Morte em duas rodas
Acidentes com motos lideram óbitos no trânsito
Em todo o país, às mortes causadas por acidentes com motos. têm aumentado mais que as provocadas por muitas doenças epidêmicas, revelam três pesquisas divulgadas recentemente. No Amapá, os números relacionados à acidentes de trânsito, confirmam essa tragédia nas ruas, avenidas e estradas amapaenses.
Das 48 mortes registradas em 2011, entre 1° de janeiro e o último dia 16 de junho, quase à metade envolveu motos. Segundo dados do repórter policial João Bolero Neto, dos 48 óbitos, 21 tiveram motos na tragédia e outros 15 à participação de carros, 10 de bicicletas e 2 pedestres.
Os números não são oficiais, mas o próprio diretor presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), João Gomes, afirmou recentemente ao jornal Tribuna Amapaense, que a média local de acidentes envolvendo motos estaria acima da média nacional. Segundo o diretor, a média nacional é 4 acidentes envolvendo motos para cada dez registrados no total. Aqui estaria chegando a 7 para cada dez ocorrências de acidentes.
Nós últimos 3 anos, em 2010 foi registrado o maior número de vítimas até agora. Das 126 mortes no trânsito amapaense, registradas durante o ano passado, 58 envolveram motos. Nos dois anos anteriores, a proporção foi um pouco menor, porém, às vítimas de moto sempre foram maioria. Em 2009, foram 103 óbitos com 34 vitimas fatais envolvendo motos e em 2008, foram 93 dos quais 32 levou à morte o motoqueiro e, muitas vezes, também o carona.
Números da tragédia é maior que óbitos
Durante recente entrevista, o secretário de estado da saúde, Evandro Gama, afirmou que à maioria dos leitos do Hospital de Emergência do Estado, vem sendo ocupado por vítimas de acidentes de trânsito, boa parte delas, pilotos ou caronas de motos.
“O setor de atendimento das vítimas de trauma do Hospital de Emergência vive lotado. Isso tudo representa um prejuízo enorme, tanto para às famílias dessas pessoas, como também para o Estado”.
Segundo Evandro Gama, recentemente o estoque do final de semana de “pinos”, utilizados nas cirurgias para atender pessoas com fraturas esgotou ainda na sexta-feira, e o hospital foi obrigado a providenciar um novo pedido em caráter de urgência.
No último dia 26 de abril, somente no período de 06h às 12h, ocorreram 9 acidentes de trânsito em Macapá, cinco deles envolvendo carros e motos, 3 carros mais bicicleta e 1 envolvendo dois carros. Esse último foi o único que não teve vítimas.
Aumento da frota e outros fatores
De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em dez anos, à frota de motos e motocicletas no Amapá teve aumento de mais de 600%. Em 2000, à frota era de 5.750 veículos, cinco anos depois, ou seja, em 2005, saltou para 15.026 e em 2010 chegou a 37.222. Com as facilidades realizadas pelas revendedoras durante às vendas em 2011, é quase certo que esse número já tenha ultrapassado à casa dos 40 mil veículos.
Boa parte desse crescimento, pode está relacionado ao serviço de moto-táxi em Macapá, que oportunizou uma nova atividade de trabalho para quem não tinha renda. Basta uma moto e dois capacetes para que jovens e pais de famílias desempregados, saiam diariamente nas ruas da capital amapaense. tentando defender a renda do dia-a-dia. A grande maioria deles atua de forma ilegal e, mesmo que quisesse, o poder público não teria condições de acompanhar tamanha frota de clandestinos.
Na disputa por passageiros, os legalizados e os clandestinos travam verdadeiras batalhas no trânsito. No meio deles, as motos particulares, carros, ciclistas e pedestres se somam ao trânsito já caótico.
Além do excesso de veículos, outros fatores estão relacionados ao crescimento significativo dessa estatística mórbida, como por exemplo, a imprudência e a falta de atenção dos pilotos, assim como a falta de respeito e os abusos cometidos pelos motoristas dos carros.
No natal de 2010, dois jovens entraram nessa triste estatística. Marcelo Almeida do Rosário, (19), e Eline Moraes Sales (16), estavam em uma moto na esquina da Avenida FAB com a Rua Hamilton Silva, quando foram violentamente atropelados por um veículo em alta velocidade. Eline morreu no local e Marcelo poucas horas depois. Segundo testemunhas, os dois estavam parados no trânsito quando sofreram a colisão.
Em fevereiro passado, o motoqueiro Rarisson da Silva Nascimento, 18 anos, morreu quando tentava fazer uma curva em alta velocidade e acabou colidindo de frente com o muro de uma residência próximo ao Ciosp, do Bairro Congós. No mesmo mês, o ciclista José Seixas Pantoja Tomé, 33 anos, foi atropelado por uma moto ao atravessar a Av. Ivaldo Veras. A moto era pilotada por Aldair da Silva Alves, 22 anos, que morreu dias depois no Hospital de Emergência. No mês seguinte, em outro registro, duas motos se chocaram. Em uma delas trafegava o Valmir Caetano da Silva, 27 anos, que morreu no local. O condutor da outra moto fugiu e não foi identificado pela polícia.
