sábado, 24 de março de 2018

‘Feira Maluca’


      
‘Feira Maluca’

Conclusão do Mercado Modelo é incerta



                                                                                

 

Reinaldo Coelho


 

‘Feira Maluca’, na Zona Sul de Macapá, será revitalizada e será inaugurada em janeiro de 2018”, essa foi a manchete dos periódicos macapaenses no dia 22 de junho de 2017, mesmo com placa da obra estipulando 10 de dezembro de 2017 a entrega da obra pela Edifica Engenharia Ltda. – EPP, vencedora da licitação.
Essa também foi a chamada para a reforma de uma dos mais tradicionais patrimônios históricos, turístico e culturais de Macapá, o Mercado Central em 2015, com o prazo de entrega em 2016, NA FESTA DE ANIVERSÁRIO DOS 258 ANOS DE MACAPÁ. E após dois anos e três meses paralisada foi retomada em fevereiro de 2018, sem prazo para entregar.
Protesto sarcástico foi realizado nesta quarta-feira 13 em Macapá

Mas o macapaense nem estranha mais, se revolta, reclama, mas não tem jeito, o prefeito de Macapá, Clécio Luís (REDE) não escuta, e quando o faz não resolve as reclamações do povo. As obras lançadas pela atual gestão de Macapá nunca tem uma sequência e nem o calendário é executado. A desculpa é a mesma: “Os recursos não são repassados”, o que demonstra a falta de poder político da base do prefeito de Macapá. Ele tem dois senadores que vivem sobre os holofotes nacionais e não conseguem atuar junto aos ministérios federais a manutenção dos repasses das verbas de emendas parlamentares e de projetos sociais, que a prefeitura conveniou em executar?
A mais atual é a obra da Feira Maluca, denominada de Mercado Modelo, que está orçada em R$ 1.353.000,00. Deste montante, R$ 1.349.990,00 é verba proveniente do Programa Calha Norte, resultado de emenda parlamentar do senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) e o município entra com um recurso na ordem de R$ 3.010,00, como contrapartida da verba federal.

A emenda de Randolfe atende a demanda apresentada pelo então titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SEMDEC), Lucas Abrahão, que foi a Brasília (DF) pedir apoio do senador para a execução da edificação da Feira Modelo. Cadê o poder político de Randolfe Rodrigues (REDE) e de Davi Alcolumbre (DEM), senadores da República com trânsito livre entre os poderes brasilienses, e não conseguem alocar e definir a constância de R$ 2 milhões para as obras de importância social de Macapá.

Mercado Central e Feira Maluca

Mesmo sendo da mesma origem, as duas obras tem finalidades distintas, um mercado de feirantes e um espaço cultural. O Mercado Central se tornou um Centro Cultural, mantendo sua arquitetura original e a ‘Feira Maluca’ se tornará um Mercado Modelo, com 88 boxes com previsão de entrega até janeiro de 2018. O projeto está lindo e perfeito, porém a execução que é o problema.
Mercado Central
Feira Modelo - Buritizal






Os dois empreendimentos tem também em comum a origem dos recursos que são do Programa Federal Calha Norte – o Mercado Central deverá custar R$ 2 milhões, ao ser concluído, segundo informou a prefeitura da capital, responsável pelo serviço. A previsão era de que a execução da ampliação e revitalização do espaço, que iniciou no mês de novembro de 2015, fosse concluída até maio de 2016 e não aconteceu, ficando paralisada e retomada em fevereiro de 2018, devido a alocação de R$ 750 mil para a obra.
A Secretaria Municipal de Obras (SEMOB) informou que será feita a retirada do atual telhado para a construção de uma nova estrutura metálica e acústica no prédio e a previsão é que essa etapa seja encerrada em meados de julho. Será!
O mercado modelo que substituirá a popular ‘Feira Maluca’ iniciou seu desmonte em 22 de junho de 2017. E estava com previsão de inauguração até janeiro de 2018, de acordo com a prefeitura.

Já era necessário e urgente uma intervenção na tradicional feira do Bairro do Buritizal, pois além da desorganização, que justificava o seu nome, predominava a sujeira e o excesso de lixo. O local, quando não funcionava para sua finalidade, era dominado pelos dependentes químicos e servia de ponto de tráfico de drogas. Outra feira, vizinha a essa é a da Feira do Peixe, localizada ao lado da Feira do Produtor, na 13 de setembro, de acordo com o Governo do Estado, será desmontada e passará a funcionar em local já escolhido e salubre.

Os feirantes da Feira Maluca, tal qual no Mercado Central, foram remanejados para um outro espaço, para comercializarem os produtos, até que a revitalização da feira seja concluída.
Porém, o enredo se repete com novos personagens, mas a mesma reclamação, o prejuízo financeiro daqueles que sobrevivem há décadas, da venda de hortifrutigranjeiros, peixe, carne e os próprios artesãos e ambulantes, que sonhavam com o cumprimento do cronograma estabelecido para a entrega da obra em 10 de dezembro de 2017. Além de não ser entregue, não tem previsão para que isso aconteça e a justificativa é a falta do repasse dos recursos do Calha Norte.

E quem amarga o prejuízo?

