incumbido de implementar o povoamento da região
Amazônica e já em dezembro organizava uma expedição a Macapá, sob o comando do sargento-mor
João Batista do Livramento, constituída de soldados, e, principalmente, de colonos
da Ilha dos Açores.
Instalado e com a chegada dos novos moradores
os açorianos, o povoado rapidamente progredia, mas a insalubridade do local
tornava-se um grave problema a ser enfrentado pelos colonos. Em 1752 uma
epidemia de cólera grassou em Macapá. A notícia chegou a Belém, e em 7 de março
desse mesmo ano, inesperadamente, Mendonça Furtado aportou na povoação,
trazendo o único remédio que havia na Capitania e medicamentos, conseguindo
controlar a moléstia.
PERÍODO COLONIAL
A cidade de Macapá surge no contexto das
Políticas Pombalinas para a Amazônia, destacadamente com o objetivo de
assegurar o povoamento e a defesa militar da região em favor do domínio
português.
A Vila São José de Macapá, hoje cidade de
Macapá, capital do Estado do Amapá, sempre uma cidade ambicionada por muitos,
mas com único interesse de subtrair do seu seio suas riquezas. Localizada
geograficamente na região norte do Brasil, ficou conhecida e foi nomeada
“Capitania do Cabo do Norte”, ou “O Macapá” pela posição geofísica que ocupou,
e por estar situada no delta do rio Amazonas, nos séculos da colonização e do
Império.
Antes de se chamar Macapá o local tinha o
nome o de Adelantado de Nueva Andaluzia, uma concessão dada a 1544 ao navegador
Francisco de Orellana pelo rei espanhol Carlos V. “Guiana Brasileira” para
diferenciá-la da Guiana Francesa e “Província ou Território dos Tucujus”, por
essas terras terem sido área de ocupação dos “índios” tucujus. Politicamente
ficou conhecida como “território do contestado” em razão de sua disputa
franco-lusitana e, posteriormente, franco-brasileira.
No decorrer de uma solenidade, no dia 4 de
fevereiro, Mendonça Furtado mudou a categoria administrativa do povoado de
Macapá, elevando-o à condição de vila com a denominação de Vila de São José de
Macapá.
Nesta data, na Praça São Sebastião (atual
praça Veiga Cabral), foi erguido o Pelourinho, diante do Capitão General do
Estado do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, fato que sacramentou
a fundação da Vila de São José de Macapá.
Entre os primeiros figuraram a sede do Senado
da Câmara, a Cadeia Pública, a Escola São José, a Casa Paroquial e o templo
religioso cujo patrono é o santo carpinteiro. Os imóveis em questão ocuparam
terrenos à Rua São José, a única via pública de Macapá, que manteve sua
designação original. Casas de comércio, oficinas e portas de prestadores de
serviços contornaram o referido largo. Os principais acontecimentos ocorriam no
centro da vila e depois cidade de Macapá.
O Largo de São Sebastião foi o ponto vital da
Vila de Macapá, que tinha no Senado da Câmara o órgão encarregado da gestão
administrativa, da Justiça e de Polícia. O pelourinho, símbolo das franquias
municipais, ficava próximo ao próprio Senado da Câmara. Em frente ao pelourinho
eram lidas as proclamações e alvarás da edilidade macapaense e as oriundas do
Grão-Pará e de Lisboa. As correções disciplinares principalmente as que se
destinavam aos escravos também ali aconteciam. O Largo da Matriz não era
dividido por caminho ou passarela. Por ocasião das festas de devoção,
notadamente as consagradas a São José. (Fonte:
Nilson Montoril)
Mais tarde Macapá se firmou como uma
fortificação das fronteiras do Brasil colonial, assim que foi criado por ali um
destacamento militar, em 1738. Mais de um século depois, a região do Amapá foi
contestada pela França, dando início a uma disputa diplomática que só se
encerrou em 1o. de dezembro de 1900.
