A Justiça
Amapaense, durante uma semana, recebeu a equipe de Correção do CNJ, que veio
avaliar as atividades judiciais do Estado do Amapá, e de acordo com o decano do
TJAP e atual vice presidente, desembargador Gilberto Pinheiro, a Justiça local
tem mostrado agilidade nos seus julgamentos. Isso é, confirmado no mês do Júri
onde Amapá é um dos mais céleres Estados brasileiros no julgamento de crimes
dolosos contra a vida.
Reinaldo Coelho
O corregedor nacional de Justiça, ministro
Humberto Martins, abriu oficialmente, no dia 5 de novembro, os trabalhos de
inspeção no Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP). Durante o evento deu destaque
para a missão de auxiliar a Justiça do Estado a satisfazer os anseios do povo
amapaense.
“Temos um planejamento no sentido de visitar
cada gabinete de desembargador – do presidente ao corregedor, passando por
todos os demais – e averiguar números de processos, preferências no julgamento
e mecanismos de agilização”, explicou Martins.
Além disso o ministro, que participou ainda
da cerimônia de abertura do Mês Nacional do Júri e da 13ª Semana Nacional de
Conciliação no Estado do Amapá, afirmou que pretende captar e reconhecer as
boas práticas, mas também eventualmente fazer recomendações que possam
proporcionar uma justiça cada vez mais rápida, eficiente, produtiva e de
qualidade.
Humberto Martins ressaltou que o corregedor
não deve ser visto como aquele que aterroriza, inacessível ao diálogo; e, sim,
como aquele que tem a função de orientar e contribuir na melhoria dos serviços.
Atividade essencial
O presidente do TJAP, desembargador Carlos
Tork, destacou que a inspeção é uma atividade essencial para manter o
Judiciário sendo constantemente aprimorado. Ele garantiu que toda a equipe está
muito tranquila com esta correição.
“Foram criados diversos mecanismos de gestão
judiciária, administrativa e orçamentária que aprimoraram nosso dia a dia na
prestação jurisdicional, na produtividade geral e na otimização de recursos,
mas é perfeitamente natural que venham recomendações, pois ninguém é perfeito e
nosso papel é tentar melhorar mais e mais os serviços que entregamos ao
cidadão”, disse o desembargador.
A inspeção é um procedimento de rotina,
determinado pela Portaria nº. 77, de 26 de outubro de 2018.
Após sete dias de trabalhos intensivos, onde
a equipe do CNJ teve o apoio incondicional de todo o quadro funcional e dos
magistrados do TJAP, a reportagem do Tribuna Amapaense esteve com o
vice-presidente e decano do Poder Judiciário amapaense, desembargador Gilberto
Pinheiro, onde além do serviço de correção, apresentou outras ações exitosas
das atividades judiciais do Amapá.
A Correção do CNJ
De acordo com o desembargador Gilberto
Pinheiro, que completa 28 anos de desembargo e de ser o único amapaense a
compor esse quadro no Poder Judiciário do Amapá, a visita da correção do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vem acontecendo em todos os Estados
brasileiros. "Essa ação do CNJ é a
de verificar e melhorar cada vez a prestação jurisdicional. Eles observam os
processos e os documentos e verificam se existem alguma falha e apresentam
soluções que visam sanar esses problemas. E isso é importante pois é uma ação
educativa e essa é a função do conselho, através da Corregedoria
Nacional".
O magistrado Gilberto Pinheiroexplicou que o
vice-presidente do TJAP preside a Câmara Única da Corte de Justiça amapaense e realçou
que essas visitas de correção são importantes, pois podem mostrar o trabalho
aqui executado pela justiça amapaense. "A
vinda do CNJ foi importante para nós, pois podemos assim mostrar a eficiência
do nosso trabalho. Diferente de outros Estados, onde o cidadão entra com uma
ação e passa de quatro a cinco anos para ser julgada no primeiro grau. No
segundo grau passa mais tempo. Aqui no Amapá ao contrário, por exemplo, na
Câmara Única não temos nenhuma apelação com mais de setenta dias. Isso é
importante, tanto que estamos fazendo sessão extraordinária para colocarmos em
dias os julgamentos. É importante".
Câmara Única do TJAP
A Câmara Única do TJAP é um Órgão Colegiado
que reúne mais de uma Turma para julgar processos de competência originária e
em grau recursal. É composta por todos os desembargadores, e é presidida pelo
Vice-Presidente, o desembargador Gilberto Pinheiro. A Câmara funciona com
quórum mínimo de três desembargadores, desde que todos estejam aptos a integrar
a composição dos julgamentos, ou seja, não apresentem nenhum impedimento legal.
"Compete à Câmara julgar originariamente
conflitos de atribuições entre autoridades judiciárias e administrativas
estaduais e municipais, mandados de injunção quando a elaboração da norma
regulamentadora for atribuição de autoridade ou órgão estadual ou municipal,
respeitada a competência do Tribunal Pleno".
