sábado, 26 de janeiro de 2019

Brigada Foz do Amazonas - Atalaia em terras amapaense


'Brigada Foz do Amazonas'

Atalaia em terras amapaense



“A implantação da brigada permite que o Exército aumente a presença do Amapá na fronteira da Amazônia, em áreas que atualmente se encontram vazias. Com capacidade maior, vamos ampliar a segurança nessas regiões”, destacou o general Luiz Gonzaga Viana Filho, comandante da 22ª Brigada de Infantaria de Selva.




Reinaldo Coelho 

TEXTO REVISADO – Ok


Brigada Foz do Amazonas
Atalaia em terras amapaenses

Reinaldo Coelho

Começa a terra. Começa o Brasil. Esta é a primeira terra do Norte do Brasil. Durante muito tempo esta terra equatorial foi conhecida pelo nome de seu cabo que mais avança no mar: Cabo Norte. Terras do Cabo Norte! Não terras frias, mares de gelo; mas rios majestosos, florestas exuberantes. Mas é amapá: a morada da água, a casa da chuva: o Amapá (*).
A presença do Exército Brasileiro em terras amapaenses vem se firmando em toda sua história. Mantendo a sentinela permanente e vigilante sobre a defesa da soberania nacional e das fronteiras brasileiras. O atalaia no município fronteiriço de Oiapoque, onde tem uma companhia sediada em Clevelândia, e na capital amapaense está sediado o 34º Batalhão de Infantaria de Selva e há um ano foi instalado pelo Exército Brasileiro a 22ª Brigada de Infantaria de Selva, “Brigada Foz do Amazonas”, que funcionará na área de Comando de Fronteira do Amapá. De acordo com o Comando Militar do Norte (CMN), o complexo operacional e administrativo vai abrigar até 3 mil militares, de três batalhões no estado, além do Pará e Maranhão.
O comando da brigada estará sob a liderança do general Luiz Gonzaga Viana Filho, reforçando que com a nova unidade operacional, o Exército seguirá um plano estratégico de segurança e defesa em áreas de fronteiras na Amazônia e outros países, como Guiana Francesa e Suriname.
“A implantação da brigada permite que o Exército aumente a presença do Amapá na fronteira da Amazônia, em áreas que atualmente se encontram vazias. Com capacidade maior, vamos ampliar a segurança nessas regiões”, destacou o general.


O general comandante participou de uma entrevista na Rádio Difusora de Macapá, com o jornalista Roberto Gato, ancora do ‘Jornal da Manhã’, e com o Jornalista Pedro Velleda, onde foram expostos as atividades militares do Exército Brasileiro no Amapá. Acompanhe.
O jornalista Roberto Gato arguiu o general sobre o que é uma brigada militar, para que o público tomasse conhecimento do que é como funciona essa instituição militar.
O comandante Viana Filho agradeceu a bancada e destacou a honra de estar participando do programa.
“É uma alegria e uma honra podermos conversar e poder explicar o que é a nossa brigada e porque o Exército Brasileiro instalou uma brigada de Infantaria de Selva no Estado do Amapá e o que é que nós fazemos, e nossas capacidades e objetivos na área do Amapá e na Faixa de Fronteira”.

O que é uma Brigada? – “Ao longo de cinquenta anos o povo do Amapá, especificamente os macapaenses conviveram com 3º BIS e depois 34º BIS, como o nome diz é um Batalhão, que é uma estrutura de combate do exército, comandado por um Coronel ou Tenente Coronel. Uma Brigada é uma estrutura maior e é comanda por um oficial general e a brigada ela comanda e coordena outros batalhões. Então, a nossa 22ª Brigada, instalada há um ano aqui em Macapá, ela coordena, ela comanda e tem sob sua subordinação o Batalhão de Macapá, Belém e de São Luiz e obviamente todas as tropas que estão na fronteira, no Oiapoque (Clevelândia, Vila Brasil) e até um pelotão especial de fronteira em Tireoide (PA). Então a Brigada é a estrutura de maior envergadura e que consegue reunir diversas outras estruturas de combate. Como: Batalhões de Infantaria, Grupos de Artilharia, Batalhões Logístico, Companhias de Comunicação, estrutura de Engenharia. No momento da implantação da nossa brigada, ela coordena, comanda e controla 3 batalhões e uma companhia. Depois no cronograma de implantação imposto pelo Exército Brasileiro, outras estruturas serão construídas e instaladas no âmbito da Brigada aqui em Macapá”.
Roberto Gato – Gostaria que o senhor disse de onde é sua origem, a sua naturalidade e como o senhor construiu sua carreira no Exército Brasileiro?