O mapa da tragédia não respeita o senso comum, em todos os casos os ingredientes foram praticamente o mesmo: irresponsabilidade, imprudência, falta de atenção e excessos de velocidade por parte de um dos envolvidos. Para quem pilota ou é carona da moto, o “para choque” é o próprio corpo. Quando à conseqüência não é a perda da vida, ficam as seqüelas físicas pro resto da vida.
Parte dos Custos
O neurotrauma é um grave problema de saúde pública no País, que pode ocorrer em diversas situações traumáticas, principalmente em desastres automobilísticos. Do total arrecadado pelo Seguro DPVAT, 44% são destinados ao pagamento de indenizações e à constituição de suas reservas técnicas; 4% ao custeio das despesas gerais de operação, como processamento de dados e pagamento de pessoal; 2% é a margem das seguradoras; 45% ao SUS (Sistema Único de Saúde), para o custeio da assistência médico-hospitalar de vítimas de acidentes de trânsito em todo o País; e 5% ao Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), para aplicação em programas destinados à prevenção de acidentes e de educação no trânsito.
Em 2010, o DPVAT- (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), pagou 252.351 indenizações às vítimas de acidentes de trânsito, sendo 50.780 ressarcimentos por morte, 151.558 por invalidez permanente e 50.013 reembolsos de despesas médicas e hospitalares. Em 2010, foram destinados R$ 2,296 bilhões para despesas de pagamentos de indenizações. O valor superou em R$ 261,6 milhões, o total pago no ano de 2009. Mais de 60% das indenizações foram pagas a vitimas de acidentes envolvendo motocicletas, veículo que representa só 26,38% da frota. Motociclistas lideram também às estatísticas de invalidez permanente e de reembolso de despesas. Mais de 68% das pessoas que receberam indenização por invalidez permanente estavam envolvidas em acidentes com motocicletas e 65,63% dos que receberam reembolso de despesas médico-hospitalares, foram vítimas de acidente com moto. Em 69,10% dos acidentes em motos, à vítima é o próprio condutor.
Dados da tragédia no país
Em dez anos, o número de motociclistas mortos em acidentes de trânsito aumentou 754%. De acordo com complemento do estudo Mapa da Violência 2011, pelo Instituto Sangari, em 1998 foram 1.047 mortes de motociclistas no país. Em 2008, esse número subiu para 8.939 mortes.
O pesquisador responsável pelo estudo, Julio Jacobo, atribui o aumento da mortalidade de motociclistas ao crescimento da frota na última década, que foi de 368,8%. “Há 30 anos, as motos representavam uma parcela praticamente insignificante do total de veículos. Era visto como um artigo de luxo e era inacessível à população de baixa renda. A partir da década de 90, houve a popularização das motocicletas.”
O pesquisador responsável pelo estudo, Julio Jacobo, atribui o aumento da mortalidade de motociclistas ao crescimento da frota na última década, que foi de 368,8%. “Há 30 anos, as motos representavam uma parcela praticamente insignificante do total de veículos. Era visto como um artigo de luxo e era inacessível à população de baixa renda. A partir da década de 90, houve a popularização das motocicletas.”
De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito, em 1970, de um total de 2,6 milhões de veículos, só existiam registradas 62.459 motocicletas - 2,4% da quantidade de veículos. Em 1998, a quantidade de motocicletas subiu para 2,8 milhões, o que representa 11,5% da frota total do país. Em 2008, o número saltou para 13,1 milhões, representando 24% do total nacional de veículos.
Se, na década estudada, a frota de motos cresceu 368,8%, isto é, mais de quatro vezes e meia, a de automóveis aumentou 89,7%. De acordo com a pesquisa, a taxa de óbito dos motociclistas oscilou de um mínimo de 67,8 mortes a cada 100 mil motocicletas em 1998, a um máximo de 101,1, em 2002. A média da década é de 92,3 óbitos à cada 100 mil motocicletas registradas.
“O risco de um motociclista morrer no trânsito é 14 vezes maior que o de um ocupante de automóvel. Se essa tendência continuar, em 2015, à morte de motociclistas no trânsito vai superar os índices de todos os outros veículos juntos”, afirmou Jacobo.
Previsão nada otimista
“A previsão da organização Mundial de Saúde, é que em 15 anos, os traumas em acidentes de motocicletas e carros passarão a ser a terceira causa de mortes. Hoje, no mundo inteiro, os traumas de acidentes de motocicletas e carros chegam a ser o décimo lugar”, declarou recentemente o ministro da Saúde, Alexandre Padilha .
“A previsão da organização Mundial de Saúde, é que em 15 anos, os traumas em acidentes de motocicletas e carros passarão a ser a terceira causa de mortes. Hoje, no mundo inteiro, os traumas de acidentes de motocicletas e carros chegam a ser o décimo lugar”, declarou recentemente o ministro da Saúde, Alexandre Padilha .
Padilha disse, que nos países emergentes, como o Brasil, às mortes por traumas em acidentes de motocicletas e carros, já ocupam o quinto lugar como causa de mortes.
