EPAZ – Sucesso estadual e internacional
Argentina, México
e Panamá querem reproduzir programa educacional desenvolvido no Amapá após
apresentação no Congresso Internacional do CLAD, em Guadalajara.
Reinaldo Coelho
O Governo do Estado do Amapá propôso Programa de Educação para a Paz (EPAZ),
porque entendeu que a paz deve ser o princípio regente de todas as relações
humanas e sociais. Nesta perspectiva a escola é o ambiente favorável para sua
construção e disseminação de práticas educacionais positivas e preventivas
contra quaisquer tipos de violência, uma vez que tem a missão de formar
cidadãos mais humanos e solidários.
O objetivo é promover a cultura de paz, com a prevenção da violência e à melhoria da convivência nas unidades
educacionais, com o envolvimento da comunidade escolar. Na efetivação do
Programa Educação para a Paz foram admitidas parcerias, cooperação técnica e
financeira com agentes públicos e privados para contribuição na edificação de
políticas públicas de promoção, integração e desenvolvimento da cultura da paz.
A reportagem esteve com a titular da Secretaria de Estado da Educação (SEED),
Goreth Sousa e ao perguntar sobre o embrião do programa estadual ela foi
enfática – “Precisávamos reaprender coisas que lá atrás perdemos, como o
respeito pelo outro, a solidariedade e o amor. Acreditamos que a escola é um
dos ambientes para resgatar esses valores. Esse programa vai permanecer
discutindo, de maneira transversal, com todas as disciplinas, o tema da paz”.
Sucesso
internacional
O programa amapaense Educação para a Paz (EPAZ) foi destaque no
Congresso Internacional do Centro Latino-americano de Administração para o
Desenvolvimento, o CLAD. Dos 300 artigos apresentados no evento, que aconteceu
no México, apenas 10 eram do Brasil e o projeto da SEED foi o único da região
Norte.
O EPAZ reúne gestores, professores, estudantes, pais e comunidade para a
prevenção das mais diversas formas de violência nas escolas. Uma verdadeira
força-tarefa para trazer mais qualidade de vida, segurança e oportunidade para
os nossos jovens. O reconhecimento foi tanto que representantes da Argentina,
México e Panamá querem reproduzir programa por lá também.
Painel amapaense
encerrou as apresentações do Congresso do CLAD
Três países da América Latina querem reproduzir o programa Educação para
a Paz (EPAZ), desenvolvido pelo Governo do Amapá, através da Secretaria de
Estado da Educação (SEED), em suas redes de ensino. Representantes das nações
manifestaram interesse após assistirem a defesa do painel amapaense no
Congresso Internacional do Centro Latino-americano de Administração para o
Desenvolvimento (CLAD), sobre a Reforma do Estado e da Administração Pública,
que acontece em Guadalajara, México.
Autoridades governamentais da Argentina, México e Panamá disseram
enfrentar problemas de violência no ambiente escolar em suas redes estaduais de
ensino, parecido com o que enfrentava o Amapá no início da implantação do
programa EPAZ. Durante a apresentação do painel amapaense, essas autoridades
puderam tirar dúvidas e esclarecimentos sobre a iniciativa. A apresentação
ocorreu na Sala de Governo do Centro Universitário de Ciências
Econômicas-Administrativas (CUCEA) da Universidade de Guadalajara.
“No México agora que estamos começando a falar em justiça restaurativa,
enquanto que pedagogia restaurativa é algo mais inédito ainda. Conhecer o que o
Amapá está fazendo em sua rede de ensino é motivador. Agora vamos estruturar
uma comissão para manter contato com a Secretaria de Educação do Amapá para nos
ajudar a traçar o projeto mexicano”, destacou Guadalupe González, representante
do governo mexicano.
O painel que mostrou a prática de governo do Amapá teve como
coordenadora e palestrante, a secretária de Estado da Educação, Goreth Sousa. A
chefe de gabinete da SEED, Terezinha de Jesus Monteiro e, o assessor de
comunicação da Secretaria de Educação, Wellington Costa, também apresentaram
artigos sobre o EPAZ.