General Viana Filho – “Eu sou filho de um funcionário do Banco do Brasil, Luiz Gonzaga Viana e de Francisca Viana, mais velho de quatro filhos (Francisco (empresário), Sidnei (Coronel do Exército) e minha irmã Laiza Viana, advogada. Nascido na cidade de Picos (PI), tenho 53 anos. Logo minha família se mudou para o Ceará e entrei no Colégio Militar de Fortaleza com 11 anos de idade e fui para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, que fica em Campinas (SP) e dali fui para a Academia de Agulhas Negras (RJ), que é onde se forma os oficiais de carreira combatente do Exército. E lá me formei em 1987 como oficial aspirante a oficial de Infantaria. E assim começou a minha carreira de oficial, Morei em quase todos as regiões do País, em Maceió, São João Del Rei (MG), Rio de Janeiro, Mato Grosso, Aracaju, em Teresina (PI), em Tefé (AM), Manaus (AM) onde comandei o 1º BIS, servir em Brasília três vezes. Tive essa oportunidade no Exército junto com a minha família de morar e servir em várias regiões do Brasil. Na carreira militar temos algumas especificidades, uma delas é a de se movimentar com a família, ser transferido. Ao longo da carreira servir no exterior. Como Major fui observador das Nações Unidas no Sudão, durante um ano e nessa função, acompanhamos o plebiscito, que depois veio a dividir o país em Sudão e Sudão do Sul. Morei na Argentina onde participei de um curso pelo Exército em Buenos Aires e por fim, passei dois anos como Adido Militar do Exército no Chile, nos anos de 2014 a 2016. Fui promovido a Oficial General em 2017 e tive a honra e a felicidade de assumir o Comando da 22ª Brigada de Infantaria de Selva e de ser o seu primeiro comandante e de estar conduzido a sua implantação da mais nova brigado do Exército, que chamamos carinhosamente chamamos de ‘Brigada Foz do Amazonas’, por estar instalada aqui em Macapá, nas Terras Tucujus, na Foz do Rio Amazonas”.
Roberto Gato – Eu sou um fã das Forças Armadas, por questão da disciplina. Não servir, eu era jogador de futebol e quando era para me apresentar, fui levado para o futebol do Pará, no Clube do Remo. E acabei não servindo. Eu vejo com bons olhos do Exército e da sua organização. Eu vivi o período militar no Brasil, e estudante da Escola Pública e a assistência que o Estado Brasileiro dava aos jovens carentes (uniforme, merenda escolar, material escolar). Como o senhor ver esse estereótipo do militar brasileiro. Parece que durante o período que o Brasil viveu sob o Regime Militar, tínhamos somente homens truculentos de pouca capacidade intelectual e cerceador da liberdade.
General Viana Filho – Sua colocação é perfeita, realmente é um estereotipo. Já nasci depois da revolução de 31 de Março, sou de 1965. Vi nos governos militares, um período de muito progresso, de muito desenvolvimento econômico, isso é inegável. Acredito que isso, com a maturidade política e social do nosso povo e com os livros de história, vão se arrefecendo os ânimos. Era um período muito conturbado, de muitos movimentos revolucionários no mundo. O mundo era praticamente partidário, de esquerda e direita muito aflorado. E tinha se vivido, revoluções comunistas na Rússia e na própria Cuba na América Latina e o Regime Miliar, eu poderia dizer como extrato teve muitos aspectos positivos para o Brasil, não podemos esquecer que toda a infraestrutura brasileira foi construída no Governo Militar, o desenvolvimento de nossas comunicações, as nossas grandes hidroelétricas são oriundos do governo militar, as grandes rodovias. Então essa infraestrutura deixada para o País, permitiu, depois que o governo passou para os civis de forma natural, sem ter uma guerra interna, democraticamente, O governos puderam aproveitar dessas estruturas, dessa base econômica e continuar o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Roberto Gato – Como é que o senhor como oficial general, viu esse processo. O senhor estar falando, não estou aqui para concordar, mas os seus argumentos sejam convergentes aos meus eu vou concordar. De fato o Brasil, teve um planejamento de desenvolvimento com as Forças Armadas, vide que criamos a EMBRAPA e o IBGE, que são institutos de pesquisas, um para fazer uma radiografia do Brasil e apresentarem os sintomas sociais do país e a Embrapa para perseguir a tecnologia, para melhorar a nossa produção. As Forças Armadas, se ausentou, devolveu o poder aos civis e ficou assistindo, de uma forma muito silente o que foi acontecendo. Inclusive a imagem das Forças Armadas do Brasil. Dizendo que foram cerceadoras da liberdade e tão somente. Deram ênfase ao Regime Militar que se transformou na falta de liberdade de expressão, assim