FEBRE AMARELA: NO AMBIENTE A CAUSA E NA VIGILÂNCIA A CURA
O RETORNO DAS DOENÇAS MILENARES
As florestas apesar de guardarem um
potencial terapêutico estupendo para a humanidade, também nos reservam inúmeras
surpresas. Na Amazônia em destaque, o desmatamento em velocidade crescente fará
com que as surpresas possam ser mais iminentes do que imaginamos. As grandes
epidemias que assolaram o mundo, a maioria delas veio das zonas florestais da
África e da Ásia, chegando noutros continentes, cujos vetores foram trazidos
nos navios e embarcações. Tivemos a epidemia da Febre Hemorrágica Ebola, há 4
nos atrás, no Zaire, Congo e Uganda, que matou centenas de africanos.
Esses países são marcados pela pobreza,
a falta de saneamento e condições sanitárias precárias, que expõem os
habitantes a condições insalubres e favoráveis aos vetores de doenças virais e diarreias. Temos o retorno da Dengue, que atinge todo o pais, além da Zica e da Chikungunya,
que não possuem remédio e cuja vacinas ainda estão em fase de estudo.
Além do ambiente propicio a alteração e
degradação do meio agrava a implantação e disseminação das doenças virais, como
a Febre Amarela, que agora atinge áreas mais desenvolvidas do Sudeste
brasileiro (MG, SP e RJ), relacionadas a
falta de medidas saneadoras e de vigilância, negligenciadas pelas autoridades,
pois os primeiros casos de morte de macacos portadores do vírus datam de 2016. A
doença estava radicada no Brasil desde 1942.
Os dados do último relatório de
infestação da Dengue em Macapá, divulgados pela Vigilância, mostra altos
índices em bairros centrais e bairros periféricos, como o Marabaixo. Entre os
munícipios, Porto Grande e Ferreira Gomes se destacam pela degradação
ambiental, causada pela construção de barragens e três hidroelétricas, que
mudaram o leito do Rio Araguari, provocando a morte de peixes e anfíbios, que
se alimentavam das larvas dos mosquitos vetores. Esse assunto foi tratado em artigo no TA, em
23.11.2015.
Temos 2 tipos de Febre Amarela. A
Amazônia é zona endêmica da forma rural, cuja transmissão se faz do macaco
infectado ao mosquito vetor silvestre e, deste, para o macaco sadio. Quando o
homem não imunizado entra nesse ambiente acidentalmente, ele se transforma em
hospedeiro e adquire a doença. A forma
urbana é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, cujo homem
infectado é picado e o mosquito transmite a outro homem sadio.
A infecção aparece com 3 a 6 dias,
com um quadro inicial semelhante a uma gripe, que pode evoluir para formas
graves e fatais, com quadros hemorrágicos (digestiva, intestinal, nasal,
hematúria), comprometimento renal (oligúria, albuminúria), hepático, culminando
com obnubilação, torpor e coma, sendo de alta letalidade, por não ter
tratamento específico. Mas a vacinação protege por um período de 10 anos ou por
toda a vida, tendo um forte impacto no controle da doença.
O controle e eliminação de criadouros
dos vetores (mosquitos), tem imediato impacto na rede de transmissão. A melhora
no sistema de esgoto, evitando transmissão de germes por fezes e alimentos,
melhorando não só as doenças de transmissão hídrica, mas também a erradicação
do A. aegypti que transmite as
doenças virais como a Dengue, Zica e Febre Amarela.
Mas a natureza alterada e degradada não
perdoa “essas agressões sem um custo a pagar, e constantemente vinga-se de nós
com o retorno de muitas doenças que estavam controladas, ou mesmo apresentando
novos agentes infecciosos que desconhecemos”. “Dos 534 vírus catalogados que habitam o organismo dos insetos, 134
causam doença no homem”. Quanto mais negligenciarmos o ambiente,
“desmatarmos as florestas e invadirmos seu habitat, mais rápido teremos o
surgimento de doenças”. (Fonte: Guia de Doenças Infecciosas e Parasitárias,
2010; SC, Ujuvari,2004). 01.02.2018.


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