O professor sempre foi considerado um elemento
de suma importância dentro das comunidades, muitas vezes, conselheiro e
resolvendo os problemas. Hoje está muito diferente. Mesmo com todas as
ferramentas à disposição, os livros, infraestrutura, transporte, Internet,
enfim o nosso aluno não está sendo bem formado e muito triste e decepcionante
vermos resultados tão baixos.
Silvio Soares Sobrinho Castillo e Maria Leonice de Souza Castillo
Reinaldo Coelho
Há três
anos a editoria de pioneirismo do Tribuna Amapaense visitava em sua residência,
no bairro Jesus de Nazaré, antigo Jacareacanga, um casal de educadores, que
mantinham a tradição dos Del Castillos, em honrar a educação amapaense, pois
são inúmeros seus representantes com reconhecidos méritos na educação deste
torrão amazônico. Infelizmente, esta semana o professor Silvio Del Castillo,
aos 86 anos, recém completados em janeiro, nos deixou e foi se dedicar aos seus
pares no reinos da paz e da felicidade. Um descanso eterno ao Mestre da arte de
educar.
Esta
semana estaremos homenageando, um casal de educadores amapaenses da “gema”,
Silvio Soares Sobrinho e Maria Leonice Castillo, nascidos na primeira capital
do Território Federal do Amapá, o município de Amapá, local conhecido pela
criação de gado, grandes fazendas e por ter uma Região de Lagos, favorecendo o
mercado de peixes de melhor qualidade, além da facilidade de acesso ao Oceano
Atlântico para pescaria de grande porte.
Terra de
beleza natural impar tem diversos pontos turísticos naturais e um dos maiores
Museus ao Céu Aberto do Brasil, a Base Aérea de Amapá, que serviu como base
para as tropas aliadas abastecer e chegarem a Europa durante a Segunda Guerra.
Além do ponto de atracação do Zepelim uns dos balões que serviu aos aliados.
Silvio
Castillo nasceu no município de Amapá, em 10 de janeiro de 1932, 83 anos, filho
de Sinésio dos Santos da Silva (Carpinteiro) e Bibiana Soares Castillo
(Dona de casa). O primogênito de uma prole de sete irmãos. “O Sandoval
Castillo, segundo filho, e falecido, estão vivos, eu, Silvia Castillo
(Professora), Seli e Sonia, Silene e Sinésio”, conta nosso pioneiro.
Maria
Leonice de Souza Castillo município de Amapá, na Vila de Tucumã em 19 de
abril de 1938, 77 anos. Filha de Genésio Vicente de Sousa (Embarcadiço de Regatão)
e Maria Barreto de Souza.
Silvio
fez seus estudos iniciais na terra natal e em seguida, veio a Macapá para terminar
os estudos, concluiu o primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e o
ginasial profissional na Escola Industrial do Amapá, conseguindo uma profissão
a de Torneiro Mecânico. “Meu pai trabalhava na antiga CESP (Serviço de Saúde Pública)
e veio para Macapá e dei curso aos meus estudos, procurando logo um que me
possibilita-se ter uma profissão e consegui. Logo em seguida fui estudar o
Curso de Magistério no Instituto de Educação do Território do Amapá (IETA)”.
Maria
Leonice conta ... – “Estudei o ensino primário no Grupo Escolar Veiga
Cabral, em 1953 vim estudar em Macapá na Escola Domestica de Macapá (hoje
Santina Riolli) porém, não me adaptei, fiquei um ano e retornei para Amapá.
Terminei a 5ª Serie e em 1958 frui convidada para trabalhar na escola de
Tucumã, local onde nasci”.
Ao se mudarem
para Macapá residiram no Bairro Alto e logo em seguida mudou-se para o bairro
do laguinho. “Hoje residimos por mais de 40 anos, aqui no Bairro Jesus de
Nazaré, viemos para cá na época que era Jacareacanga”.
Infância
e Juventude
A
infância no município de Amapá e a juventude em Macapá aconteceram como para
todos os jovens da época que aproveitavam o que as cidades lhe ofereciam para o
lazer. “Não foi diferente fazíamos muitas práticas esportivas, procurei sempre
jogar futebol, vôlei, basquete e me dei bem. Não quero enfeitar demais a
juventude da época, tinham seus defeitos e problemas com bebidas. Mas tinha uma
compensação, eram menos afoitos e tinham responsabilidade com a escola”.