colocado pela imprensa, houve censura, tortura e isso foi o que acabou prevalecendo na instituições de ensino, sobretudo nas Universidades. A juventude de 30 anos, eles tem esse pensamento. Recentemente voltei para a academia, estava estudando e vi a garotada, o professor falando de Ditadura. Tive fazer uma intervenção e pedir para ele me explicar o que era uma ditadura. Pois eu entendia que não tínhamos vivido uma ditadura no Brasil, e sim, um Regime Militar. Pois, tínhamos o bipartidarismo aqui, tínhamos eleições. Se você tem dois partidos, tem uma outra parte para se pronunciar, ditadura tem Cuba que tem somente um partido. Essa distorção, como vocês acompanharam de dentro dos quarteis. Vocês disseram: Vamos ver até vai chegar!
General Viana Filho – Depois do Governo Militar, sentiu a maturidade política e social bem estabilizada no País, acredito, pois era muito novo e ainda não era militar e identifico que as Forças Armadas foram cumprir a sua missão constitucional, o que prevê o Artigo 142, o Poder Político deve ser exercido pelo cível, seja ele civil de origem militar ou civil, mas é o poder civil, que deve estar a frente do Poder Executivo, Judiciário e Legislativo. E as Forças Armadas, o militar com um extrato bem característico da nosso sociedade, foram cumprir sua missão constitucional e que sempre cumpriram o que prescreve o Artigo 142 da Constituição Federal – que é Defesa da Pátria, a preocupação com a Segurança dos Poderes Constituídos, apoiar as ações subsidiárias que o Exército e as outras forças apoiam no Brasil, contribuindo com o desenvolvimento nacional. Mas que queria destacar que o Exército Brasileiro esteve presente em toda a vida nacional, em toda a formação social do nosso povo e da nação brasileira. O Exército nasce com a união da raças, do indígena, do negro, do branco, para expulsar os holandeses. Então com esse nascimento, já cria na população o espirito de sentimento de nação BRASIL. E o sentimento de três raças, que o Brasil sem ser independente de Portugal, já se unem para expulsar o invasor. Depois do nascimento e da criação como instituição, o Exército esteve presente na Independência do Brasil, na luta pela abolição, ele nunca aceitou se Capitão de Mato, perseguir o escravo, pelo contrário, o Exército foi a instituição que mais apoiou serviu de catalizador para a abolição no Brasil. O Exército esteve presente na Proclamação da Republica, na luta democrática para manter a Democracia, um dos fundamentos da nossa Constituição, e o Exército esteve presente, também, de forma nítida, clara, no desenvolvimento econômico do Brasil até os dias de hoje. Hoje, Roberto, podemos caracterizar, hoje a ao longo de 30 anos para onde olharmos teremos o Exército contribuindo com o Progresso brasileiro, com a população mais carente. Nesse exato momento nos coordenamos a distribuição de água para todo o semiárido do Nordeste, em uma área gigantesca, nós construímos estradas por esse Brasil afora. Nesse exato momento o Exército constrói parte da BR 163 que vai ligar o mato Grosso ao Pará. O Exército está envolvido agora na duplicação da BR 116, construiu inúmeros açudes e represas pelo Brasil afora. O Exército atua apoiando a Saúde Indígena, apoia as campanhas de vacinação, distribuição de provas do Enem, colabora com a Segurança Pública. Recentemente, passamos um tempo, de forma bem explicita, colaborando com a Segurança Pública no Rio de Janeiro com intervenção. Está presente a Nação Brasileira, talvez é a instituição que mais caracteriza a presença do estado Brasileiro. Você, pode andar o Brasil de Norte a Sul, de Leste ao Oeste, e que você não diga, aqui tem um quartel do Exército, aqui tem uma representação do exército. Aqui é meu País, aqui eu me sinto representado. E na nossa região, a Região Amazônica, somos a única instituição que caracteriza o Estado Brasileiro, estamos presente em todo o arco fronteiriço, com nossos pelotões especiais de fronteira. Aqui no Estado do Amapá, estamos presente há muitos anos, no Oiapoque, em Clevelândia com uma companhia, um destacamento em Vila Brasil, dentro do Parque Nacional do Tumucumaque. Nós estamos presentes na fronteira com Suriname, no Estado do Pará, com Pelotão Especial de Fronteira em Tiriós e poderíamos fazer todo o arco em Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, em todo a região fronteiriça do Brasil, por mais extrema que seja, nós temos uma representação do Exército, caracterizando ali: AQUI É O BRASIL, ESSE TERRITÓRIO É BRASILEIRO, nós estamos defendendo a soberania nacional e dando auto estima ao cidadão Brasileiro, de saber que seu Estado do Brasil está presente nesses rincões.