O desembargador ressaltou que levar a justiça
para todos os amapaenses, em todo o Amapá, vem acontecendo desde que o Poder
Judiciário foi instalado. "Tenho a honra de ser um dos remanescentes da
primeira composição da justiça do Amapá, que completa 28 anos em janeiro de
2019. Procuramos sempre por em dias todos os processos, temos até plantãona
Câmara Única que presido. Sou também vice presidente que atendo os recursos
especiais e extraordinários que dou prosseguimento ou não aos agravos desses
recursos".
Mês do Júri no Amapá
Todas as comarcas do Estado do Amapá estão
realizando em novembro a programação do Mês Nacional do Júri. Estão agendados
77 julgamentos com objetivo de aumentar a celeridade nas resoluções de
processos criminais ligados a homicídios no Estado.
Em Macapá a programação iniciou desde a
segunda-feira (5) e acontece no Plenário do Tribunal do Júri, no Fórum da
capital. A maioria dos casos são de homicídios dolosos (quando há intenção de
matar), mas também estão sendo julgados crimes de infanticídio, aborto e
incitação ao suicídio.
Juiz do Tribunal do Júri de Macapá, Nazareno
Hausseler(foto Victor Vidigal/G1)
O juiz do Tribunal do Júri de Macapá, Nazareno
Hausseler, disse que a campanha tem um papel fundamental na diminuição do
número de processos em aberto.
"Esse esforço concentrado começou na última
segunda-feira, hoje nós já estamos no sexto julgamento. Isso com certeza irá
dar uma diminuída considerável no nosso volume de processos", disse.
O titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de
Macapá, Luiz Nazareno Borges Hausseler, revela que o Amapá é um dos mais
céleres Estados brasileiros no julgamento de crimes dolosos contra a vida.
Juiz Luiz Nazareno Borges Hausseler titular
da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Macapá, ao fazer em um programa de rádio, um
balanço positivo do primeiro dia do mês do Tribunal do Júri, quando foram julgados
77 processos em todo o Estado. Para ele o mutirão que se realiza no país é
necessário, por dá celeridade ao julgamento de processos, inclusive no Amapá,
apesar de ser um dos estados brasileiros que possuem menor número de processos
em atraso.
De acordo com o juiz durante a semana foram
julgadas 10 ações, das quais seis resultaram em condenações ou
desclassificações (condenação por crime de menor gravidade) e quatro
absolvições. “O trabalho tem sido muito produtivo graças a todos os atores
envolvidos, que são os advogados, promotores, meus colegas juízes,
serventuários da justiça e os jurados, que são os juízes de fato do Tribunal do
Júri, e quero aproveitar a oportunidade para registrar e agradecer o empenho de
todos eles”, pontuou.
Perguntado se está prevalecendo a
determinação da prisão imediata nos casos de condenação, Borges Hausseler
afirmou que não se pode aplicar a prisão em qualquer caso, por depender da
avaliação de determinadas circunstâncias, entre elas o perfil do acusado. Ele
ponderou que, pessoalmente, tem optado pela prisão imediata só quando a
liberdade representa risco à ordem pública, mesmo havendo decisão do Conselho
de Sentença para a prisão.
“Qualquer prisão tem que ser fundamentada e
nem sempre se deve interpretar a lei ao rigor. Participei com o doutor
Guilherme Lages (desembargador) em um curso sobre o tribunal do júri; na
ocasião houve votação e foi dito que a decisão dos jurados é soberana no que
diz respeito à prisão imediata após a condenação, mas essa prisão não deve
ficar adstrita apenas à decisão dos jurados, mas sim à avaliação do juiz, que
vai analisar várias circunstâncias, como se o réu esteve foragido, se ameaçou
testemunhas, se os antecedentes são péssimos e se representa riscos à
sociedade; têm que analisar todas essas circunstâncias. Esta semana, por
exemplo, houve prisões após condenações, mas nem sempre a decisão do jurado me
leva a decidir pela prisão”, ressaltou.
Dados da Secretaria de Estado da Justiça e
Segurança Pública (SEJUSP) mostram que até 6 de novembro de 2018 foram
registrados 224 homicídios dolosos no Amapá. O juiz Hausseler ressaltou a
importância da justiça no combate a essa violência.
"O número de homicídios vem em uma
crescente, isso é fato. Nós temos muitas esperanças que no próximo ano a
tendência seja a diminuição, em razão do compromisso que todos os políticos
assumiram. Entretanto, nós da justiça temos que cuidar desses que estão sendo
cometidos e procurar julgar o mais rápido possível para dar uma resposta à
sociedade", explicou.
Durante o mês serão realizados, diariamente,
dois júris no Fórum de Macapá, que acontecem simultaneamente em dois plenários
da casa.
A comarca do município de Santana, a 17
quilômetros de Macapá, irá julgar 13 processos durante a campanha. Entre os
casos há homicídios, tentativas de homicídios e roubo.
O 'Mês
Nacional do Júri' é uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e
acontece em parceria com o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), que desde
agosto vem organizando e solidando pautas à serem julgadas em todas as comarcas
do Estado.




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