| Rogério Barros ''Pingo'' o campeão do 12º campeonato brasileiro de surf na pororoca |
Realizado na última semana nas águas do Rio Araguari, o 12°
Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca movimentou a região e trouxe para o
estado grandes nomes do esporte, reconhecidos dentro e fora do país. A
competição é realizada a cada ano em um local diferente da Amazônia pela
Abraspo (Associação Brasileira de Surf na Pororoca). Mesmo com as ondas de água
doce que são consideradas as melhores do mundo, o estado não sediava as
disputas há oito anos.
A fórmula de competição foi realizada sob a forma de
baterias, em que todos surfavam a mesma onda, e depois de cinco dias, o
paraense Rogério Barros. o “Pingo”, ficou com o primeiro lugar e faturou R$ 3
mil reais. Para o campeão, a maior dificuldade do campeonato foi o acesso até a
região da foz do Araguari. “Foi complicado chegar até lá, porque era longe, mas
fora isso, a organização nos deu toda a estrutura necessária para a competição”,
diz Pingo.
O vencedor conquistou pela primeira vez uma competição no
Amapá, e o que chamou atenção, foi o fato de Pingo ser atleta amador, embora já
bastante rodado na região, não vive completamente das pranchas e das ondas. “Eu
como atleta amador, senti a dificuldade de competir com atletas de nível
nacional, inclusive até do pentacampeão campeão brasileiro Adliton Mariano”,
afirmou o surfista, que já planeja voltar ao Amapá para competir de novo nas
águas do Rio Araguari.
Experiente em ondas marinhas, Dennis Tihara (BA), ficou em 3°
lugar. O baiano estreou na pororoca e sentiu a diferença em relação à praia. “Esta
é a primeira vez em que eu venho ao estado do Amapá, e a pororoca é
completamente diferente de tudo que eu já vi, para mim que sou acostumado com
os recifes de corais e ondas que duram normalmente 30 segundos, o baque foi
grande e isso acabou influenciando no meu resultado, já que na pororoca nós
temos apenas uma chance para surfar, eu acabei caindo logo no começo da
bateria. Independente da competição quero voltar aqui para desafiar novamente a
onda, e quero vir em uma época da combinação lua cheia e maré alta para
conseguir uma boa surfada”, afirma
Dennis.
O amapaense mais bem colocado foi Stanley Gomes, que ficou no
5º lugar. O atleta local, também é amador a exemplo do campeão, e mesmo
participando do campeonato brasileiro, encontrou dificuldades para estar em
alto nível. “Para quem mora aqui é muito mais difícil chegar para treinar, pois
o único local é a foz do Araguari, e as dificuldades de acesso e patrocínio são
muitas, e para mim que sou atleta só consigo ir lá uma ou duas vezes por ano”,
conta Stanley.
Além de atleta, o amapaense também é presidente da Federação
de Surf na Pororoca e Esportes Radicais do Amapá (Fesperap). E há algum tempo
está tentando conseguir patrocínio para montar um centro de treinamento de surf
na pororoca, o que irá possibilitar o acesso ao esporte para os ribeirinhos da
região.
Para o coordenador do evento, Chico Pinheiro, o 12º
Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca trouxe mais visibilidade para o
evento e consequentemente para o Amapá. “A competição atraiu para o Amapá a
cobertura da imprensa internacional que esteve acompanhando os dias de disputa.
Foi tudo um sucesso, sem imprevistos e tudo isso em uma competição de altíssimo
nível. Realizamos o campeonato em toda a Amazônia, mas a pororoca do Araguari é
a melhor do mundo, e provavelmente em março de 2013, o próximo campeonato
também será realizado por aqui”, finaliza Chico.
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