sexta-feira, 27 de abril de 2012

ENTREVISTAS

Entrevista com o presidente do Imap, Maurício de Souza

Presidente do Imap, Maurício de Souza,
 fala sobre a atuação  da Procuradoria  Geral

Tribuna Amapaense - Como é que está a situação legal das terras repassadas pela União ao Amapá e como o Imap se coloca nessa situação para expedir documentação de posse para os que estão trabalhando na área?

Maurício de Souza - Hoje, o Instituto de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial (Imap) não pode ainda, orientado por um parecer da Procuradoria Geral do Estado, emitir Título Definitivo nessas glebas que foram repassadas pela União ao Estado do Amapá. No entanto, esse próprio parecer da PG, que é o parecer 2011/96314, autoriza o Imap a emitir documentos provisórios, como o Termo de Posse, que não é um documento que dê a propriedade à pessoa, mas simplesmente identifica que há uma atividade sendo realizada sob a terra. Outro documento é o Termo de Concessão Real de Uso, onde o Estado cede essa área durante um determinado tempo para que seja executada uma atividade. Caso isso não ocorra, essa terra volta ao estoque do Imap. O parecer também pede e orienta que o Imap verifique as sobreposições. Quando uma pessoa faz um requerimento aqui no Imap, nós verificamos, obrigatoriamente, se não se sobrepõe às Unidades de Conservação, a Floresta Estadual do Amapá; Projetos de Assentamento, Terras Indígenas, áreas da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) ou áreas já tituladas. Tendo esse cuidado, nós podemos emitir o Termo de Posse e Termo de Concessão Real de Uso. Paralelo a isso, nós temos discutido desde o ano passado para que o Imap e o Estado possam realmente expedir os títulos, nós precisamos de um decreto regulamentador da lei. É o que está sendo discutido na Câmara de Conciliação, em Brasília. Esse decreto ainda não foi aprovado, ainda está numa fase de construção. Então, nós não podemos esperar o decreto ser aprovado, seguir todo esse roteiro que o decreto estabelece, para depois começar a fazer o trabalho fundiário no Estado. Enquanto isso está sendo realizado, nós temos emitido esses documentos, que não são muitos, e com toda segurança para que o Estado não pare do ponto de vista econômico, principalmente no setor primário.

TA – Com referência ao promotor do Meio Ambiente, Marcelo Moreira, que emitiu uma recomendação que obstrui a emissão de licenças ambientais pelo Imap e Secretaria do Meio Ambiente (SEMA).

MS – Ano passado, o Ministério Público, através da Promotoria de Meio Ambiente, três promotores, entre eles o promotor Marcelo Moreira, baixaram uma recomendação. O que nós temos discutido com a promotoria é: o Estado tem um posicionamento diferente, orientado pela Procuradoria Geral do Estado, demonstrando que isso vai causar um impacto muito forte no setor primário do Amapá. Ao mesmo tempo, entendendo a preocupação do MP, que é evitar que algumas áreas sejam legalizadas de maneira irregular, evitar que algumas áreas sejam fragmentadas querendo burlar a lei. Então, temos discutido junto com a Promotoria de Meio Ambiente, com a Assembleia Legislativa, o Incra e algumas associações, que entraram nessa discussão e a própria PGE. Na última reunião com o doutor Marcelo, ele demonstrou estar sensível a essa discussão, tanto que nós começamos a construir algumas alterações na recomendação. Temos certeza que teremos isso resolvido e clareado, com a participação do MP.

TA – Tomamos conhecimento extraoficial e parece que esses dias o promotor (Marcelo) estaria assinando um documento, concordando com esse fato que o senhor está abordando. Você tem conhecimento disso?

MS – Sim, na última reunião que tivemos nós criamos uma ajuda-memória, onde colocamos como Estado que temos que continuar emitindo esses documentos, temos preocupação com as sobreposições, elas seriam retiradas da recomendação. Só que ficou marcada uma outra reunião, e aí aconteceu um problema de agenda com o doutor Marcelo, e que está remarcada para este sábado (28), que ainda vai ser confirmada.Temos certeza que Estado, MP e todas as entidades que estão participando dessa discussão, vamos sair com um denominador que atenda às questões de segurança ambiental, segurança de economia, e, principalmente, que consiga coibir as irregularidades que anteriormente nós identificávamos dentro do instituto.

TA – Presidente, sobre essa problemática que resiste no entendimento de que as terras sejam do Estado ou pertencentes à União, qual o maior entrave nisso?

