sábado, 10 de novembro de 2018

“Parcerias e inteligência são as armas da Marinha no patrulhamento da Amazônia”


  

O comandante Ricardo Jaques, condecorado com os títulos de cidadão macapaense e amapaense, falou ao Tribuna Amapaense sobre a missão de patrulhar os rios e levar atendimento social às comunidades ribeirinhas.


 Da Editoria
Aos 46 anos, o capital de mar e guerra, Ricardo Jaques, tem sobre os ombros a missão de patrulhar os 22 mil quilômetros de rios navegáveis na região do Amapá, Pará e Piauí. Com a modéstia que lhe é peculiar, diz cumprir esta colossal missão de forma exitosa.
Carioca por nascimento, Jaques diz nutrir um amor sem igual tanto pelo Amapá quanto pelo Pará. Metade dos 28 anos de serviços militares na Marinha do Brasil foram cumpridos na região entre o Pará e Amapá.
Hoje comandando o grupamento de patrulhamento naval do Norte, ele leva aos rios da região não apenas segurança pública, mas também ações sociais e de atendimento médico à população ribeirinha.
Não foi à toa que na última quinta-feira (9) à tarde, Ricardo Jaques recebeu o título de cidadão macapaense na Câmara de Vereadores de Macapá, e logo em seguida o título de cidadão amapaense na Assembleia Legislativa do Estado. Ambas são as maiores honrarias concedidas pelas Casas de Lei.
Jaques lembra que a primeira vez que navegou em águas nortistas era encarregado do convés em um navio patrulha, embarcação que tem a missão de fazer cumprir as leis, focando ainda na segurança do tráfego aquaviário e o combate aos crimes ambientais. Ele também chegou a comandar o Navio Auxiliar Pará que presta assistência hospitalar para comunidades ribeirinhas.
Sediado em Belém, o grupamento de patrulhamento o qual Jaques é comandante tem sete navios sob suas ordens. “Temos a satisfação de contribuir com a segurança aquaviária, apoiando a Capitania dos Portos no Amapá e contribuindo com as condições de saúde da população amapaense”, disse.
Jaques entrou para a Marinha do Brasil em 1990 e formou três anos depois. Metade do tempo de serviço militar foi cumprido na esquadra. A outra foi na Região Norte. No Navio Escola Brasil, que tem a missão de formar os oficiais da Marinha, Jaques chegou a ser instrutor. Tem ainda em seu currículo dois anos de serviços militares nos Estados Unidos, onde participou de uma força tarefa de combate a crimes internacionais, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas. “Muita coisa que aprendi lá eu trouxe e adaptei à minha vida militar no Brasil. O resultado disso é que, recentemente, nossos navios fizeram uma apreensão de 630 quilos de cocaína próximo a Ilha do Marajó”, ressaltou.

Segurança nos rios
Para Jaques, a parceria com os demais órgãos é o segredo para patrulhar com êxito os rios da Amazônia. Ele ressaltou o intenso trabalho com a Polícia Federal, Receita Federal e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Diante dessa troca de informações e serviços, a Marinha do Brasil tem apostado nas ações de inteligência para combater o tráfico e os crimes ambientais na região. “Sabemos que o desmatamento e contrabando é uma realidade. Se não trabalharmos de forma integrada, fica tudo mais difícil. Se cada um tiver que ter o seu navio, a sua lancha, estaremos investindo de forma ineficiente o dinheiro público. A Marinha, por lei, tem a obrigação de prestar apoio às instituições e o trabalho tem sido executado de forma integrada. Só este ano já apreendemos dez mil metros cúbicos de madeira ilegal, sete toneladas de pescado ilegal, além dos mais de 600 quilos de cocaína recentemente. O segredo tem sido essas parcerias para superarmos os cortes orçamentários que ocorrem ano após ano. Se não fosse a integração entre os órgãos a execução das funções ficaria muito difícil”, destacou.
O apoio da bancada parlamentar do Amapá e do Governo do Estado são outros pontos destacados por Ricardo Jaques para o cumprimento das missões. “A ajuda tem sido muito eficiente. Esperamos que com os novos mandatos continuemos a contar com esse apoio”, adiantou.

Parcerias internacionais
As parcerias que a Marinha firma para cumprir suas missões vão muito além do Brasil. Jaques mantém uma troca, constante, de informações e parcerias com a Guarda Costeira americana, DEIA e FBI.
São 22 mil quilômetros de rios navegáveis entre o Amapá, Pará e Piauí. Como é impossível ter um navio a cada quilômetro, Jaques ressalta a necessidade de se trabalhar com inteligência, sensoriamento remoto, imagens de satélites, entre outras tecnologias, como por exemplo, as estações rádio que fazem uma varredura nas comunicações de rádio feitas entre as embarcações. “Isso vem dando certo. Mesmo com os cortes orçamentários este ano, conseguimos inspecionar em 2018 mais embarcações do que em 2017. Aumentamos o nosso número de patrulhamento”, disse.
Em 2017, a média de embarcações abordadas pela Marinha era de 7 por dia. Este ano, esse número pulou para 12 embarcações diárias. Nos patrulhamentos, a Marinha também identifica as áreas de maior concentração populacional que estão às margens dos rios, levam atendimento social a esses ribeirinhos, além de combater o crime.
Quando necessário, a Aeronáutica tem prestado apoio às operações na região amapaense e paraense, fazendo o mapeamento aéreo das áreas. A Marinha do Brasil também tem recebido apoio da Marinha Francesa, na faixa de fronteira em Oiapoque. “Esse trabalho conjunto é o que otimiza nossas ações. Mesmo sendo uma área muito extensa, conseguimos cumprir nossa missão”, disse Jaques.
Em ambas as solenidades onde Jaques foi condecorado na quinta-feira, seu empenho e dedicação transparecem a boa vontade em levar o melhor ao povo ribeirinho, que é tão carente de serviços públicos, mas que encontram na Marinha do Brasil um alento às suas necessidades.


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