Macapá também nasceu do embate pelo poder
temporal entre a igreja católica (Jesuítas) e o Marques de Pombal que estabeleceu
por resolução regia de que deveria ser ocupadas por militares as missões
missionárias e MACAPÁ tinha uma dessas missões. “...Do gabinete do ministro
Pombal, desse lugar que se dava como definido, de poder da metrópole, se
decidia pela criação da vila de Macapá, que seria instituída na região do Cabo
do Norte, especificamente na localidade de uma aldeia missionária denominada de
Macapá...”
Macapá recebeu desde seu início novos
habitantes de origens diversas. A Vila de Macapá tornou-se região de gente
nativa e de fugitivos africanos constantemente assediados pela França.
Nesse espaço de religiosos, de indígenas e de
europeus, chegaram os Açorianos, que devido a superpopulação da Ilhas de
Madeira e Açores, trazendo problema do controle da densidade populacional do
arquipélago açoriano. A medida que solucionava o crescimento da densidade
humana nos açores, resolvia a falta de presença humana na Amazônia.
E dos 700 enviados para o Grão Pará, 50
vieram para Macapá, que no discurso de Mendonça Furtado estavam bem instalados
e um lugar salubre, mas a realidade dizia o contrário: os colonos transladados
das Ilhas dos Açores, colônias de Portugal, fixou-se em condições extremamente
precárias, sem as mínimas condições, sem nenhuma infraestrutura para
acolhê-los.
Seus sítios foram entregue no entorno do
forte Santo Antônio e passaram a cultivar, mandioca, milho, melancia,
procurando melhorar as condições de pobreza em que se encontravam, mas o pior
veio com epidemia o que assustou a população e trouxe Mendonça Furtado de volta
a Macapá e como providencia, “...mandar fazer uma vala de despejo ao lago junto
à vila da parte do Norte que é um manancial de moléstias porque secando no
verão infecciona os ares o seu podre lodaçal de que originam malignas e sezões”
– (BAENA, 1969, p 160). Aqui, o construir de uma vala foi um solução paliativa
encontrada há 250 anos por um governante e que orienta até hoje nossos gestores
municipais. Verifica-se que o Saneamento
Básico, foi, é e sempre será o problema de saúde pública dos Macapaenses.
O que Mendonça Furtado queria era manter o
projeto de seu irmão Marques de Pombal, de habitar as vilas amazônicas de
qualquer maneira.
PERÍODO REPUBLICANO
Quando Getúlio Vargas assumiu o poder ele
decidiu criar o Território do Amapá, e a cidade de Macapá foi nomeada a
capital. Foi no primeiro governo territorial de Janary Nunes que a cidade
começou a ser planejada, com ajuda da mão-de-obra de pessoas vindas de outros
estados, principalmente de Belém do Pará.
Em 1943, quando foi criado o Território
Federal do Amapá, a decadência de Macapá era preocupante. A contar de janeiro
de 1944, mudanças expressivas começaram a mudar o panorama desolador do burgo.
Velhos casarões passaram por reformas bem interessantes. As chamadas casas de
taipa, feitas de barro foram reparadas com o mesmo material e apresentaram
ótimo aspecto. Elas serviram para abrigar órgãos da administração territorial.
No antigo casarão do Senado da Câmara foi
instalada a Unidade Mista de Saúde e esse uso se estendeu até a Inauguração do
Hospital Geral de Macapá. Posteriormente serviu pra o funcionamento do Palácio
do Governo. Em 1970, o prédio estava seriamente avariado e sem condições de ser
reformado ou adaptado. Na área despontou a Biblioteca Pública de Macapá, cujo
aspecto era mais modesto do que vemos atualmente. Na Travessa Floriano Peixoto,
onde o Padre Júlio Maria de Lombarde fez funcionar o Colégio das Irmãs do
Sagrado Coração de Maria passou a funcionar a Divisão de Segurança e Guarda. Mais
adiante, na esquina da travessa em epigrafe, com a Rua Barão do Rio Branco (Cândido
Mendes), o Fórum foi revitalizado. Entre a Travessa Siqueira Campos (Av. Mário
Cruz e o Beco do Sambariri (Passagem Abraham Peres), o governo montou o Serviço
de Geografia e Estatística.