Segundo o ministro, 140 mil pessoas estão morrendo por traumas de acidentes com veículos no Brasil por ano e que de 30% a 40% dos atendimentos nos Prontos-Socorros do país, são de pessoas com traumas sofridos em acidentes de motocicletas.
Todos os dias, pelo menos 18 pessoas morrem em acidentes de motos Brasil afora: em 2006, foram pelo 6.655 mortes em motos, 20% da matança diária no trânsito brasileiro (98 óbitos diários). Em 2001, a média era de 8,5 mortos em motos por dia. As taxas explodiram na última década: mais de 800% de aumento entre 1996 e 2006, de 0,4 para 3,6, por grupos de 100 mil.
Em 2006, em contagem ainda parcial, foram 6.656 mortes em motos (18 por dia). Em 2005, foram 5.974 mortes (16 por dia), contra 5.042 em 2004 (14 por dia), 4.271 em 2003, (11 por dia), 3.744 em 2002 (10 por dia) e 3.100 em 2001, (8 por dia). Em 2005, às mortes decorrentes de doenças causadas por protozoários (como mal de Chagas e verminoses diversas) mataram 5.428, e as infecções intestinais, 5.564 (15 por dia). Só a desnutrição matou um número semelhante: 6.876 em 2005.
Restrições à circulação de motos
O diretor do Denatran- (Departamento Nacional de Trânsito), Orlando Moreira, sugeriu restringir à circulação de motocicletas, como forma de diminuir o número de acidentes e negou que haja problemas de hierarquia na gestão do trânsito no Brasil.
Segundo a OMS, 20% das mortes no trânsito no país, vitimam condutores ou passageiros de motocicletas, é o dobro do registrado entre condutores ou passageiros de veículos com quatro rodas. O percentual de motociclistas entre as vítimas no Brasil, é oito pontos maior do que a proporção média mundial, de 12%.
Para Moreira, os índices deveriam estimular restrições à circulação de motocicletas em vias rápidas, como as já aplicadas em certos pontos de São Paulo.
O diretor defendeu também a modificação do código de trânsito brasileiro, para que motocicletas sejam impedidas de se deslocar entre os carros.
Aprovado em 1998, o código continha um artigo que proibia a circulação de motocicletas entre as faixas de rolamento dos demais veículos, mas o item foi vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, afirma Moreira, estuda-se a reincorporação do artigo.
Segundo o ministério da Saúde, os gastos com acidentes de moto dobraram entre 2007 e 2010, ano em que houve 150 mil internações relacionadas à ocorrência. Os dados fizeram com que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, dissesse no início do mês, que o Brasil vive uma "epidemia de acidentes de motocicletas."
Segundo a OMS, 20% das mortes no trânsito no país, vitimam condutores ou passageiros de motocicletas, é o dobro do registrado entre condutores ou passageiros de veículos com quatro rodas. O percentual de motociclistas entre as vítimas no Brasil, é oito pontos maior do que a proporção média mundial, de 12%.
Para Moreira, os índices deveriam estimular restrições à circulação de motocicletas em vias rápidas, como as já aplicadas em certos pontos de São Paulo.
O diretor defendeu também a modificação do código de trânsito brasileiro, para que motocicletas sejam impedidas de se deslocar entre os carros.
Aprovado em 1998, o código continha um artigo que proibia a circulação de motocicletas entre as faixas de rolamento dos demais veículos, mas o item foi vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, afirma Moreira, estuda-se a reincorporação do artigo.
Segundo o ministério da Saúde, os gastos com acidentes de moto dobraram entre 2007 e 2010, ano em que houve 150 mil internações relacionadas à ocorrência. Os dados fizeram com que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, dissesse no início do mês, que o Brasil vive uma "epidemia de acidentes de motocicletas."
Orlando Moreira, diz que o Contran -(Conselho Nacional de Trânsito), responsável por coordenar o Sistema Nacional de Trânsito, é integrado por vários ministros."O trânsito não é tarefa para um único ministério", diz.
Embora considere os atuais índices brasileiros de mortalidade no tráfego "inadmissíveis e preocupantes", Moreira diz confiar num programa recém-lançado pelo órgão para melhorar as estatísticas.
O Pacto Nacional pela Redução de Acidentes no Trânsito, afirma ele, se assentará nos cinco pilares seguintes, em ordem de importância: fiscalização, educação, saúde, infraestrutura viária e segurança veicular. No Amapá, de acordo com o diretor do Detran, João Gomes, o atual governador Camilo Capiberibe, espera reduzir os índices de acidentes em 50% nos próximos 10 anos.
Embora considere os atuais índices brasileiros de mortalidade no tráfego "inadmissíveis e preocupantes", Moreira diz confiar num programa recém-lançado pelo órgão para melhorar as estatísticas.
O Pacto Nacional pela Redução de Acidentes no Trânsito, afirma ele, se assentará nos cinco pilares seguintes, em ordem de importância: fiscalização, educação, saúde, infraestrutura viária e segurança veicular. No Amapá, de acordo com o diretor do Detran, João Gomes, o atual governador Camilo Capiberibe, espera reduzir os índices de acidentes em 50% nos próximos 10 anos.
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