PAI: UM CORREDOR QUE VIROU ENFERMARIA
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| Improvisação de leitos no PAI/HCA. ( Jornal da Record, R7) |
Por Jarbas de Ataíde
Em meu artigo de abril sobre o aniversário de 30 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente-ECA, me reportei ao descaso, omissão e falta de responsabilidades dos governos que defendem nos palanques as politicas sociais, mas na prática não cumprem o que dizem nas promessas e nas redes sociais:
“Na área da assistência em saúde o ECA é apenas uma “carta de intensões”, com baixa efetividade e muita pouca resolutividade, com negação de direitos e de cuidados também nas unidades de saúde, hospitais e nas emergências infantis, onde o descaso é gritante.
As restrições, os decretos e as medidas da pandemia não são motivos para os responsáveis da fiscalização das ações governamentais sejam deixadas de lado. Os órgãos de controle externo, os parlamentares e a própria população têm o dever e a obrigação de ouvir as denuncias e tomar as devidas providenciais.
É justamente num serviço essencial que atende as crianças, que essa situação está ficando cada vez mais preocupante. No único hospital público de Macapá para assistência às crianças, as garantias do ECA não estão sendo cumpridas em sua integralidade: falta de leito de internação e de enfermaria digna.
O Pronto Atendimento-PAI/HCA, com 20 anos de existência, não tem infraestrutura para internar, o que deve ser feito nas dependências do HCA, após 24 horas de observação. Mas o que está acontecendo é que as crianças estão ficando internadas, acolhidas e cuidadas em leitos improvisados no corredor, em condições indignas, inseguras e insalubres.
Após procurarem a assistência ou uma consulta nas UBS, as crianças recebem, em vez de acolhimento e a assistência devida, um não, principalmente na pandemia. São despachados e empurrados para procurar o Pronto Atendimento (PAI), sobrecarregando o serviço com casos de atenção básica, chegando a ser mais de 80% da demanda.
Ao chegarem na urgência/emergência (PAI), após tentarem uma simples consulta pediátrica na UBS, são internadas num leito improvisado em vez de uma Enfermaria. A improvisação do corredor as coloca em contato com doenças transmissíveis que ocupam o mesmo espaço. O Ministério da Saúde estabelece leitos de isolamento privativo. O espaço é reduzido e insalubre, enquanto logo ao lado temos a obra paralisada do HCA, cuja conclusão ficou nas promessas de eleição. Até as crianças com suspeita de Covid-19 ficam alojadas numa sala improvisada no final do dito corredor.
Quando esse ínfimo espaço (- 3 m de largura/ 30 comprimento) está lotado de berços e cadeiras, as crianças, acompanhantes, agentes de limpeza, equipe de enfermagem se amontoam de tal forma, que causa congestionamento, numa tremenda contradição para quem está vivendo a pandemia de uma doença transmissível pelo contato e aglomeração.
Em 2015, quando estava nessa mesma situação, o promotor de Defesa da Saúde ficou assustado com tudo o que viu. "Existe uma grande quantidade de pacientes. Falta de leitos, equipamentos, medicamentos. O cenário que a gente encontra é um cenário de guerra", disse o promotor de justiça André Araújo.
Já, em 2019, Eduardo Monteiro, em fiscalização do CREMAP, comentou: “as mais de 40 crianças internadas estavam em macas e até cadeiras que se transformavam em leitos na enfermaria e nos corredores do PAI. O hospital tem 18 anos e é o único público especializado no atendimento a crianças e adolescentes no estado”.
Outra deficiência marcante é a falta de profissionais e recursos humanos, , para receber as crianças. A lotação é tanta que até no corredor do antigo hospital também estão colocando as crianças. Profissionais sobrecarregados de serviço.
A cada dia o corredor/ enfermaria do PAI encurta o espaço, virando um verdadeiro cubículo, em contraste gritante com outras instituições moderna, luxuosas e imponentes, mas onde o povo pobre/doente não pisa e nem é defendido. 24.05.2021
Improvisação de leitos no PAI/HCA. ( Jornal da Record, R7)

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