Roberto Gato – General, eu assisti uma entrevista do General Heleno e ele fazia uma crítica sobre as terras indígenas, da forma como houve as demarcações. Ele falava das terras ianomâmis, que são extensas e queriam criar um hino, uma moeda, criar uma nação ali. E ele dizia assim, ‘vocês não imaginam os riscos que corremos, se permitirmos que isso acontecesse, nós poderemos perder grande parte do território brasileiro’. E daqui a pouco alguém reivindicaria, ‘aqui é uma nação, nós vamos nos assentar aqui’. Vou me alongar na minha pergunta. Assisti também, uma palestra de um técnico da EMBRAPA aonde ele fala das intervenções internacionais no território brasileiro, através da criação das áreas de conservação, através de APAs, parques, nós temos 30% do território brasileiro com esse tipo de legislação protetiva, sobretudo na Amazônia, onde a pobreza é sentida, no sentido financeiro, não no sentido econômico, da potencialidade, mas pela escassez da educação, do gigantismo da região e das dificuldades que temos com a ocupação. A nossa baixa densidade demográfica, sobretudo no interior. Vemos na Amazônia, as capitais-estados, Macapá tem quase, se pegarmos área urbana e rural de Macapá, temos mais 70% da população centrada aqui e ai vai Belém, Manaus, Porto Velho, Rio Branco e Palmas. O senhor conhece mais do eu isso. Como o Exército vê essa situação. O técnico da Embrapa falou que a Lei do Quilombo foi criada para 12 quilombos, e temos de 296 quilombos, 600 áreas indígenas. Como podemos transformar essa região, onde o senhor nasceu também, nos nivelarmos aos centros mais desenvolvidos. Como o senhor vê essa situação do Brasil?
General Viana Filho – Nós militares, como todos os cidadãos brasileiros temos que cumprir a lei, obedecer a nossa Constituição e proteger as nossas riquezas. Hoje, realmente, nós temos uma grandes áreas do Brasil, protegidos por reservas florestais, florestas nacionais, áreas preservadas, temos as reservas indígenas, os quilombos, como você se referiu. O importante que respeitamos essas áreas que já foram demarcadas pelos nossos legislador, já que estão demarcadas e são justas as suas existência, como o legislador assim definiu, não cabe ao exército esse questionamento. O que nós preocupamos é muitas vezes o trabalho de entidades que se dizem organização não governamentais e muitas vezes orientadas por países ou por terras estrangeiras e que nem sempre estão defendendo os interesse nacionais. Então, lutamos hoje e temos uma tradição que nos muito orgulha, a de proteger e de defender os nosso indígenas, uma das figuras mais importante do no Exército Brasileiro, o General Rondon, que passou aqui pelas terras do Amapá, demarcando as fronteiras, tinha sua frase símbolo a defesa dos índios “De matar nunca, morrer se preciso for”, para proteger o indígena. O Exército brasileiro hoje verifica com preocupação o sofrimento de alguns indígenas que não estão tendo aquele apoio, tão importante para sua comunidade se desenvolver. Porque o indígena, não pode simplesmente ser tratado como um animal dentro de um zoológico, ele é um cidadão brasileiro como nós e tem direito a todos os direitos constitucionais, principalmente a saúde. E nós encontramos nesses rincões da Amazônia comunidades indígenas com dificuldades de alimentação, inanição, dificuldades em ter assistência de saúde e é essa a preocupação que nas reservas o povo indígenas tenha a assistência do Estado que ele merece como cidadão.
Roberto Gato – Eu lhe fiz essa pergunta proposital, eu entendo sua disciplina como militar, eu acho que não vou conseguir extrair do senhor aquilo que eu gostaria de ouvir e o senhor sabe o que lhe estou perguntando. O risco da nossa soberania! E como o Exército tem nas suas funções precípuas no Artigo 142 da Constituição Federal – Preservar e salvaguardar a nossa Pátria, eu vejo como risco, algumas medidas dos legisladores que se revestem de legalidade, mas são leis imorais e casuísticas, são leis de lesa pátria e isso não tem nada a ver com o interesse da sociedade brasileira, mais de uma meia dúzia e o resultado está ai. Diria que Raposa Serra do Sol, Parque Montanhas do Tumucumaque, seriam exemplos de medidas imperativas, sem discussão ampla com a sociedade, sobretudo com a sociedade atingida, como parte do Pará e do Amapá. Temos hoje o Jari praticamente sem nenhuma condições de crescimento, pois vamos dar de cara com o Parque Montanhas do Tumucumaque, que tem uma área de amortecimento com mais de dois quilômetros, então por isso que lhe fiz essa pergunta e vou finalizar com um assunto, que eu acho que o senhor já se debruçou sobre ele, que foi um Decreto assinado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, junto com o ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, que permite a França invadir até 150 quilômetros do território nacional, para buscar supostos garimpeiros que invadiram as terras franceses para garimpagem ilegal. Eles tem nesse decreto do ex-presidente da República autorização, inclusive para destruir tudo que eles entendam como usados para garimpagem ilegal. Quando o Brasil permite que uma força estrangeira avance no seu território, para agredir os seus filhos, eu vejo a Soberania Nacional abalada, foi nesse sentido que eu lhe fiz a pergunta.
