Immanuel Kant (1724-1804) é considerado um filósofo revolucionário para seu tempo. Revolucionário não no sentido de Marx (1818-1883) que além de escrever filosofia também desejava vê-la aplicada.
No caso de Kant, ele operou o que se chama "Revolução Copernicana" em filosofia. Até Copérnico (1473-1543) acreditava-se que a Terra era o centro do universo e o sol e demais planetas conhecidos giravam em torno da terra. A partir dele (seus cálculos) Galileu (1564-1642) pode, com sua luneta, e mais tarde Newton (1643-1727) com sua matemática, demonstrar que é o sol o centro apenas de um sistema solar e não do universo inteiro.
Nesse sentido, até Kant, pensava-se que o sujeito (o homem que pensa) girava em torno do objeto (pensado), isto é, acreditava-se que os objetos quando se apresentam a nós têm neles mesmos suas qualidades de forma completamente independente de nós. É o que os medievais chamavam de "adequatio intelectus", quer dizer, a mente humana só pode perceber as coisas porque os objetos têm em si mesmos a cor, o cheiro, o sabor, as dimensões e etc.
Kant perguntou-se: e se invertermos a situação? E se for o objeto a girar em torno do sujeito? Então, se isso acontece, as qualidades dos objetos não estão neles mesmos, mas em mim (no sujeito). Sou eu (o sujeito) quem determina o que é o objeto. Em outras palavras, Kant percebeu que não é o objeto por si mesmo que se diz ao mundo, é a mente humana que diz ao mundo o que um objeto é.
A caneta que uso para escrever não pode me dizer nada sobre ela, quem diz sobre ela, o que ela é, sou eu. As qualidades que atribuo à caneta (ser de metal cor de titânio, ter ponta colorida, serve para escrever e etc) sou eu, enquanto sujeito que pratica uma ação, que a diz e não a caneta. Logo, para Kant é impossível o objeto ser conhecido porque eu (o homem) só conhece a partir de si mesmo, quer dizer, são os sentidos que transmitem ao cérebro aquilo que os olhos vêem, os ouvidos ouvem, a boca e o nariz sentem. E esses sentidos são falhos, por isso o cérebro ao decodificar as informações exteriores também pode se enganar em relação ao objeto. Mas Kant vai além, se determinado objeto é azul, a cor azul não está nele. Ele é azul porque reflete apenas o espectro azul da luz branca que vem do sol ou de uma lâmpada, então, mudando-se a cor da luz projetada sobre ele, muda-se a cor do objeto: e aí, o objeto que era azul agora é amarelo? O que posso dizer desse objeto, pois ambas situações fazem o mesmo objeto parecer outro?
Kant dirá, por isso, que a coisa em si, o objeto em si, não pode ser conhecido. Sendo assim, só se pode conhecer as coisas a partir da forma como conseguimos vê-las. Nossa mente traz em si mesma a idéia de espaço e tempo (é nessa relação que se dá o conhecimento para Kant), e aí dentro as relações geométricas (círculo, quadrado, retângulo) e de tempo (passado, presente e futuro). Sem esse binômio é impossível conhecer, segundo Kant.
Concluindo, quando uma criança afirma, a partir da experiência "a priori" que o sol está girando em torno da Terra, ela não está errada. É assim que o fenômeno se apresenta mesmo, porém falta aí o "filtro" da razão que lhe permite analisar o que está por trás dos simples fatos aparentes.
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