‘Feira
Maluca’
Conclusão
do Mercado Modelo é incerta
Reinaldo Coelho
‘Feira
Maluca’, na Zona Sul de Macapá, será revitalizada e será inaugurada em janeiro
de 2018”, essa foi a manchete dos periódicos
macapaenses no dia 22 de junho de 2017, mesmo com placa da obra estipulando 10
de dezembro de 2017 a entrega da obra pela Edifica Engenharia Ltda. – EPP,
vencedora da licitação.
Essa também
foi a chamada para a reforma de uma dos mais tradicionais patrimônios
históricos, turístico e culturais de Macapá, o Mercado Central em 2015, com o
prazo de entrega em 2016, NA FESTA DE
ANIVERSÁRIO DOS 258 ANOS DE MACAPÁ. E após dois anos e três meses paralisada
foi retomada em fevereiro de 2018, sem prazo para entregar.
![]() |
| Protesto sarcástico foi realizado nesta quarta-feira 13 em Macapá |
Mas o
macapaense nem estranha mais, se revolta, reclama, mas não tem jeito, o
prefeito de Macapá, Clécio Luís (REDE) não escuta, e quando o faz não resolve
as reclamações do povo. As obras lançadas pela atual gestão de Macapá nunca tem
uma sequência e nem o calendário é executado. A desculpa é a mesma: “Os
recursos não são repassados”, o que demonstra a falta de poder político da base
do prefeito de Macapá. Ele tem dois senadores que vivem sobre os holofotes nacionais
e não conseguem atuar junto aos ministérios federais a manutenção dos repasses
das verbas de emendas parlamentares e de projetos sociais, que a prefeitura
conveniou em executar?
A mais atual
é a obra da Feira Maluca, denominada de Mercado Modelo, que está orçada em R$
1.353.000,00. Deste montante, R$ 1.349.990,00 é verba proveniente do Programa
Calha Norte, resultado de emenda parlamentar do senador Randolfe Rodrigues
(REDE-AP) e o município entra com um recurso na ordem de R$ 3.010,00, como
contrapartida da verba federal.
A emenda de
Randolfe atende a demanda apresentada pelo então titular da Secretaria
Municipal de Desenvolvimento Econômico (SEMDEC), Lucas Abrahão, que foi a
Brasília (DF) pedir apoio do senador para a execução da edificação da Feira
Modelo. Cadê o poder político de Randolfe Rodrigues (REDE) e de Davi Alcolumbre
(DEM), senadores da República com trânsito livre entre os poderes brasilienses,
e não conseguem alocar e definir a constância de R$ 2 milhões para as obras de
importância social de Macapá.
Mercado Central e Feira Maluca
Mesmo sendo
da mesma origem, as duas obras tem finalidades distintas, um mercado de
feirantes e um espaço cultural. O Mercado Central se tornou um Centro Cultural,
mantendo sua arquitetura original e a ‘Feira Maluca’ se tornará um Mercado
Modelo, com 88 boxes com previsão de entrega até janeiro de 2018. O projeto
está lindo e perfeito, porém a execução que é o problema.
![]() |
| Mercado Central |
![]() |
| Feira Modelo - Buritizal |
Os dois empreendimentos tem também em comum a
origem dos recursos que são do Programa Federal Calha Norte – o Mercado Central
deverá custar R$ 2 milhões, ao ser concluído, segundo informou a prefeitura da
capital, responsável pelo serviço. A previsão era de que a execução da
ampliação e revitalização do espaço, que iniciou no mês de novembro de 2015,
fosse concluída até maio de 2016 e não aconteceu, ficando paralisada e retomada
em fevereiro de 2018, devido a alocação de R$ 750 mil para a obra.
A Secretaria Municipal de Obras (SEMOB)
informou que será feita a retirada do atual telhado para a construção de uma
nova estrutura metálica e acústica no prédio e a previsão é que essa etapa seja
encerrada em meados de julho. Será!
O mercado modelo que substituirá a popular ‘Feira
Maluca’ iniciou seu desmonte em 22 de junho de 2017. E estava com previsão de
inauguração até janeiro de 2018, de acordo com a prefeitura.
Já era necessário e urgente uma intervenção
na tradicional feira do Bairro do Buritizal, pois além da desorganização, que
justificava o seu nome, predominava a sujeira e o excesso de lixo. O local,
quando não funcionava para sua finalidade, era dominado pelos dependentes
químicos e servia de ponto de tráfico de drogas. Outra feira, vizinha a essa é
a da Feira do Peixe, localizada ao lado da Feira do Produtor, na 13 de
setembro, de acordo com o Governo do Estado, será desmontada e passará a
funcionar em local já escolhido e salubre.
Os feirantes da Feira Maluca, tal qual no
Mercado Central, foram remanejados para um outro espaço, para comercializarem
os produtos, até que a revitalização da feira seja concluída.
Porém, o enredo se repete com novos
personagens, mas a mesma reclamação, o prejuízo financeiro daqueles que
sobrevivem há décadas, da venda de hortifrutigranjeiros, peixe, carne e os
próprios artesãos e ambulantes, que sonhavam com o cumprimento do cronograma
estabelecido para a entrega da obra em 10 de dezembro de 2017. Além de não ser
entregue, não tem previsão para que isso aconteça e a justificativa é a falta
do repasse dos recursos do Calha Norte.
E quem amarga o prejuízo?
O remanejo realizado pela Prefeitura de
Macapá, na ‘Feira Maluca’, foi para a frente da antiga feira e com local
descoberto, expostos ao sol e chuva e a lama. Os feirantes que ficaram alojados
ao lado do prédio inacabado e dizem que o ambiente é sujo, fétido e propício à
contaminação dos alimentos comercializados. E todos dividem o mesmo pensamento
pessimista: o Mercado Modelo nunca ficará pronto no prazo, como está
acontecendo com o Mercado Central e o Shopping Popular.
