O
comandante Ricardo Jaques, condecorado com os títulos de cidadão macapaense e
amapaense, falou ao Tribuna Amapaense sobre a missão de patrulhar os rios e
levar atendimento social às comunidades ribeirinhas.
Da
Editoria
Aos 46
anos, o capital de mar e guerra, Ricardo Jaques, tem sobre os ombros a missão
de patrulhar os 22 mil quilômetros de rios navegáveis na região do Amapá, Pará
e Piauí. Com a modéstia que lhe é peculiar, diz cumprir esta colossal missão de
forma exitosa.
Carioca
por nascimento, Jaques diz nutrir um amor sem igual tanto pelo Amapá quanto
pelo Pará. Metade dos 28 anos de serviços militares na Marinha do Brasil foram
cumpridos na região entre o Pará e Amapá.
Hoje
comandando o grupamento de patrulhamento naval do Norte, ele leva aos rios da
região não apenas segurança pública, mas também ações sociais e de atendimento
médico à população ribeirinha.
Não foi
à toa que na última quinta-feira (9) à tarde, Ricardo Jaques recebeu o título
de cidadão macapaense na Câmara de Vereadores de Macapá, e logo em seguida o
título de cidadão amapaense na Assembleia Legislativa do Estado. Ambas são as
maiores honrarias concedidas pelas Casas de Lei.
Jaques
lembra que a primeira vez que navegou em águas nortistas era encarregado do
convés em um navio patrulha, embarcação que tem a missão de fazer cumprir as
leis, focando ainda na segurança do tráfego aquaviário e o combate aos crimes
ambientais. Ele também chegou a comandar o Navio Auxiliar Pará que presta
assistência hospitalar para comunidades ribeirinhas.
Sediado
em Belém, o grupamento de patrulhamento o qual Jaques é comandante tem sete
navios sob suas ordens. “Temos a satisfação de contribuir com a segurança
aquaviária, apoiando a Capitania dos Portos no Amapá e contribuindo com as
condições de saúde da população amapaense”, disse.
Jaques
entrou para a Marinha do Brasil em 1990 e formou três anos depois. Metade do tempo
de serviço militar foi cumprido na esquadra. A outra foi na Região Norte. No
Navio Escola Brasil, que tem a missão de formar os oficiais da Marinha, Jaques
chegou a ser instrutor. Tem ainda em seu currículo dois anos de serviços
militares nos Estados Unidos, onde participou de uma força tarefa de combate a
crimes internacionais, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas. “Muita
coisa que aprendi lá eu trouxe e adaptei à minha vida militar no Brasil. O
resultado disso é que, recentemente, nossos navios fizeram uma apreensão de 630
quilos de cocaína próximo a Ilha do Marajó”, ressaltou.
Segurança
nos rios
Para
Jaques, a parceria com os demais órgãos é o segredo para patrulhar com êxito os
rios da Amazônia. Ele ressaltou o intenso trabalho com a Polícia Federal,
Receita Federal e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da
Amazônia (Censipam). Diante dessa troca de informações e serviços, a Marinha do
Brasil tem apostado nas ações de inteligência para combater o tráfico e os
crimes ambientais na região. “Sabemos que o desmatamento e contrabando é uma
realidade. Se não trabalharmos de forma integrada, fica tudo mais difícil. Se
cada um tiver que ter o seu navio, a sua lancha, estaremos investindo de forma
ineficiente o dinheiro público. A Marinha, por lei, tem a obrigação de prestar
apoio às instituições e o trabalho tem sido executado de forma integrada. Só
este ano já apreendemos dez mil metros cúbicos de madeira ilegal, sete
toneladas de pescado ilegal, além dos mais de 600 quilos de cocaína
recentemente. O segredo tem sido essas parcerias para superarmos os cortes
orçamentários que ocorrem ano após ano. Se não fosse a integração entre os
órgãos a execução das funções ficaria muito difícil”, destacou.
O apoio
da bancada parlamentar do Amapá e do Governo do Estado são outros pontos
destacados por Ricardo Jaques para o cumprimento das missões. “A ajuda tem sido
muito eficiente. Esperamos que com os novos mandatos continuemos a contar com
esse apoio”, adiantou.
Parcerias
internacionais
As parcerias
que a Marinha firma para cumprir suas missões vão muito além do Brasil. Jaques
mantém uma troca, constante, de informações e parcerias com a Guarda Costeira
americana, DEIA e FBI.
São 22
mil quilômetros de rios navegáveis entre o Amapá, Pará e Piauí. Como é
impossível ter um navio a cada quilômetro, Jaques ressalta a necessidade de se
trabalhar com inteligência, sensoriamento remoto, imagens de satélites, entre
outras tecnologias, como por exemplo, as estações rádio que fazem uma varredura
nas comunicações de rádio feitas entre as embarcações. “Isso vem dando certo.
Mesmo com os cortes orçamentários este ano, conseguimos inspecionar em 2018
mais embarcações do que em 2017. Aumentamos o nosso número de patrulhamento”,
disse.
Em 2017,
a média de embarcações abordadas pela Marinha era de 7 por dia. Este ano, esse
número pulou para 12 embarcações diárias. Nos patrulhamentos, a Marinha
também identifica as áreas de maior concentração populacional que estão às
margens dos rios, levam atendimento social a esses ribeirinhos, além de
combater o crime.
Quando
necessário, a Aeronáutica tem prestado apoio às operações na região amapaense e
paraense, fazendo o mapeamento aéreo das áreas. A Marinha do Brasil também tem
recebido apoio da Marinha Francesa, na faixa de fronteira em Oiapoque. “Esse
trabalho conjunto é o que otimiza nossas ações. Mesmo sendo uma área muito
extensa, conseguimos cumprir nossa missão”, disse Jaques.
Em ambas
as solenidades onde Jaques foi condecorado na quinta-feira, seu empenho e
dedicação transparecem a boa vontade em levar o melhor ao povo ribeirinho, que
é tão carente de serviços públicos, mas que encontram na Marinha do Brasil um
alento às suas necessidades.

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