General Viana Filho – Nós temos uma preocupação muito grande com a faixa de fronteira é uma das missões do Exército e a missão de qualquer cidadão, não é somente a preocupação militar mais de qualquer cidadão brasileiro é a importância de vivificarmos a fronteira, para caracterizar, aqui é território brasileiro, isso em qualquer fronteira com o Paraguai, Uruguai, Colômbia, por isso ali nascem os núcleos populacionais, são vivificados e se caracterizam o lado brasileiro com outras instituições. Pois quando você vivifica a fronteira, você leva para lá outros entes do Estado, para o cidadão ter o verdadeiro espirito da cidadania. Não adianta eu ter o caboco ribeirinho, ele morando no rincão da Amazônia, é preciso que ali chegue a saúde. O Estado se faça presente, o Estado não é somente um posto militar, nós somos o pelotão do Exército e não pode somente nós presente como Estado, o navio da Marinha, o avião da Força Aérea, nós temos outras entidades do estado nas três esferas, federal, estadual e municipal que tem que estar presente, primeiro dar esse espirito de cidadania. E a nossa preocupação com referência à sua pergunta que foi muito positiva, é exatamente por isso. Como grande faixa de nossa fronteira, eu sempre faço palestras, principalmente para formadores de opinião, eu tenho caracterizado: Nós devemos, nós somos, Roberto, o País que mais protege suas florestas no mundo, nenhum país pode nos cobrar, apontar o dedo para nós, porque enquanto a Europa tem 3% de floresta preservado, nós temos quase 70% preservadas. Quem não fez a lição de casa, não pode agora questionar a nossa preservação e temos compromisso internacionais de chegar até 2030, com desmatamento zero, e isso é orgulho para o nosso País. A Amazônia tem que ser preservada mesmo, a nossa fauna, nossa flora. Mas, não podemos, no intuito de preservar a floresta perder ou arranhar a nossa soberania. E um dos arranhões que eu verifico e exatamente em estarmos em grande parte da faixa de fronteira, cobertas por parques nacionais, por florestas e até mesmo por reserva indígenas, impede o nascimento de núcleos urbanos, impede criação de municípios, de vilas e com isso temos do outro lado da fronteira, os nossos países vizinhos fazendo cidade, desenvolvendo núcleos urbanos, ou seja, criando núcleos populacionais que tem atração econômica, financeira e do nosso lado da fronteira ‘vazio’. Um ‘vazio’, que não deixa de ser perigoso e preocupante. E porquê? Por que do nosso lada de fronteira nós temos parque nacionais como é o caso do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. O Vila Brasil, que fica dentro do Parque do Tumucumaque é uma vila teoricamente não deveria existir, porque está dentro de um parque nacional, porem ela é anterior ao parque. Mas hoje, pela legislação, impede que esse núcleo populacional cresça, não é para crescer. As reservas Ianomâmis, realmente importante para proteger o índio, não existe povo ianomâmis e sim índio ianomâmis brasileiro. Para nos militares não tem diferença de um cidadão branco, negro ou índio, são índios cidadãos brasileiros e cuidaremos deles e queremos que eles se desenvolvam. Nessa grande reserva ianomâmis  que pega praticamente toda a fronteira com a Venezuela, é uma reserva, e como o nome já diz, por ser reserva impede o nascimento de municípios, então isso é uma preocupação para o Brasil, porque grande parte da sua faixa de fronteira está coberta por parque nacionais, importantíssimos, quero dizer que não contra, os parques nacionais as reservas, florestas são importantes para manter a Amazônia, mas o que poderíamos ter é uma faixa de fronteira que o legislador podia definir essa  faixa em 100, 10 quilômetros, não cabe a nós militares definir isso. Mas permitir uma faixa em que fosse possível a instalação e o desenvolvimento de núcleos urbanos para manter a soberania e no restante manteríamos as florestas nacionais e as reservas indígenas, sem alterar a legislação e preservando a nossa Amazônia e os povos nossos das tribos indígenas.
Roberto Gato – Eu me impressiono, general, com essa capacidade de, eu não sei se a expressão é correta, se não for, me desculpe, a resiliência das Forças Armadas. Eu vejo assim, na sua fala, não ultrapassar o limite da lei. Eu vejo o senhor disciplinado para isso. Eu acho que a disciplina está dentro dessa conceituação filosófica do positivismo Comtiano que as forças armadas utilizam ‘Ordem e Progresso’ é uma frase positivista, eu vejo porque o Exército assistiu calado ao longos de todos esses e anos e continua de uma forma disciplinada, o Brasil derretendo aos olhos vistos. Eu não acredito que as forças armadas não viu isso, o nosso patrimônio sendo delapidado, as nossas terras e riquezas sendo entregues, potencialidades econômicas sendo negligenciadas de uma irresponsabilidade atroz. Der chegarmos a esse nível, mais vocês continuam sempre, dizendo assim; - Nós somente iremos intervir se nos chamarem. E aí esse estereótipo que eu citei, eu Roberto Coelho, com o Pedro Velleda na bancada sempre defendemos a capacidade intelectual do Capitão da reserva Jair Bolsonaro, que é o nosso presidente, porque eu acredito que alguém que passe na Academia Militar das Agulhas Negras, seja uma pessoa preparada... A sua formação acadêmica, qual é?
General Viana Filho – Eu me graduei na Academia Militar das Aguas Negras, depois capitão nos realizamos um curso de aperfeiçoamento, que corresponde para nós, uma pós-graduação em Ciências Militar, como Major eu realizei o Curso de Estado Maior no  Rio de Janeiro, na Escola de Estado Maior e Comandos de Estado Maior do Exército, eu sou mestre em Ciências Militares e área civil, eu tive a felicidade de me formar em Direito e então essa formação militar e mais os cursos de preparação de combate, paraquedismo, guerra na selva, montanha, são mais específicos.