Esse ano pouco mais de mais de 300 artigos científicos, distribuídos em
134 painéis, foram apresentados no Congresso em Guadalajara em 8 áreas
temáticas. Desse universo de 134 painéis, 10 eram do Brasil, sendo a maioria,
pesquisas em parceria com outros países. A iniciativa da SEED foi a única da
região Norte do Brasil a ser selecionada.
“É uma honra ver o Governo do Amapá, através da SEED, ser referência
para outros países, se tratando de política educacional. Vamos cooperar no que
for preciso para que México, Argentina e Panamá desenvolvam projetos que tenham
a pedagogia restaurativa como pilar, assim como o Educação para a Paz, em suas
redes educacionais”, falou entusiasmada a secretária Goreth Sousa.
O programa Educação para a Paz quebrou um paradigma do Congresso do CLAD
2018. Foi a primeira vez que se discutiu política pública voltada para a área
da educação em um congresso do Centro Latino-americano de Administração para o
Desenvolvimento.
“Fico feliz que ver que o tema educação ganhou destaque nas discussões
do CLAD através do programa do Amapá. Precisamos implantar esse modelo de
pedagogia na rede de ensino do Panamá. Com a expertise do programa amapaense,
creio que ficará mais viável trabalhar a pedagogia restaurativa em nossas
escolas. Saio do Congresso empolgado para iniciar as tratativas com a SEED”,
enalteceu o promotor de justiça e pedagogo no Panamá, Virgílio Carrón.
Autoridades da Argentina, México e Panamá deverão iniciar as tratativas,
ainda esse ano, visando à assinatura de termos de colaboração entre os países e
o Brasil para a troca de tecnologia.
Avaliação
O público que acompanhou as apresentações pode deixar sua nota através doaplicativo oficial do evento para celulares. No aplicativo do CLAD 2018, a nota era quantificada em forma de estrelas, variando de uma a cinco estrelas, sendo esta última para nota máxima. O aplicativo também disponibilizou vídeos, fotos e a agenda completa da programação de 2018.
Sobre o Congresso Internacional do CLAD
O Congresso Internacional CLAD é um evento anual que se consolidou como o mais importante encontro da América Latina para apresentar e discutir experiências e pesquisas realizadas sobre Reforma do Estado e Administração Pública.
O Congresso reúne ministros e secretários de Estado responsáveis pelas
políticas públicas em questão, além de parlamentares, pesquisadores e
professores universitários e instituições especializadas, consultores, funcionários
públicos e sindicalistas.
Seus objetivos são promover o intercâmbio de experiências, pesquisas,
estudos e publicações sobre as principais dimensões do renovado processo de
reforma do Estado e, modernização da administração e gestão de assuntos públicos
nos países da Ibero-América e do Caribe. Bem como, nos outros países cujas
experiências são relevantes para a região, a fim de contribuir para o avanço do
conhecimento nessas áreas.
Uma avaliação da
pedagoga Goreth Souza, Secretária de Estado da Educação do Amapá sobre o
programa estadual EPAZ.
O EPAZ reúne parcerias e cooperação técnica com agentes públicos e
privados para fomentar a paz e a tolerância no ambiente escolar, por meio do
diálogo e de práticas educativas. O Programa EPAZ também cuida do grupo gestor
das escolas. A iniciativa oferece cursos de formação para os professores
atuarem como multiplicadores e facilitadores nos núcleos de mediação de
conflitos, instalados nas instituições. Com um ambiente harmonioso, de paz e
diálogo o processo de ensino-aprendizagem terá mais eficiência, proporcionando,
inclusive, mais qualidade de vida no trabalho dos educadores.
Tornando-se exitosa em sua execução na Rede Estadual de Ensino e
principalmente após a reunião dos gestores municipais com o governado do Amapá
e conseguindo uma cooperação dos municípios e especialmente o município de
Santana, que tornou-se uma Cidade Restaurativa.
Essa situação levou que o programa amapaense Educação para a Paz (EPAZ)
tornasse o destaque no Congresso Internacional do Centro Latino-americano de
Administração para o Desenvolvimento, o CLAD. Dos 300 artigos apresentados no
evento, que aconteceu no México, apenas 10 eram do Brasil e o projeto da SEED foi
o único da região Norte.
