sábado, 12 de maio de 2018

Artigo do Gato


Mea culpa, quem fez
Trucidou-se a alta estima de Williane, Miss Amapá, uma moça, que suponho ser bela em função do concurso que conquistou, onde o maior mérito é a beleza física. E a ração dos ataques virulentos nas redes sociais foi motivada pela informação equivocada de que o Marabaixo – manifestação folclórica afro-amapaense – havia surgido em função de um afrodescendente que nasceu no bairro Marabaixo em 1984. É um despautério, sim é; não resta a menor dúvida, porém sejamos honestos e não onestos. De quem é a culpa da desinformação da menina? Em parte dela, mas diria que colocando a culpa no campo da proporcionalidade, ela fica com a menor parte e a educação do Amapá fica com a maior parte. E arrisco: se em dez moças três responderem corretamente o que é Marabaixo, troco de nome. Isso lógico, você apanhando essas moças de forma aleatória.
Falta sim, valorizarmos nossa cultura, nossa gente, nossas coisas. É o berço dessa preocupação deveria ser a escola, mas com certeza não é. Estamos negligenciando nossa história, nossas raízes e nossas tradições. Falo de forma massiva, lógico que não ignoro os movimentos mantidas as duras penas por famílias afro-amapaense como a Gongo, Ramos, Pavão, Naira e os movimentos do nosso interior. A UNA – União dos Negros do Amapá é a mantida as turras pelo jovem Yuri Soledade, da família Ramos.
O último grande feito foi a criação da Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo, composta por uma plêiade de negros ilustres. Precisa abrir e considerar que o negro não é só aquele que traz o privilégio de ter nascido com a tez escura, todos nós tem o sangue africano nas veias, digo a maioria do povo brasileiro e o amapaense não foge a regra.
Precisamos de mais, muito mais. Precisamos que nas escolas nossa cultura seja ensinada, sem o preconceito às vezes velado outras vezes escancarado que percebemos. Marabaixo é coisa de preto, coisa de bebedor de pinga. Fecha esse barracão onde esses pretos fazem barulho à noite inteira. Lá se foi o barracão do pavão ser maculado, sob a obediência covarde dos que cumpriram a esdrúxula ordem de quem era intruso em Terras Tucujú, apesar de cumprir função pública destacada no Amapá, mas quem foi cumprir a ordem sabia que ali acontece anualmente uma manifestação sagrada em louvor ao Divino Espírito Santo e a Santíssima Trindade e a parte profana com o Marabaixo e os bailes.
Mas é assim. Atirar pedra é muito fácil, assumir sua omissão e o silêncio sobre as coisas que nos dizem respeito de perto é que é difícil. Aí para lavar a alma daqueles críticos do fato, sem nunca se preocupar com o contexto encontrou na definição infeliz motivo de sobra para os ataques.
 Alguns até gozaram, foram ao êxtase ao deitar crítica a ignorante, apedeuta, obtusa, burra que disse tamanha asneira. Quem repartiu a culpa? Quem disse: não! Nós temos que inserir definitivamente a história do negro em nossas grades curriculares, até porque a lei 10.639/03 assim já determina. Quem em sã consciência vai além de Castro Alves e Zumbi dos Palmares. Meia dúzia. É risível esse número. Essa adjetivação de que o Marabaixo surgiu no bairro do mesmo nome em 1984 é um pouco de responsabilidade de cada um de nós. Quem é João Barca, Ladislau, Natalina, Gertrudes, Zena Costa, Jurandir Carudo, Pavão, Julião Ramos, Tia Zefa, Sacaca e etc. São nomes apenas para muitos e, poucos sabem da contribuição cultural legada por eles a todos nós.
 




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