- Direito & Cidadania –
Os migrantes e a contribuição para o desenvolvimento agrário no Estado do Amapá
Dr. Besaliel Rodrigues
A história demográfica do Estado do Amapá não difere, significativamente, dos demais estados da federação brasileira, em particular daqueles que integram a Região Amazônica, onde a ocupação do espaço sempre esteve ligada à exploração de seus recursos naturais.
A criação do Território Federal do Amapá, em 1943 como Área de Segurança Nacional, provoca uma efervescência populacional para o setentrião brasileiro nos anos que se seguiram à sua criação. Sem dúvidas, é este um marco importante para compreender o atual estágio de "crescimento" populacional no eixo Macapá-Santana.
Conforme preceitua Ricardo Ângelo Pereira de Lima, nas décadas de 1950 e 1960, a Política Desenvolvimentista do governo federal propiciou a implantação de grandes projetos econômicos, ao mesmo tempo em que mobilizou a população de outras regiões para ocupar os chamados "vazios demográficos amazônicos". Essa política teve relativo efeito nas demografias regional e local, gerando uma ocupação progressiva de terras devolutas e fomentando o surgimento de novos núcleos populacionais.
Ainda, no extinto Território Federal do Amapá, o processo de ocupação urbana triplicou com a implantação da Indústria e Comércio de Minérios S/A – ICOMI, que tinha por finalidade a exploração do manganês para atender as indústrias siderúrgicas do Brasil, Europa e Estados Unidos.
Dentre as novas posturas assumidas pelo Estado está o incentivo irrestrito ao industrialismo, ao rodoviarismo e ao integracionismo nacionais, à custa do intenso processo de reconstrução fundiária em todo país: expulsão de lavradores e de índios (5.095 no Amapá em 1995) de suas terras, degradação ambiental e intenso fluxo migratório no sentido campo-cidade e entre todas as demais regiões do país.

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