Principais adversários de Maduro nas eleições não formarão aliança
Aliança entre Henri Falcón e Javier Bertucci poderia dar aos opositores a chance de vencer Nicolás Maduro
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Os candidatos à presidência da Venezuela, Henri Falcón e Javier Bertucci (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
O ex-pastor evangélico Javier Bertucci e o ex-governador Henri Falcón, os dois principais rivais do presidente Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 20 de maio na Venezuela, não formarão uma aliança. Bertucci descartou nesta quinta-feira tal possibilidade.
A opção de formar uma coalizão ganhou força nos últimos dias, sobretudo depois que o candidato Luis Alejandro Ratti decidiu se unir à campanha de Falcón na terça-feira, deixando em quatro o número de concorrentes à chefia de Estado.
Além disso, uma aliança entre os dois — Falcón, que está em segundo lugar nas pesquisas, e Bertucci, em terceiro — daria aos opositores a chance de vencer Maduro e toda sua máquina administrativa, segundo a soma do desempenho de ambos nas últimas pesquisas divulgadas.
Após organizarem as agendas, as equipes dos dois candidatos se reuniram ontem à noite — ao invés de os próprios candidatos, como era esperado, em um sinal do distanciamento entre ambos.
As diferenças ficaram claras hoje depois que Bertucci afirmou que “seria uma enorme mentira” essa reunião para dizer a Falcón que seus eleitores “vão migrar para sua candidatura, porque eles não irão fazê-lo”, opinou.
Em entrevista à emissora privada Globovisión, Bertucci garantiu que seus correligionários são “chavistas que estão inconformados, incomodados” e também cristãos — que não votariam pelo candidato do Avanço Progressista (AP, partido de centro-esquerda) — e governistas desencantados e críticos com o Executivo há anos.
No entanto, o candidato não fechou a porta definitivamente para uma futura união — mas que se daria de maneira oposta, com Falcón se juntando à sua campanha — e reconheceu que uma aliança é o mais lógico.
“Eu sei que os meus votos não irão para lá (…) Por outro lado, os votos do outro candidato, não são dele, são contra Maduro”, argumentou o ex-pastor, convencido de que os simpatizantes de Falcón “podem migrar” para sua candidatura.
Falcón, por sua vez, não fez comentários sobre o encontro fracassado em seu dia de campanha no leste do país.
“Nada poderá deter a vontade de um povo decidido a mudar. Com uma avalanche de votos, alcançaremos o triunfo mais importante na história recente de nosso país. Você é o protagonista desta grande cruzada pela Venezuela, seu voto salvará o país da destruição”, disse Falcón a seus eleitores no Twitter.
Já o presidente Maduro, que segue como favorito para vencer o pleito, aproveitou o dia para seguir com suas visitas diárias a dois estados, neste caso Nueva Esparta (norte) e Guárico (centro).
Além de Maduro, Falcón e Bertucci, os quase 19 milhões de venezuelanos aptos a votar poderão também escolher o engenheiro Reinaldo Quijada, o candidato que manteve o perfil mais baixo até agora.
A escolha do chefe de Estado para o período 2019-2025 não será a única para os venezuelanos em 20 de maio, pois estes também elegerão os líderes dos conselhos legislativos dos 23 estados do país.
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