Roberto Gato – Para encerramos e tomarmos café. Eu tenho ficado maravilhado com os oficiais que estão ocupando de destaque na nossa República, ai eu cito General Mourão, Augusto Heleno, Ferreira e o General Carlos Alberto dos Santos Cruz, com memes na mídia, que era truculento e iria cuidas das ONGs, assistir uma entrevista dele com a jornalista Miriam Leitão, um gentleman, um homem polido, um intelectual, ele deu uma aula para a Miriam Leitão ele destruiu a entrevistadora, destruiu tudo o que ela perguntou de forma capciosa, maledicente. Entre as perguntas dela teve essa ‘e as fazendas improdutivas?’ – o General Cruz respondeu – ‘improdutivas para que?’ Quem é que define a improdutividade de uma terra. Quem está credenciado para dizer se ela é isso? Nós seguimos a lei e a lei prescinde de ideologia. Não quer saber se é de esquerda, de direita ou de centro. A lei, dura lex, sed lex. Ele agora que está de gravata, eu fiquei... Conversando com o senhor percebemos a tranquilidade e seu conhecimento e sua capacidade. Eu sei que o senhor tem limites e não vai estar aqui respondendo o que eu quero, mas o que o senhor pode responder, eu sei disso aqui, porque já falei para meu amigo Pedro Velleda que é lá do Sul do país.

