Macapá, Capital do meio
do mundo!

Comemorar o aniversário da cidade nos leva a refletir
como a sua história foi construída em torno das necessidades, dos saberes e
fazeres do homem amazônida, originada da miscigenação do habitante típico
(indígena), europeu e o negro escravizado. Em 1758
o sitio localizado do lado esquerdo do Rio Amazonas recebeu o olhar do
Marques de Pombal, que para todos os efeitos
governou Portugal de 1750 a 1777. As terras que viriam a ser o Estado do Amapá
fora outrora visitado por Pizon e ambicionado pelos Franceses, foi escolhida por
Pombal para se tornar uma Vila e receber açorianos e todos os poderes que lhe
cabiam (senado, delegacia, aquartelamento militar). Ato semelhante ao que ainda
se faz no Brasil, transformar um distrito em município, cria-se os cargos de
prefeito, vice, vereadores e todos os adereços e como sobreviver, vai sendo
resolvido paulatinamente e passa os anos e tudo continua o mesmo. E a meta de
Pombal era tomar posse de fato e de direito das terras Tucujus e poder manter o
poderio do então Império Português.
Em 4 de fevereiro de 1758 foi criada a
Vila de São José de Macapá. Após essa promoção Macapá começou a receber
importantes ações para efetivar a dominação português. Concretizado a posse,
Macapá continuou sua vidinha de cidade amazônida, com seus problemas de saúde,
segurança e de falta de administração. Em 1943 Macapá passou a ser capital do
território do Amapá, o qual só ganharia status de estado em 1988.
Quando chegou em Macapá, Janary Nunes, o
primeiro governador do recém criado Território Federal, encontrou uma Macapá
semelhante a encontrada pelo governador Mendonça Furtado. As residências eram
feitas de barro e predominavam no entorno da Fortaleza de São José de Macapá,
que encontrava-se abandonada, dominada pelo matagal e cercada pelo lamaçal
despejado pelas águas barrentas do Rio Amazonas.
Arregaçando as mangas, Janary investiu
pesado no urbanismo da recém promovida capital, pois Getúlio Vargas tinha
decretado o município de Amapá, como capital, mas devido à dificuldade
logística Macapá foi premiada com o título.
Macapá recebeu injeções de ânimos em sua
estrutura e urbanização, prédios públicos foram construídos, dando origem as
primeiras obras de alvenaria, praças foram urbanizadas, residências foram
construídas, energia elétrica implantada, mesmo com racionamento. Escolas foram
construídas, dando oportunidade para que as juventude macapaense tivesse
esperança em crescer.
A Escola de 1º Grau Barão do Rio
Branco foi a primeira escola em alvenaria de Macapá. Nesta escola também
funcionou o 1º cinema de Macapá, o ex-Cine Territorial. Outros prédios, como o
Mercado Central, o Hospital de Especialidades e a Maternidade Mãe Luzia também
fazem parte de antigas construções das décadas de 1940, 50 e 60.
O desenvolvimento da cidade foi
lento no início do século XX, porém a intensa migração trouxe pessoas de várias
partes da nação em busca de melhorias de vida. Com o crescimento intenso de sua
população, foram projetados bairros e conjuntos habitacionais para impedir as
ocupações irregulares. Mesmo assim, nos últimos anos houve aumento no número de
invasões de áreas de ressaca, o que contribuiu para acentuar os impactos
ambientais. Muitos conjunto residenciais com verbas federais e contrapartida
estadual e municipal foram erguidos, mas não acompanha o crescimento da
população amapaense.
Mas Macapá tinha vida, era boêmia e
gostava de brilhar. A Macapá antiga recebia seus jovens na boate do Macapá
Hotel, que de sua calçada estilo Copacabana, tomavam seu sorvete olhando as
ondas do rio mar chegar até a calçada da Rua da Praia. Tinha a Piscina
Territorial que promovia as domingueiras dançantes, os desfiles das miss
amapaense, onde os garotos paqueravam as gatinhas e lhes roubavam beijos e
muitos se “amarraram” e geraram os macapaenses.
Cine Macapá, Cine João XXIII, onde os
rapazolas, hoje pré-adolescentes, levavam braçadas de “gibis” para trocarem,
figurinhas para completar os álbuns. Eu fiz muito isso, pois foram os gibis que
me levaram a adorar a leitura. Ah! Competia com meu irmão Arnaldo nas trocas.
Ele inventou a qualidade de suas revistas, pois seus almanaques valiam duas
revistas. Esperto esse meu irmão!
Macapá cresceu desordenadamente,
infelizmente, os gestores, não conseguiram acompanhar essa cidade com ânsia de
crescer, de receber seus filhos adotivos, que para aqui chegavam, com a vontade
de crescer e de ajudar Macapá a crescer. Eles vinham atraídos pela ICOMI, pois
nessa época Santana era distrito de Macapá. São mais de cinquenta bairros, com
a população de mais de 470 mil habitantes, uma cidade Estado, que está
esperando mais ação pra crescer e poder dar conforto e tranquilidade a aqueles
que a escolheram como local para viver.
Parabéns Macapá! Por seus 260 anos de
luta.

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