O remanejo realizado pela Prefeitura de Macapá, na ‘Feira Maluca’, foi para a frente da antiga feira e com local descoberto, expostos ao sol e chuva e a lama. Os feirantes que ficaram alojados ao lado do prédio inacabado e dizem que o ambiente é sujo, fétido e propício à contaminação dos alimentos comercializados. E todos dividem o mesmo pensamento pessimista: o Mercado Modelo nunca ficará pronto no prazo, como está acontecendo com o Mercado Central e o Shopping Popular.
“Vocês, de novo por aqui? Não mudou nada não, meu filho. E pelo o que estou vendo, não vai mudar tão cedo”. Foi com essa frase que Maria das Graças Andrade recebeu, na manhã da última segunda-feira, a equipe de reportagem da TRIBUNA AMAPAENSE. Feirante há mais de dez anos, Maria das Graças já foi entrevistada outras vezes e a resposta dela revela o que mudou durante os intervalos que a TA foi ao local registrar se as obras haviam sido retomadas. “Perdi as esperanças, nessa atual administração é certeza que não ficará pronto”, afirma.
Maria vende frutas em uma barraca. Logo cedo chega ao local improvisado da feira – e ajeita os produtos em cima da estrutura de madeira e ferro. Mas antes de expor os produtos, preocupa-se com a limpeza do local, pois fica próximo a Av. Claudomiro de Moraes “Sempre tem lixo acumulado e a catinga é horrível. Dá vontade de vomitar com a sujeira”, desabafa.
Na falta do apoio do órgão responsável pela limpeza pública são os próprios feirantes que providenciam a assepsia da área. É aí que entra em cena Edílson Ramos de Sousa. Por R$ 20,00 limpa toda extensão da rua onde as barracas ficam montadas. “É uma forma de ganhar um dinheirinho, né?”, diz o ajudante dos comerciantes.
Não demora muito e a rua está suja novamente. Para alguns a cena é considerada natural. “Feira é assim mesmo. Tem que ser meio bagunçado. Não se pode exigir muito já que estamos no meio da rua. Acho que se emperiquitar demais, perde a graça”, afirma o aposentado José Gildenor da Silva, 60 anos, assíduo nas feiras livres da cidade. 
A falta de cuidado com a higiene é perceptível. Feirantes e clientes manuseiam alimentos ao mesmo tempo que pegam em dinheiro. Mesmo que quisessem, não seria possível lavar as mãos. Não há banheiros.
O prédio está cercado pelo tapume e encontra-se inacabado. Do lado de fora a placa anuncia: “Reforma e Ampliação do Mercado Modelo das Rocas. Valor: R$ 1. 212.372,53. Início das obras: 01 de janeiro de 2017 – Prazo de entrega: 10 de dezembro de 2017.
Feira não é coisa nova. Pelo contrário, é uma tradição milenar. As feiras passaram a ser consideradas importantes no século XI. Eram locais de concentração de pessoas, onde muitos se juntavam para comprar e vender. Ainda hoje é assim. Pesquisando a origem dos feirantes será constatada a presença de representantes de vários municípios. Em suma, a feira e seus costumes são antigos. Mesmo que há tanto tempo se faça feira praticamente da mesma forma, existem pré-requisitos de higiene suscitados pela modernidade. Mas isso não ocorre, com ênfase, na feira de Macapá. Ao lado do forno onde Eunice faz a comida, temos a presença de animais domésticos e o chão está repleto de vísceras, cascas de frutas e legumes. Alimentos acondicionados sem nenhum cuidado completa o cenário.

“Se terminarem essa obra do Mercado as coisas podem melhorar. Mas eu garanto ao senhor que minha comida é limpa. Uso vários baldes de água para lavar tudo e os panos são separados. Tem o de enxugar louça, limpar a mesa e cobrir as comidas”, explica Maria Eunice.


Mercado Central – comerciantes despejados reclamam

Sem perspectivas de vida e com os negócios em baixa. É assim a atual situação de cerca de 20 comerciantes que foram remanejados do antigo Mercado Central, realizaram um ato de protestos para que as obras fossem iniciadas. A promessa do prefeito Clécio Luís era de inaugurar 18 boxes, e no dia 04 de fevereiro de 2016, seria comemorado o aniversário de 258 anos da Cidade Macapá, com show cultural no novo Mercado Central. Os comerciantes remanejados fizeram uma manifestação no sábado dia 03 de fevereiro de 2018, as vésperas do aniversário de Macapá. Se concentraram em frente ao mercado e, por volta de 10h, cantaram “parabéns” e fizeram o corte de quatro bolos, distribuídos entre eles, junto com os refrigerantes e doces.
Atualmente eles ocupam um pequeno galpão localizado na frente do antigo prédio. O espaço, conhecido como “Amarelão”, é pequeno e as condições de higiene e segurança são precárias. Os comerciantes reclamam. É o caso do chaveiro Jaílson de Oliveira.
“Sinceramente já nem sei quanto tempo estamos aqui neste espaço aguardando a finalização do mercado. A falta de infraestrutura deste local cedido para nós é visível. Para se ter ideia não tínhamos banheiro e nem água. Eu construí o banheiro e água chegou somente ano passado. Com a demora muitos comerciantes faliram, devido a perda da clientela”, explica.
Os comerciantes da Feira Maluca estão com as barracas em dois pontos: no pátio da obra da feira e dentro do galpão. Dentro do galpão, a divisão entre um ponto e outro é feito de maneira irregular e cada comerciante oferece o serviço da maneira que pode. Ao lado de um freezer repleto de peixe que não apresentavam condições dignas de higiene um senhor que preferiu não se identificar consertava ventiladores.
Aglomerados, serviços de consertos de aparelhos eletrônicos, bar, restaurante e açougue ficam lotados em horários de maior movimento.

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