No último dia 16 de fevereiro, 1.700 pessoas de todos os Estados do Brasil reuniram-se em Brasília para fundarem um novo partido político, que pretende ser diferente, a começar pelo nome, no qual não aparece a palavra "partido": Rede Sustentabilidade, ou simplesmente #Rede.
O novo partido já nasceu fazendo política de forma diferente - em rede. As pessoas interessadas em participar da fundação da #Rede fizeram suas inscrições num site, compraram suas passagens e pagaram suas hospedagens em Brasília. Como bem frisou Marina Silva - ex-candidata à Presidência da República com 20 milhões de votos, em entrevista no Programa Roda Viva, da TV Cultura, "um partido convencional gastaria cerca de R$ 700 mil com passagens, hospedagens e alimentação. No nosso encontro, pessoas vindas de todo o país bancaram R$ 500 mil com os próprios recursos. Isso já é um diferencial. Os 300 fundadores da #rede ratearam o restante".
Trata-se de um movimento social espontâneo que nasceu ainda durante a campanha eleitoral de 2010, quando Marina Silva foi candidata à Presidência da República. Em 2011, tomou corpo e autodenominou-se "Movimento por uma nova política", que, segundo seus princípios, é livre, aberto, autônomo e democrático, suprapartidário e sem vínculo religioso, e busca a construção da sustentabilidade ambiental, social, econômica, ética, política, cultural e estética; acolhe as diferenças e a diversidade, buscando o consenso progressivo pela via do diálogo, do espírito de agregação e da postura colaborativa, da valorização das ideias e do conheci-mento, respeitando o direito à divergência; e valoriza a fraternidade e a cooperação como categorias políticas na construção do bem-comum, buscando um novo modo de fazer política: horizontal, participativo, dialógico, democrático, em rede.
O novo partido nasceu com o objetivo de ser uma das ferramentas - não a única - que o movimento disporá para construir a nova política que deseja ver implantada no Brasil.
A denominação do novo partido de "Re-de Sustentabilidade" - ou #Rede - não é à toa. O manifesto político dos seus fundadores afirma: "Acreditamos que as redes, como forma de agregação e organização, são uma invenção do presente que faz a ponte para um futuro melhor. A concepção de rede baseia-se numa operação democrática e igualitária, que procura convergências na diversidade. É um instrumento contra o poder das hierarquias que capturam as instituições democráticas e, ironicamente, fazem delas seu instrumento de dominação. Pois é em rede com a sociedade que queremos construir uma nova força política, com alianças alicerçadas por uma Ética da Urgência, tendo como horizonte a construção de um novo modelo de desenvolvimento: sustentável, inclusivo, igualitário e diverso".
"Os partidos têm o monopólio do fazer político. A #Rede que acabamos de criar é justamente para ajudar a quebrar esse mono-pólio", afirmou a ex-senadora Marina Silva. Reside aí uma das inovações trazida pela #Rede: a reserva de 30% das vagas nas eleições proporcionais para candidaturas independentes de cidadãos não filiados à #Rede que representem movimentos sociais rele-vantes para o País.
Outras novidades estão previstas no Esta-tuto: filiação somente para quem não se enquadra na lei da ficha limpa; divulgação em tempo real das doações e dos gastos de campanha por meio da Internet; teto para as doações eleitorais de pessoas físicas e jurídicas; a proibição de recebimento de doações por empresas do setor de bebidas alcoólicas, cigarros, armas e agrotóxicos; representação da #Rede por comissões no nível nacional, estadual e municipal e participação direta dos filiados na condução do partido, para evitar o surgimento de "caciques".
O grande desafio da #Rede será conseguir as 500 mil assinaturas necessárias à sua inscrição no TSE e vencer todas as exigências legais e burocráticas para sua formalização até outubro deste ano, para que possa ter candidatos defendendo suas bandeiras em 2014.
Nesse sentido, aposta na força das redes sociais e na ação voluntária das pessoas que acreditam que o "sonho é apenas aquilo que ainda não está realizado, é o teto sob o qual se reunirão aqueles que querem fazer valer a sua vida, que acreditam na força coletiva, que não aceitam interdições à sua liberdade e ao seu direito de aspirar a um futuro melhor", afirma o seu manifesto político, no site www.brasilemrede.com.br, onde é possivel baixar as fichas para coletar as assinaturas necessárias e entregar nos endereços estaduais, descritos no mesmo site.
A #Rede aparece como uma luz no fim do túnel para as pessoas que não concordam com a política do coronelismo, do cliente-lismo, nepotismo, maniqueísmo, narcisismo e da luta do poder pelo poder, do dinheiro pelo dinheiro. O Amapá precisa da #Rede!

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