sábado, 3 de fevereiro de 2018

O RETORNO DAS DOENÇAS MILENARES

   FEBRE AMARELA: NO AMBIENTE A CAUSA E NA VIGILÂNCIA A CURA


O RETORNO DAS DOENÇAS MILENARES


          As florestas apesar de guardarem um potencial terapêutico estupendo para a humanidade, também nos reservam inúmeras surpresas. Na Amazônia em destaque, o desmatamento em velocidade crescente fará com que as surpresas possam ser mais iminentes do que imaginamos. As grandes epidemias que assolaram o mundo, a maioria delas veio das zonas florestais da África e da Ásia, chegando noutros continentes, cujos vetores foram trazidos nos navios e embarcações. Tivemos a epidemia da Febre Hemorrágica Ebola, há 4 nos atrás, no Zaire, Congo e Uganda, que matou centenas de africanos.
      
Esses países são marcados pela pobreza, a falta de saneamento e condições sanitárias precárias, que expõem os habitantes a condições insalubres e favoráveis aos vetores de doenças virais e diarreias.  Temos o retorno da Dengue, que  atinge todo o pais, além da Zica e da Chikungunya, que não possuem remédio e cuja vacinas ainda estão em fase de estudo. 
        Além do ambiente propicio a alteração e degradação do meio agrava a implantação e disseminação das doenças virais, como a Febre Amarela, que agora atinge áreas mais desenvolvidas do Sudeste brasileiro (MG, SP e RJ),  relacionadas a falta de medidas saneadoras e de vigilância, negligenciadas pelas autoridades, pois os primeiros casos de morte de macacos portadores do vírus datam de 2016. A doença estava radicada no Brasil desde 1942.

         Os dados do último relatório de infestação da Dengue em Macapá, divulgados pela Vigilância, mostra altos índices em bairros centrais e bairros periféricos, como o Marabaixo. Entre os munícipios, Porto Grande e Ferreira Gomes se destacam pela degradação ambiental, causada pela construção de barragens e três hidroelétricas, que mudaram o leito do Rio Araguari, provocando a morte de peixes e anfíbios, que se alimentavam das larvas dos mosquitos vetores.  Esse assunto foi tratado em artigo no TA, em 23.11.2015.
         Temos 2 tipos de Febre Amarela. A Amazônia é zona endêmica da forma rural, cuja transmissão se faz do macaco infectado ao mosquito vetor silvestre e, deste, para o macaco sadio. Quando o homem não imunizado entra nesse ambiente acidentalmente, ele se transforma em hospedeiro e adquire a doença.  A forma urbana é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, cujo homem infectado é picado e o mosquito transmite a outro homem sadio
          A infecção aparece com 3 a 6 dias, com um quadro inicial semelhante a uma gripe, que pode evoluir para formas graves e fatais, com quadros hemorrágicos (digestiva, intestinal, nasal, hematúria), comprometimento renal (oligúria, albuminúria), hepático, culminando com obnubilação, torpor e coma, sendo de alta letalidade, por não ter tratamento específico. Mas a vacinação protege por um período de 10 anos ou por toda a vida, tendo um forte impacto no controle da doença.
        O controle e eliminação de criadouros dos vetores (mosquitos), tem imediato impacto na rede de transmissão. A melhora no sistema de esgoto, evitando transmissão de germes por fezes e alimentos, melhorando não só as doenças de transmissão hídrica, mas também a erradicação do A. aegypti que transmite as doenças virais como a Dengue, Zica e Febre Amarela.
        Mas a natureza alterada e degradada não perdoa “essas agressões sem um custo a pagar, e constantemente vinga-se de nós com o retorno de muitas doenças que estavam controladas, ou mesmo apresentando novos agentes infecciosos que desconhecemos”. “Dos 534 vírus catalogados que habitam o organismo dos insetos, 134 causam doença no homem”. Quanto mais negligenciarmos o ambiente, “desmatarmos as florestas e invadirmos seu habitat, mais rápido teremos o surgimento de doenças”. (Fonte: Guia de Doenças Infecciosas e Parasitárias, 2010; SC, Ujuvari,2004). 01.02.2018


     


         


        
    
       






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