– Direito & Cidadania –
As malditas “pragas do Egito” do Estado do Amapá
Por Dr. Besaliel Rodrigues
Uma sucessão de flagelos paira sobre o Estado do Amapá desde o início deste ano eleitoral de 2020. Conta a história que, há cinco mil anos, lá no antigo Egito, Deus permitiu que dez pragas atingissem aquele povo para compungi-los a libertar da escravidão o povo de Israel. As dez pragas daquela época foram: 1- Transformação da água do rio Nilo em sangue; 2- Invasões de rãs; 3- Piolhos; 4- Moscas; 5- Morte do gado; 6- Chagas; 7- Chuva de pedras; 8- Nuvens de gafanhotos; 9- Trevas; e 10- Morte dos primogênitos. Conta a Bíblia, em Êxodo, caps. 7 ss., que o principal motivo da permissão daquelas pragas foi devido às péssimas decisões políticas do governante da época, Ramsés II.
No Estado do Amapá as coisas não estão muito diferentes. Nas últimas três décadas estamos acompanhando, impávidos, uma sucessão de governos e gestões que estão levando a sociedade amapaense a um colapso “egipciano”, sem precedentes na história recente da república brasileira.
A impressão que se tem é a de que todos os políticos tradicionais do Amapá não passam de camaleões. Mudam de cor assim que a conveniência manda. Se o povo, a partir de agora, não mudar o seu voto, as “pragas” irão continuar se proliferando por aqui. Porém, em Macapá, a rejeição aos políticos tradicionais é grande depois desta série de flagelos. Mas eles tentam, com atitudes holofoteanas ou caridosas, tirar essa imagem da cabeça dos eleitores até o dia da eleição. Será que a memória do povo é curta?
Voltando à nossa alegoria inicial. Várias daquelas pragas egípcias parecem atingir o Estado do Amapá em versões mais modernas. Vejamos:
1- Sacrilégio: Primeiro o ano começa com o carnaval mais desrespeitoso da história do Brasil. No sambódromo do Rio a cena principal foi a de Jesus sendo arrastado por satanás em via pública. Em outros estados da Federação crucifixos e outros objetos sagrados foram objeto de escárnio. Em Macapá, as principais lideranças políticas se uniram a uma gigantesca multidão e entupiram as ruas da Capital fazendo apologias no mesmo sentido;
2- Vírus: A pandemia do COVID-19 teve administração local tão desastrosa que colocou o Estado nos piores lugares de infecção e morte em todo o país, fato noticiado em todas as mídias. Somente depois da enorme repercussão, as autoridades resolveram liberar medicamentos para o povo que melhorou imediatamente de um dia para o outro;
3- Violência policial: De forma absurda e inexplicável policiais molestam cidadãos amapaenses de bem. As ações covardes foram filmadas e repercutiram em toda a Nação brasileira. O governador do Estado se viu obrigado a pedir desculpas publicamente para toda a população pelas redes sociais;
4- Apagão: Lá no Egito foram três dias. Aqui no Amapá foram vinte e dois dias sem energia elétrica. Considerado um dos maiores blecautes da história recente da humanidade, tudo isso em pleno século 21, fruto da negligência desastrosa dos representantes políticos amapaenses, em nível federal, pois um dos papéis principais de um parlamentar é a fiscalização da coisa pública;
5- Fome e sede: Junto com o apagão energético aconteceram desdobramentos. A alimentação em todos os lares e na maioria dos comércios estragou. O fornecimento de água potável foi comprometido. O povo teve que se submeter a matar a sede com água comprometida. Crianças, adultos e anciãos adoeceram;
6- Prejuízos e perdas materiais: Ainda como consequência do famigerado e estúpido apagão, eletrodomésticos queimaram, casas pegaram fogo, remédios estragaram, o calor se tornou insuportável e, com janelas abertas, os carapanãs atacaram o povo, lembrando os piolhos, moscas e gafanhotos egípcios, gerando grande desconfortos a todas as famílias. Fica aqui uma pergunta: Quem vai indenizar efetivamente todos esses prejuízos?
7- Mentiras: Lá na época das pragas do Egito, Faraó mentiu demais. Cada praga era fruto de uma mentira do referido governante. Tudo muito parecido com o nosso caso por aqui. Nossos políticos têm se apresentado de forma oportunista, todos se esquivando, jogando a culpa uns nos outros, apresentando situações furadas, na maior cara de pau, achando que o povo não está manjando tantas mentiras furadas;
8- Silêncio: Tal como a praga das “trevas” egípcias, parlamentares municipais, estaduais e deputados federais sumiram e deixaram o povo sem informação ou explicações, à míngua. Todos em suas redomas, num silêncio sepulcral.
9- Enchentes: Dez minutos de chuvas torrenciais deixaram a Capital no fundo. Dezenas de obras em espaços públicos, inacabadas, largadas em reta final de mandado, entupiram a precária rede de esgoto da cidade, revelando o péssimo saneamento básico que temos. Vários parlamentares amapaenses votaram contra a recente lei de saneamento básico aprovada a duras penas pelo governo federal.
10- Tromba d’água: Por fim, agora, há dois dias, uma tromba d’água se manifesta em frente à estátua de São José, na orla da Cidade. A população, incrédula, ficou vendo e filmando a cena, como que se fosse a coisa mais natural. Será que não é o sinal de algum prenúncio?
Por fim, que maldição é essa que o nosso Estado do Amapá está passando? Será que as nossas pragas por aqui já cessaram? Oremos!
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