“Vocês, de novo por aqui? Não mudou nada não,
meu filho. E pelo o que estou vendo, não vai mudar tão cedo”. Foi com essa
frase que Maria das Graças Andrade recebeu, na manhã da última segunda-feira, a
equipe de reportagem da TRIBUNA AMAPAENSE. Feirante há mais de dez anos, Maria
das Graças já foi entrevistada outras vezes e a resposta dela revela o que
mudou durante os intervalos que a TA foi ao local registrar se as obras haviam
sido retomadas. “Perdi as esperanças, nessa atual administração é certeza que
não ficará pronto”, afirma.
Maria vende frutas em uma barraca. Logo cedo
chega ao local improvisado da feira – e ajeita os produtos em cima da estrutura
de madeira e ferro. Mas antes de expor os produtos, preocupa-se com a limpeza
do local, pois fica próximo a Av. Claudomiro de Moraes “Sempre tem lixo
acumulado e a catinga é horrível. Dá vontade de vomitar com a sujeira”,
desabafa.
Na falta do apoio do órgão responsável pela
limpeza pública são os próprios feirantes que providenciam a assepsia da área.
É aí que entra em cena Edílson Ramos de Sousa. Por R$ 20,00 limpa toda extensão
da rua onde as barracas ficam montadas. “É uma forma de ganhar um dinheirinho,
né?”, diz o ajudante dos comerciantes.
Não demora muito e a rua está suja novamente.
Para alguns a cena é considerada natural. “Feira é assim mesmo. Tem que ser
meio bagunçado. Não se pode exigir muito já que estamos no meio da rua. Acho
que se emperiquitar demais, perde a graça”, afirma o aposentado José Gildenor
da Silva, 60 anos, assíduo nas feiras livres da cidade.
A falta de cuidado com a higiene é
perceptível. Feirantes e clientes manuseiam alimentos ao mesmo tempo que pegam
em dinheiro. Mesmo que quisessem, não seria possível lavar as mãos. Não há
banheiros.
O prédio está cercado pelo tapume e
encontra-se inacabado. Do lado de fora a placa anuncia: “Reforma e Ampliação do
Mercado Modelo das Rocas. Valor: R$ 1. 212.372,53. Início das obras: 01 de
janeiro de 2017 – Prazo de entrega: 10 de dezembro de 2017.
Feira não é coisa nova. Pelo contrário, é uma
tradição milenar. As feiras passaram a ser consideradas importantes no século
XI. Eram locais de concentração de pessoas, onde muitos se juntavam para
comprar e vender. Ainda hoje é assim. Pesquisando a origem dos feirantes será
constatada a presença de representantes de vários municípios. Em suma, a feira
e seus costumes são antigos. Mesmo que há tanto tempo se faça feira
praticamente da mesma forma, existem pré-requisitos de higiene suscitados pela
modernidade. Mas isso não ocorre, com ênfase, na feira de Macapá. Ao lado do
forno onde Eunice faz a comida, temos a presença de animais domésticos e o chão
está repleto de vísceras, cascas de frutas e legumes. Alimentos acondicionados
sem nenhum cuidado completa o cenário.
“Se terminarem essa obra do Mercado as coisas
podem melhorar. Mas eu garanto ao senhor que minha comida é limpa. Uso vários
baldes de água para lavar tudo e os panos são separados. Tem o de enxugar
louça, limpar a mesa e cobrir as comidas”, explica Maria Eunice.
Mercado Central – comerciantes despejados reclamam
Sem perspectivas de vida e com os negócios em
baixa. É assim a atual situação de cerca de 20 comerciantes que foram remanejados
do antigo Mercado Central, realizaram um ato de protestos para que as obras
fossem iniciadas. A promessa do prefeito Clécio Luís era de inaugurar 18 boxes,
e no dia 04 de fevereiro de 2016, seria comemorado o aniversário de 258 anos da
Cidade Macapá, com show cultural no novo Mercado Central. Os comerciantes remanejados
fizeram uma manifestação no sábado dia 03 de fevereiro de 2018, as vésperas do
aniversário de Macapá. Se concentraram em frente ao mercado e, por volta de
10h, cantaram “parabéns” e fizeram o corte de quatro bolos, distribuídos entre
eles, junto com os refrigerantes e doces.
Atualmente eles ocupam um pequeno galpão
localizado na frente do antigo prédio. O espaço, conhecido como “Amarelão”, é
pequeno e as condições de higiene e segurança são precárias. Os comerciantes
reclamam. É o caso do chaveiro Jaílson de Oliveira.
“Sinceramente já nem sei quanto tempo estamos
aqui neste espaço aguardando a finalização do mercado. A falta de infraestrutura
deste local cedido para nós é visível. Para se ter ideia não tínhamos banheiro
e nem água. Eu construí o banheiro e água chegou somente ano passado. Com a
demora muitos comerciantes faliram, devido a perda da clientela”, explica.
Os comerciantes da Feira Maluca estão com as
barracas em dois pontos: no pátio da obra da feira e dentro do galpão. Dentro
do galpão, a divisão entre um ponto e outro é feito de maneira irregular e cada
comerciante oferece o serviço da maneira que pode. Ao lado de um freezer
repleto de peixe que não apresentavam condições dignas de higiene um senhor que
preferiu não se identificar consertava ventiladores.
Aglomerados, serviços de consertos de
aparelhos eletrônicos, bar, restaurante e açougue ficam lotados em horários de
maior movimento.








Nenhum comentário:
Postar um comentário