Magistério
Concluindo
o Pedagógico (Magistério) no IETA, em 1957, Silvio Castillo, retornou a terra
natal e passou a lecionar em uma escola rural denominada Estefânia, logo em
seguida foi lecionar na sede do município na Escola Veiga Cabral, logo foi atuar
na Escola da Base Aérea do Amapá. “Trabalhei em quase todas as escolas do
município. Não demorávamos muitas em uma escola, pois na época eram os carentes
de professores e era grande a rotatividade entre os mestres para levar a
educação a todos os recantos do novo Território Federal. Então a mobilização
dos professores era constante”.
Em 1961
retorna a Macapá e passa a atuar na Divisão de Educação e a lecionar no
terceiro turno, para os últimas séries do Curso pedagógico. “Passei a atuar na
administração central da educação e a lecionar pelo sistema de pró-labore, no
terceiro turno no IETA, lecionando para as turmas de terceiro ano do
pedagógico. Lecionou no Colégio Comercial do Amapá e no Colégio Amapaense”.
Dentro do
Sistema central de ensino, atuo como Diretor do Caixa Escolar e Diretor do
Ensino de 2º Grau, quando da implantação da Lei 5.692/72. “Ajudamos a implantar
a nova Lei de Diretrizes e Base da Educação no Amapá. Foi muito importante
quando a transformação do Colegial e Cientifico e em Ensino de 2º Grau”.
Maria
Leonice ressalta que a culpa por ela trilhar no Magistério foi do então amigo e
futuro esposo Silvio Castillo “O Silvio era amigo de infância e residia com
nossa família, era parceiro das saídas para festas, porem sempre foi
respeitador. O meu tio era casado com a tia dele. Esse relacionamento progrediu
e chegou a 55 anos de casamento”.
Com referência
a trabalhar com 18 anos em uma escola isolada e sem experiência, teve o apoio
de Silvio, que já exercia o magistério que a incentivou e todo fim de semana a
visitava e ajudava nos planos de aulas, o que lhe agregou o amor pelo ensino e
principalmente a Educação infantil. “Eu tinha receio, porem o apoio do Silvio e
seu incentivo me ajudou a enfrentar essa experiência que durou mais de 50 anos”.
Casamento
O casal
que nasceu e se conheceu em Amapá, atuaram juntos na Educação, o resultado foi
o casamento. Em 1959 o casal contraiu núpcias. Lenir conta que casou com 21
anos. E hoje com 55 anos de casamento e dois filhos e cinco netos. “O primeiro
filho nasceu após 15 anos de casado, foi uma menina Silmar de Souza Castillo,
hoje com 42 anos de idade, e Relações Públicas e resolvemos adotar um menino
que tinha 4 anos de idade, Josimar de Souza Castillo, tem 49 anos, Servidor Público”.
Ao
retornarem em 1962 para Macapá, Maria Leonice foi trabalhar no Grupo Escolar
Azevedo Costa; em 1968 foi lecionar na Escola de São Benedito e retornou em
1970, ao Azevedo costa. “Assumi a secretaria da Escola Pequeno Príncipe, na
administração da Professora Marilene Franco e no ano seguinte assumi a direção,
permanecendo a frente da escola por nove anos. Em 1982 foi convocada para a
atuar na Secretaria de Educação do Estado a convite da então secretaria Annie
Vianna da Costa”.
Aposentadoria
A
dedicação do casal a educação estão tão enraizado na vida deste casal que a
aposentadoria foi profetada durante anos. Quem conta e Leonice “O Silvio se
aposentou com 43 anos de serviço, em 1992. Aposentei-me com 50 anos de serviço
e 69 anos de idade”
Mensagem
aos jovens
Para Maria
Leonice de Souza Castillo hoje está tudo diferente, o sistema escolar a relação
aluno x professor e a família x escola. “Mesmo com a escassez e dificuldades de
acesso as escolas, tínhamos facilidade em educar um aluno. Pois tínhamos apoio
da sociedade, da família e do próprio aluno que nos respeitavam. O professor
era um elemento de suma importância dentro das comunidades, muitas vezes,
conselheiro e resolvia os problemas. Hoje está muito diferente. Mesmo com todas
as ferramentas à disposição, os livros, infraestrutura, transporte, Internet,
enfim o nosso aluno não estão sendo bem formado e muito triste e decepcionante
vermos resultados tão baixos. Eu não sei se hoje conseguiria encarar uma sala
de aula. Outra preocupação e com o Ensino Infantil, o sistema tem que olhar com
carinho nossas crianças que estão adentrando a escolas. O Ensino Infantil e a
base da Educação”.
O
professor Silvio Castillo pede que os jovens procurem ter mais responsabilidade
no seu dia a dia, principalmente com sua formação. Valorizar as escolas e seus
professores.

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