O Ministério
Público do Amapá (MP-AP) deflagrou nesta terça-feira (20) a segunda fase da
“Operação Rescisória”, com o objetivo de localizar provas referentes à cobrança
de propina no pagamento de verbas rescisórias no âmbito da Assembleia
Legislativa do Estado (Alap). Foram cumpridos 11 mandados judiciais de busca e
apreensão em residências de deputados estaduais e assessores, além de
escritórios parlamentares, por membros do MP-AP e equipes do Grupo de Atuação
Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Promotoria de Investigações
Cíveis, Criminais e de Segurança Pública (PICC) e Gabinete Militar da instituição.
Dentre os
investigados estão os deputados estaduais Jaime Pérez, Augusto Aguiar e Pedro
da Lua, além de cinco assessores, que responderão pelos crimes de corrupção
ativa e passiva, organização criminosa, peculato e falsidade ideológica.
Segundo o
coordenador do GAECO, promotor de Justiça Afonso Guimarães, as investigações
iniciaram em 2016, reflexo de uma ação de improbidade ajuizada em 2015, onde
questionava-se o número de contratados em quantidade superior aos cargos
existentes na Alap.
O MP-AP constatou,
ainda, que servidores demitidos da Casa de Leis precisavam pagar propina para
que pudessem receber seus direitos trabalhistas. Os cheques eram nominais ao
servidor demitido, mas, na prática, eram entregues a deputados e assessores que
efetuavam o recebimento.
“De acordo com os
servidores exonerados, para que os mesmos tivessem acesso aos seus direitos,
deveriam pagar, em alguns casos, até 50% do valor respectivo em propina.
Sabemos que os pagamentos eram feitos em cheque.”, reforçou Afonso Guimarães.
O
subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Administrativos e Institucionais,
Nicolau Crispino, acrescentou que o MP-AP coletou muitas informações e
documentos com mais detalhes sobre a participação dos deputados. Porém, esses
dados não serão divulgados no momento, para não comprometer o processo.
“Foram pagamentos
de indenizações indevidas, em valor menor, ou até de pessoas que deveriam
receber indenizações e não recebiam”, detalhou Nicolau Crispino.
Para o
procurador-geral de Justiça do MP-AP, Márcio Augusto Alves, a operação é uma
consequência natural para os que praticam atos de corrupção. “Seja Assembleia
ou qualquer outro órgão, todos que agem dessa maneira estão sujeitos a isso.
Nós seguiremos com nossa missão institucional de combate à corrupção”,
enfatizou o PGJ.
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