MS – Do ponto de vista jurídico, a nossa PGE deixa bem claro no parecer expedido que as terras, através da lei que repassou, a Lei nº. 11949, são do Estado. O que não podemos é expedir os títulos definitivos porque precisamos avançar nesse decreto regulamentador. Então, o esclarecimento para a população é que: o Estado é que vai fazer a regularização. Em alguns momentos ele pode fazer isso de forma compartilhada, com o programa da União Terra Legal. Mas é certo que vai haver participação do Estado no processo regulamentador. Não há possibilidade de essa discussão voltar a ser novamente regularizada pelo Governo Federal, até porque a PGE está sendo enfática ao dizer que isso não vai acontecer, além de haver uma Câmara de Conciliação que vai muito nessa direção. Não podemos retroceder em algo que brigamos muito. É importante esclarecer que algumas coisas não estão se efetivando, principalmente no que diz respeito à entrega do título definitivo, porque o caminho que está sendo discutido nesse decreto é demorado, ele depende de recurso, por isso que entra o apoio do GF. O Estado sozinho ele não tem como fazer todo esse trabalho de georeferenciamento. Tínhamos uma reunião agendada, mas que foi cancelada por conta de um atraso no voo de chegada do Governador, e que vai ser remarcada para que possamos estar apresentando à sociedade todos os avanços e dificuldades que o Governo tem encontrado na regularização fundiária.




Entrevista com o coordenador do Projeto Terra Legal




Coordenador do Projeto Federal do Ministério do
 Desenvolvimento Agrário, Luiz Henrique Costa
Tribuna Amapaense – A Promotoria do Meio Ambiente deu uma recomendação de número 2011/96314, que recomenda a abstência que estende a terceiros a qualquer título de regularização e ocupação dessas terras que foram repassadas da União para o Estado, mas que ainda está faltando regulamentação. Como é que está sendo feito isso na visão de vocês?

Luiz Henrique Costa – Nós temos um termo de cooperação técnica que está sendo trabalhado em Brasília, para que o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Imap trabalhem em conjunto. Agora, os termos provisórios que o Imap já emitiu não tiveram nenhum problema. O Estado, futuramente, receberá essas terras, e, quando receber, transformará de provisório para domínio, que é o definitivo. Então, nós estamos trabalhando em um Termo de Ajuste de Conduta juntamente com o Imap, Prodemac e com outros órgãos, para que possa sanar esses problemas criados por essa recomendação.

TA – Referente ao limite do tamanho da área a ser dado nesses termos, é determinado que os grandes proprietários não tenham o direito de receber esse termo?

LHC – Não, porque nós não trabalhamos com grandes proprietários. Nós trabalhamos até o médio proprietário, médio posseiro. Temos três divisões: até o 1 modo fiscal, que é o minifúndio; de 1 a 4 modos fiscais, que é a agricultura familiar; e nós temos de 4 a 15 modos fiscais, que é o médio proprietário, o médio posseiro.

TA – E o grande posseiro, quem fiscaliza? Quem dá essa documentação para ele?

LHC – Os grandes posseiros são as empresas reconstituídas, que são, no caso, algumas áreas da Ancel, alguns títulos vindos ainda do estado do Pará, que anteriormente poderia ser intitulado como área maior; mas como não damos nenhum título para áreas maiores que 15 modos fiscais, nós não trabalhamos com essas áreas.

TA – No caso aqui para nós é o MDA não é? E o Imap?

LHC – Ele não pode. A legislação estadual e a legislação federal têm o mesmo entendimento. O limite máximo para titulação pelo órgão fundiário é até 15 modos fiscais.

TA – E quem, legalmente, pode dar esse documento para esses grandes proprietários?

LHC – Hoje, apenas com um projeto de licitação de terra pública, ou com uma solicitação junto ao congresso nacional. Mas nós não estamos mais fazendo isso. Nós temos que fazer a regularização dessas áreas o mais rápido possível, para dar segurança aos agricultores e para, além de dar segurança a eles, possibilitar um desenvolvimento do nosso estado.

TA – Quer dizer que essa parte da lei, que a terra está sobre o controle do estado tem que regularizar o decreto que passou.

LHC – A terra ela foi pela lei passou 11.049, ela autoriza a passagem do patrimônio da união para o estado do Amapá. Mas estamos trabalhando nessa transferência. Hoje, nosso maior empenho é para excluir os bens da união e o remanescente passar ao Estado do Amapá, cumprindo as determinações relacionadas às áreas de preservação, terras indígenas e assentamentos.
Nós temos um acordo, além dos acordos de cooperação técnica junto com o governo do estado, nós temos também firmamos um convênio na ordem de mais de R$ 7 milhões de reais, para que o Estado possa fazer o geogerenciamento das posses dentro dessas áreas.


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