ATLETA DE PONTA
Aluizio Santos Conceição – Fundista
Reinaldo Coelho
Da Reportagem
Qualquer atleta de ponta que faz um trabalho bonito com a bandeira do Amapá e do Brasil, tem que ser olhado e valorizado, tanto pelas empresas privadas quanto pelo governo. “Acho que muitos talentos de vários esportes desistem por nunca terem tido apoio. Um atleta de ponta é uma das maiores riquezas de um País - e isso é um pouco desvalorizado por aqui”. Esse é o desabafo do nosso atleta de ponta desta semana, Aluizio Santos Conceição, atleta fundista.
Aluizio Santos é um veterano do atletismo, 23 anos de idade e sete no atletismo, mas não pensa em parar tão cedo - e não parece ter motivos para isso, mesmo com a total falta de apoio dos poderes públicos municipais (Comel) e estaduais (Sedel), continua competindo em alto nível.
O atleta foi o primeiro a conquistar medalhas olímpicas fora do Estado, em 2007 (bronze na prova de 3.000m no Norte/Nordeste de Menores), 2008 (bronze na prova de 10.000m no Norte-nordeste de Juvenis) e conquistou prata na Milha Paraense Juvenil, comprovando que nosso Estado têm talentos no atletismo. “No estadual e nacional eu estou desde 2012 sendo o melhor fundista amapaense e já participei de três São Silvestres. Nesta sexta-feira (16), irei participar da Minimaratona no Rio de Janeiro. Sempre participo da Corrida de Aniversário de Belém, onde tenho dois pódios em 2011 e 2013, fui Campeão na minha categoria”.
Aluizio Santos destaca com orgulho que durante essa trajetória no atletismo, representou o Amapá nas melhores disputas nacionais e teve reconhecimento de grandes nomes do atletismo mundial. “Tive a honra de correr com Marilson Gomes dos Santos, que hoje é o melhor maratonista e atleta de fundo do Brasil. Em Belém participei junto com Wanderley Cordeiro da Silva”.
Mas, nem tudo é pista emborrachada para Aluizio dos Santos, na verdade ela nem existe aqui no Amapá, é um sonho de todos os praticantes do esporte um dia treinarem e competirem nesse tipo de pista. “Infelizmente, estamos esperando há 12 anos a entrega da pista do Estádio Zerão, somos obrigados a treinar ao lado do estádio ou na Orla do Santa Inês, isso bem cedo para evitar o intenso tráfego. Para competir, temos de fazê-lo em pistas improvisadas, na Faculdade FAMA, que possui cobertura asfáltica, o que pode levar à acidentes graves com os atletas, como aconteceu comigo, eu sofri uma queda e tive escoriações pesadas, tive que interromper minha participação em uma competição”.
Aluízio destaca que já são quase 10 anos de carreira, e teve que enfrentar muitos altos e baixos. “Várias vezes eu tive vontade de jogar tudo para o alto, mas o que me segurou foi o apoio da minha família e o amor pelo atletismo. Acho que Deus me deu uma coisa especial, não quero me desfazer dela tão cedo. Tenho que aproveitar isso ao máximo.
Além disso, independente de patrocínio ou não, nunca ganhei ou fui campeão para ter dinheiro. Sempre quis competir por vontade própria, para mostrar para o Brasil que tem alguém aqui. Para ter espaço lá fora, não basta ser campeão. Tem que ter algo mais”.
Ele ressalta ainda que: “Nunca tive um patrocínio amapaense forte, apesar de todo o trabalho que eu faço pelo Amapá. Já dei muita alegria para o Estado, represento o Amapá como poucas pessoas. Mas, esse desinteresse do governo e da prefeitura não é só com o atletismo e com o esporte de maneira geral, eles não têm prioridade e nem políticas públicas que incentivem os atletas. Isso é muito ruim, pois jovens como eu, não têm chances de garantir o seu sustento com seu próprio talento”.
Esse descaso e falta de interesse tem levado muitos jovens do esporte ao afastamento, ele relata que muitos já abandonaram o esporte e rumaram em direção à marginalidade e as drogas. “Em 2007, tínhamos uma equipe grande no Zerão, comandada pelo professor Sérgio Barros, mas agora apenas eu continuo. Um está preso por assalto, os outros desapareceram”.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
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