A titular da SEED é coordenadora da equipe amapaense no congresso,
Goreth Sousa declarou que "Participamos de um evento internacional e com
um público de toda a América Latina e o que percebemos que eles se deleitavam
com a discussão do combate a violência nas escolas, isso porque não era praxe
que um congresso Latino Americano, voltado para a reforma do Estado e da
Administração Pública, discutir primeiro sobre a educação e depois a Paz nas
Escolas. Que normalmente é discutidos por ONGs ou associação e não por
políticas públicas. Então o Amapá (Brasil) mostrou ser uma referencia nessa
área. É muito importante destacar que o Governador Waldez Góes, sempre
demonstrou essa preocupação com a questão da violência nas escolas".
Para Goreth Sousa o que foi confirmado no CLAD é que no mundo todo
existe essa violência nas escolas e que existe uma paralisação e impotência
para agir na superação desse desafio de violência nas escolas. "O Amapá
saiu na frente no enfrentamento e demonstrou aos países da America Latina,
política pública voltada para a Paz nas Escolas. É uma discussão de um conceito
intangível mais importantíssimo para os bons relacionamentos dentro da escola.
Então o Amapá foi lá e mostrou todo o caminho que percorreu".
O programa foi criado pela Lei Nº 2.282/2017 originada de projeto da
deputada estadual Marília Góes, que prevê a cultura de paz, prevenção da
violência e a melhoria da convivência nas unidades educacionais por meio de um
conjunto articulado de ações.
"Estamos há dois anos mergulhados nesse programa, que tem
legislação própria, é um programa de Estado. Temos ferramentas tecnológicas
para monitorar a violência nas escolas e principalmente contamos com pessoas
capacitadas para o enfrentamento, não na perspectiva de coibir,mas na de
restaurar e na de prevenir, para que não aconteça conflito dentro das escolas,
mas se acontecer a escola estará preparada para superar. EPAZ fortalece a
autonomia da escola, pois se ela está preparada e capacitada, os problemas não
vão para fora do educandário".
Pedagogia Restauradora
A gestora da educação amapaense destacou que o combate a violência não
se restringe ao físico, mas também ao psicológico, ao bullying, as questões de
gênero, os meninos respeitando as meninas, que sejam elas e suas opções, desde
do vestir ao estilo de vida. "O programa é muito amplo e está voltado para
essa pedagogia que restaura, que entende e principalmente que respeita, que
dialoga que desenvolve empatia pelo outro".
E é essa a principal ferramenta do EPAZ, a pedagogia restauradora, pois
fortalece as relações. "Nós esperamos que esse programa seja cada vez mais
ampliado e que eles chegue as escolas dos municípios, como a cidade sede do
município de Santana, que já é uma cidade restaurativa".
Questionada de como uma cidade se torna restaurativa, a gestora da
educação estadual explicou, exemplificando Santana, que está no caminho de se
tornar uma Cidade Restaurativa.
"A cidade de Santana é restaurativa, pois tem 100% de suas escolas,
municipais e estaduais pessoas capacitadas e preparando outras pessoas para os
bons relacionamentos. Com esses enfrentamentos temos meninos aprendendo melhor
a aprendizagem cognitiva e se relacionando melhor para a vida".
Colabora Educação
Essa estruturação tem outros programas estratégicos que fazem um link
entre si e possibilitam os resultados positivos que é alcançado. "O
governo amapaense lançou o Colabora Educação que é outro programa estratégico
de regime de colaboração entre os municípios e o estado. Foi feito um pacto com
os 16 municípios, pois não adianta melhorar a educação do estado se não for
feita a dos municípios. Estamos juntos, unidos por uma mesma causa".
O Governador Waldez Góes fez um Pacto de Colaboração em janeiro de 2018.
Esse pacto aconteceu através do Programa Colabora Amapá, plataforma que
consolida o Regime de Colaboração entre o Estado e as prefeituras para
fortalecer políticas públicas que garantam mais qualidade nos serviços
prestados à população, começando pela Educação e Inovação Tecnológica.
