sábado, 3 de fevereiro de 2018

Macapá, Capital do meio do mundo!




Macapá, Capital do meio do mundo!

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Comemorar o aniversário da cidade nos leva a refletir como a sua história foi construída em torno das necessidades, dos saberes e fazeres do homem amazônida, originada da miscigenação do habitante típico (indígena), europeu e o negro escravizado. Em 1758 o sitio localizado do lado esquerdo do Rio Amazonas recebeu o olhar do Marques de Pombal, que para todos os efeitos governou Portugal de 1750 a 1777. As terras que viriam a ser o Estado do Amapá fora outrora visitado por Pizon e ambicionado pelos Franceses, foi escolhida por Pombal para se tornar uma Vila e receber açorianos e todos os poderes que lhe cabiam (senado, delegacia, aquartelamento militar). Ato semelhante ao que ainda se faz no Brasil, transformar um distrito em município, cria-se os cargos de prefeito, vice, vereadores e todos os adereços e como sobreviver, vai sendo resolvido paulatinamente e passa os anos e tudo continua o mesmo. E a meta de Pombal era tomar posse de fato e de direito das terras Tucujus e poder manter o poderio do então Império Português.
Em 4 de fevereiro de 1758 foi criada a Vila de São José de Macapá. Após essa promoção Macapá começou a receber importantes ações para efetivar a dominação português. Concretizado a posse, Macapá continuou sua vidinha de cidade amazônida, com seus problemas de saúde, segurança e de falta de administração. Em 1943 Macapá passou a ser capital do território do Amapá, o qual só ganharia status de estado em 1988.
Quando chegou em Macapá, Janary Nunes, o primeiro governador do recém criado Território Federal, encontrou uma Macapá semelhante a encontrada pelo governador Mendonça Furtado. As residências eram feitas de barro e predominavam no entorno da Fortaleza de São José de Macapá, que encontrava-se abandonada, dominada pelo matagal e cercada pelo lamaçal despejado pelas águas barrentas do Rio Amazonas.
Arregaçando as mangas, Janary investiu pesado no urbanismo da recém promovida capital, pois Getúlio Vargas tinha decretado o município de Amapá, como capital, mas devido à dificuldade logística Macapá foi premiada com o título.
Macapá recebeu injeções de ânimos em sua estrutura e urbanização, prédios públicos foram construídos, dando origem as primeiras obras de alvenaria, praças foram urbanizadas, residências foram construídas, energia elétrica implantada, mesmo com racionamento. Escolas foram construídas, dando oportunidade para que as juventude macapaense tivesse esperança em crescer.
A Escola de 1º Grau Barão do Rio Branco foi a primeira escola em alvenaria de Macapá. Nesta escola também funcionou o 1º cinema de Macapá, o ex-Cine Territorial. Outros prédios, como o Mercado Central, o Hospital de Especialidades e a Maternidade Mãe Luzia também fazem parte de antigas construções das décadas de 1940, 50 e 60.
O desenvolvimento da cidade foi lento no início do século XX, porém a intensa migração trouxe pessoas de várias partes da nação em busca de melhorias de vida. Com o crescimento intenso de sua população, foram projetados bairros e conjuntos habitacionais para impedir as ocupações irregulares. Mesmo assim, nos últimos anos houve aumento no número de invasões de áreas de ressaca, o que contribuiu para acentuar os impactos ambientais. Muitos conjunto residenciais com verbas federais e contrapartida estadual e municipal foram erguidos, mas não acompanha o crescimento da população amapaense.
Mas Macapá tinha vida, era boêmia e gostava de brilhar. A Macapá antiga recebia seus jovens na boate do Macapá Hotel, que de sua calçada estilo Copacabana, tomavam seu sorvete olhando as ondas do rio mar chegar até a calçada da Rua da Praia. Tinha a Piscina Territorial que promovia as domingueiras dançantes, os desfiles das miss amapaense, onde os garotos paqueravam as gatinhas e lhes roubavam beijos e muitos se “amarraram” e geraram os macapaenses.
Cine Macapá, Cine João XXIII, onde os rapazolas, hoje pré-adolescentes, levavam braçadas de “gibis” para trocarem, figurinhas para completar os álbuns. Eu fiz muito isso, pois foram os gibis que me levaram a adorar a leitura. Ah! Competia com meu irmão Arnaldo nas trocas. Ele inventou a qualidade de suas revistas, pois seus almanaques valiam duas revistas. Esperto esse meu irmão!
Macapá cresceu desordenadamente, infelizmente, os gestores, não conseguiram acompanhar essa cidade com ânsia de crescer, de receber seus filhos adotivos, que para aqui chegavam, com a vontade de crescer e de ajudar Macapá a crescer. Eles vinham atraídos pela ICOMI, pois nessa época Santana era distrito de Macapá. São mais de cinquenta bairros, com a população de mais de 470 mil habitantes, uma cidade Estado, que está esperando mais ação pra crescer e poder dar conforto e tranquilidade a aqueles que a escolheram como local para viver.

Parabéns Macapá! Por seus 260 anos de luta.

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