Os demais órgãos dividira espaço com a
Prefeitura de Macapá, onde hoje está funcionando o Museu Joaquim Caetano da
Silva. Pequenas casas comerciais e residenciais prontificavam nas demais áreas.
PERÍODO CONTEMPORÂNEO
Uma Cidade-Estado
Macapá é considerada uma Cidade-Estado devido
concentrar o maior número populacional do Estado do Amapá. 362,5 % é a taxa de
crescimento da população macapaense nos últimos 40 anos. Sua população é
bastante miscigenada, com pessoas provenientes de várias regiões do Brasil.
Na instalação de Macapá em 1758 a vila tinha
500 habitantes. Hoje, de acordo com o IBGE, o número passou de 80 mil em 1978
para 474.706 habitantes em 2018, um dos maiores crescimentos entre as cidades
brasileiras nos últimos anos. Houve um fluxo muito grande da população para cá
e uma coisa muito latente é o fluxo de paraenses.
Macapá é a 53ª cidade mais populosa do país e
das maiores na Região Norte. A cidade cresce, atrai novos investimentos e cada
vez mais pessoas.
A cidade possui várias curiosidades, entre
elas vale destacar que parte do seu território cruza a linha do Equador,
abrigando o famoso monumento Marco Zero. Além disso, Macapá é a única capital
do Brasil que não possui ligação rodoviária com nenhuma outra capital. A cidade
possui belos cenários e um deles, sem dúvida, é observar a grandeza do rio
Amazonas, que se perde na vista de quem o observa.
Em 260 anos Macapá já evoluiu bastante. As
ruas desertas, sem asfalto e cobertas de mato deram espaço para grandes
construções, contribuindo para o crescimento econômico e populacional.
Para se ter uma ideia dos mais de 8 bilhões
de reais da soma de todas as riquezas geradas no estado durante o ano (o PIB) 5
milhões são somente para Macapá.
"O PIB do Amapá é aproximadamente 8,2
bilhões de reais. Só em Macapá você tem 5 bilhões de reais. Hoje a principal
carência é a infraestrutura urbana, a cidade não tem ruas boas, os postos de
saúde estão abaixo do que a população espera, o saneamento básico é ruim, há
poluição ambiental nos canais, áreas de ressacas ocupadas desordenadamente e
tudo isso demanda recursos, fundamentais para Macapá hoje atrair empresas,
investimentos e proporcionar condições de crescimento, trazendo melhores
condições de vida para quem mora na cidade". (Antônio Teles – Economista)
Mesmo ainda com falta de infraestrutura,
Macapá, com florestas preservadas e o espetacular Rio Amazonas, ainda é uma
cidade que serve de refúgio para muitas pessoas por causa da vida levada ao
ritmos dos rios, das matas e dos tambores de marabaixo, além das belezas
naturais e tradições culturais únicas.
Atualmente a cidade vive uma época de
crescimento populacional, com sua economia baseada no comércio, indústria,
extrativismo e pecuária. Porém, ainda falta muito para considerar Macapá uma
cidade economicamente desenvolvida. A cidade está crescendo naturalmente,
forçada pelo crescimento habitacional e falta planejamento do município para
que esse crescimento seja ordenado e que acompanhe o número de habitantes. Os
bairros periféricos de Macapá estão desestruturados, sem ruas asfaltadas,
iluminação pública precária, o ordenamento urbanístico inexistente e principalmente,
um desordenamento de construções sem uma padronização própria de Macapá.









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