Pedro Velleda – Eu queria somente tirar uma dúvida. O senhor, General, falou em brigada que reúne escalões. Isso quer dizer que vai ter uma divisão do Exército aqui no Amapá, nessa região?

General Viana Filho – O que vai acontecer e já está acontecendo, nós vamos aumentar os efetivos aqui no Amapá, com a implantação de outras organizações militar, seguindo um cronograma do governo federal e do Exército. Em breve nós teremos outros quarteis, como tem o 34ª BIS, já temos o Comando da Brigada, já temos a Companhia da Brigada, que é um outro quartel. Em breve nós teremos uma companhia de comunicações, uma organização militar de Polícia do Exército, poderemos ter em breve também uma Companhia de Engenharia e outra de Artilharia. Porque todas essas estruturas fazem parte de uma Brigada. Primeiramente a Brigada foi implantada inicialmente com os Batalhões de Infantaria e estamos sendo o, primeiro comandante dessa brigada e ela não está somente em Macapá. Comandamos o 34ª BIS em Macapá, o 2º BIS em Belém, em São Luiz o 24ª BIS e a Faixa de Fronteiro. Eu gostaria, depois, ter a oportunidade de explicar aos amapaenses a importância que o Exército deu e porque ele resolveu colocar em Macapá, porque podia ter colocado em Santarém ou sem São Luiz. Eu queria deixar para os leitores duas considerações muito importante. A primeira é sobre o decreto que você falou é uma preocupação para todos nós, mas eu posso garantir ao cidadão brasileiro, particularmente ao cidadão do Amapá, que na nossa faixa de fronteira, não entra, não entrou e nunca vai entrar nenhum estrangeiro. Nós temos um relacionamento muito bom coma França, particularmente como o Exército Francês, fazemos operações juntos na fronteira, nos fazendo o patrulhamento no lado brasileiro e eles no lado francês e coibindo os crimes ambientais e os crimes fronteiriços, que em toda área de fronteira é um local favorável ao ilícito, porque é muito fácil você cometer o crime e passar para o outro lado, mas em que pese esse bom relacionamento e o trabalho conjunto que fazemos com o Exército Francês e do Suriname, nunca o exército francês veio atuar na nossa faixa. Isso não permitimos, o exército brasileiro não vai autorizar e a soberania brasileira, posso aqui a afiançar para todos os brasileiros está mantida com as Forças Armadas Brasileiras, sem a presença de militares estrangeiros.
Roberto Gato – Nós conversamos na Capitania dos Portos, sobre um curso ou um encontro, que o Exército quer fazer com os comunicadores do Amapá, com os veículos de comunicação, com as instituições, para fazer o nivelamento de linguagem como tratamento de catástrofes. Como é isso?
 General Viana Filho – Muito obrigado, pela oportunidade. Eu além de agradecer, peço o apoio do Pedro Velleda, que estou conhecendo hoje, e dos amigos comunicadores da Imprensa do Amapá, para que nós montemos esse simpósio, ou o nome que queiram dar. Qual é a ideia nossa. Nós queremos após um ano aqui no Amapá implantando a Brigada, queremos servir de catalisadores para favorecer vários aspectos na área de comunicação social, inteligência, segurança com as outras instituições parceiras. O que pretendemos? Temos a ideia agora no mês de Março, de fazer uma reunião, com todos os órgãos de imprensa e as estruturas de comunicação social do governo estadual e municipal, das secretarias, do Exército, da Marinha, podemos convidar outros instituições federais. Então nos momentos de crise, de calamidade, importantes, é fundamental que tenhamos essa visão da imprensa como disseminadora da notícia, como formadora de opinião para a população. A imprensa é órgão com maior capilaridade para chegar no cidadão, muitos estarão ouvindo o rádio, vendo a televisão, lendo o jornal impresso e amplidão das redes sociais, temos de usar a nosso favor. E queremos o apoio de vocês.

(*) Do livro AMAPÁ: A TERRA ONDE O BRASIL COMEÇA, do ex-presidente da República e ex-senador pelo Amapá, José Sarney e Pedro Costa. 

 



 

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