Um dos eixos contemplados no lançamento foi o Colabora Amapá Educação,
cabendo ao Estado coordenar as ações do Regime de Colaboração através da
criação de estrutura central e estratégica na Secretaria de Estado da Educação
(SEED) – prestar assistência técnica e pedagógica por meio da formação dos
professores, pedagogos e capacitação dos gestores municipais, bem como aprovar
legislações a fim de institucionalizar este processo.
A secretária de Educação, Goreth Sousa, frisou que é fundamental tratar
a educação de forma conjunta criando políticas públicas ideais que atendam a educação
como um todo. “Este é um momento de parceria e de oferecer ao cidadão amapaense
uma educação pública de qualidade. O governo do Estado já desenvolve várias
iniciativas de apoio aos municípios, a exemplo do Programa de Aprendizagem e
isso só reforça o nosso compromisso”, afirmou a gestora.
No eixo de aprendizagem, o Colabora Amapá compreende que a educação deve
garantir o desenvolvimento dos estudantes em todas as suas dimensões –
intelectual, física, emocional, social e cultural e se constituir como projeto coletivo,
compartilhado por crianças, jovens, famílias, educadores, gestores e
comunidades locais. Assim, a iniciativa é uma proposta que tem como foco a
formação de sujeitos críticos, autônomos e responsáveis consigo mesmos e com o
mundo, respeitando ainda o lado cognitivo e socioemocional dos estudantes.
O Colabora Amapá Educação conta com projetos que prezam pela formação
integral do estudante nos contextos de ensino-aprendizagem e socioemocional.
São eles: Programa Educação para a Paz; Escola Digital, Programa de
Aprendizagem; Escola Verde; Parceiros da Escola, entre outros.
"O governador fez um pacto, um pacto de aprendizagem e isso tudo
tem como base o que consta no texto da Constituição Federal, o Regime de
Colaboração, que infelizmente nunca se transformou em realidade, por quanto das
questões política partidária. Os políticos não conseguiam sentar e fazer uma
ação conjunta por uma causa e conseguimos fazer. O governador com os prefeitos
e eu com os gestores da educação dos municípios".
Parcerias e
capacitação de professores
Para promover a cultura da paz, estimular a resolução de conflitos e
melhorar o ambiente escolar, o Governo do Estado Amapá (GEA), por meio da
Secretaria de Estado da Educação (SEED), Ministério Público Estadual (MP-AP) e
Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), assinaram convênio que garanti a formação
de profissionais da Educação no curso de facilitadores de práticas
restaurativas. O projeto foi realizado nas escolas estaduais de Santana e
capacitou 80 educadores. Após a capacitação, os educadores deverão formar os
multiplicadores de práticas restaurativas.
O objetivo é aplicar nas escolas valores e metodologias da justiça
restaurativa, pacificando as relações e exaltando o diálogo, a comunicação não
violenta, a tolerância, solidariedade e compreensão como métodos de resolução
de conflitos, e colaborando, também, com a diminuição da evasão escolar
ocasionada por atitudes discriminatórias e preconceituosas.
De acordo com a secretária de Estado da Educação, Goreth Sousa, o curso
permite desenvolver competências socioemocionais, para tornar o ambiente escolar
mais acolhedor e estimular mudanças nas pessoas, transformando não apenas a
escola, mas a comunidade como um todo. “É possível tornar Santana uma cidade
restaurativa por meio das escolas. Vamos implantar a cultura da paz e despertar
em cada unidade escolar todo o potencial que ela possui”, ressalta.
Goreth Sousa complementa que serão capacitados, os estudantes, os
gestores escolar, merendeiras, coordenadores pedagógicos, os serventes para que
todos estejam prontos para quando o problema aparecer.
Quanto a comunidade do entorno serão treinadas e conhecerão o programa,
através de incentivo da própria escola. "Esperamos que em 2019, quando do
início do ano escolar, a escola quando acolhe a família e a comunidade possam
apresentar o EPAZ e abrir espaço para que pais possam ser capacitados e as
pessoas da própria comunidade", finalizou a gestora.



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