sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ECONOMIA

ECONOMIA
Sem investimentos do governo, produção primária é prejuízo no Amapá





Agricultores, criadores e pescadores amargam dificuldades e enfrentam concorrência desigual que encarece produtos locais



José Marques Jardim
Da Editoria

O setor primário existente no Amapá continua sendo o mais insignificante entre os Estados da Região Norte e Nordeste. Não chega a significar 5% de crescimento anual ficando atrás de Roraima (4,6%), Rondônia (7,3%), Sergipe (4,4%), Piauí (6,2%) e até o Distrito Federal (4%). Os percentuais são do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), que reúne informações sobre o crescimento do setor em todos os Estados do País. Economicamente uma vergonha dentro de um panorama que traz engessadas agricultura, pecuária, pesca e a produção de hortifrutigranjeiros e faz com que na prática, o Amapá não produza nada do que consome. O que existe é uma produção de subsistência surgida de pequenos projetos voltados para a agricultura familiar.
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Na Secretara de Estado da Agricultura, praticamente toda a verba é usada para pagar o frete de caminhões, que transportam agricultores onde negociam nas feiras do produtor, realizadas nas zonas Norte e Sul da cidade duas vezes por semana. Considerando o comportamento dos investimentos do Estado, conclui-se que o pensamento é micro para um setor que deveria ser visto como a base de reforço para a economia de um Estado que sobrevive do contra cheque do funcionalismo público há décadas. O que se tem, são propriedades de pequeno e médio responsáveis por uma produção que não significa relevância. Até 2011, pouco mais de 20 fazendas se dedicavam ao plantio de grãos. Apesar disso, a produção daquele ano foi inferior ao anterior, novamente segundo dados do IBGE em seu Levantamento Sistemático da Produção Agrícola.



Produtos como o arroz, item básico na mesa do brasileiro sofreu uma redução de 36% em relação a 2010. O mesmo aconteceu com o feijão, com queda de 35% e o milho, 19%. A diferença negativa foi mostrada pelo Jornal Tribuna Amapaense, com riqueza de detalhes. De lá para cá, a realidade é praticamente a mesma, uma vez que o Amapá não demonstrou preocupação com o setor. Os percentuais de áreas plantadas são acentuadamente negativos para culturas básicas como o feijão, -35%; arroz, -26% e o milho, -12,5%.


Diante das dificuldades criadas para o produtor, quem vai sentir na hora de pagar pelo produto é o consumidor. Os produtos amapaenses chegam a ser bem mais caros do que os que vêm de fora. Em muitos casos, esta diferença chega até o dobro do preço. A explicação está na carga de impostos cobrados dos agricultores locais, muito superior a que é paga pelos produtos de outros Estados. Resumindo, quem produz aqui tem bem menos chances de obter retorno, do que quem planta lá fora. O resultado é a falta de incentivo ao agricultor, que acaba desistindo do investimento por encontrar uma competitividade desleal no mercado.


Nos últimos 50 anos, não existe qualquer notícia de grandes investimentos no setor primário. Tudo é pensado de forma tímida e provinciana, o que coloca o Amapá de hoje como o mesmo dos anos 50 e 60.


Mais atraso


Com a pecuária não é diferente. O Amapá vive um contra censo considerando a quantidade de áreas para a criação e o tamanho dos rebanhos de búfalos existentes nestas mesmas áreas. No entanto, tudo esbarra na falta de qualidade dos animais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais uma vez revela informações de que o Estado tem nada menos que 300 mil cabeças, perdendo somente para o rebanho paraense, que ultrapassa as 400 mil cabeças.


Mas, tanto gado bubalino não significa qualquer acréscimo na frágil economia amapaense, quase totalmente movida pelo funcionalismo público. O Amapá é um desconhecido no mercado nacional de gado de corte por ter um rebanho afetado pela febre aftosa. Por anos, a carne produzida no Estado era considerada de risco desconhecido. Hoje, é de alto risco, o que afasta qualquer tipo de grande negociação. A expectativa mais otimista é de que as campanhas de vacinação contra a doença façam com que o rebanho atinja a marca de médio risco. Mesmo assim, o gado paraense terá uma dianteira considerável por não apresentar qualquer risco da doença. A meta revista pelo Ministério da Saúde era erradicar a aftosa até este ano, o que não será possível. Na prática, muito do gado consumido no Amapá é paraense.


Peixe mais caro



Se na pecuária os problemas são muitos como na agricultura, com a pesca não é diferente. Oficialmente, os registros do Estado revelam que 18 mil pescadores exercem a função nos rios e Costa do Amapá em mais de 1.100 barcos de médio e pequeno porte. O volume de produção desse número elevado de pescadores seria suficiente para abastecer o mercado local com folga e fazer chegar ao consumidor um peixe com valor acessível. A realidade, no entanto, é outra. O peixe oferecido ao amapaense é caro, apesar de ser pescado aqui. Mais uma vez a falta de incentivo é o vilão que atrapalha tudo para o pescador que acaba tendo que transformar as dificuldades em números acrescidos ao produto. As 17 toneladas anuais de pescado não significam nada perto do que é negociado em outros Estados. O resultado é o consumidor recorrer à carne e até mesmo ao f rango vindo de fora e apesar disso, vendido a um preço menor. Mais uma vez se comprova que os produtos locais que deveriam ser mais em conta acabam chegando ao consumidor por um preço mais alto. A saída estaria em apoiar o setor, fornecendo incentivos, o que deve estar longe de acontecer. Nenhuma gestão nas últimas décadas priorizou a pesca, ainda feita de forma rústica. Quem trabalha no setor primário diz ser otimista e teimoso ao mesmo tempo. A falta de políticas para agricultura, pecuária e pesca dá lugar ao comodismo e a falta de visão dos gestores que entram e saem da administração. O Amapá, enquanto isso, se conforma com sua economia de contra cheque e seu comércio fraco de produtos de terceira, que só conhece aquecimento em datas comemorativas e período de pagamento. O setor primário representa hoje, de acordo com dados atualizados, 3,2% da economia.

SAIBA MAIS



Entre os principais produtos produzidos no Estado estão: a castanha-do-Pará, mandioca e o arroz. Deste último, são produzidas 2.140 toneladas anualmente em uma área correspondente a 2.638 Hectares de terra. De feijão, são produzidas 1.102 toneladas em uma área de 1.450 Hectares. Já a produção de milho, corresponde a 1.792 toneladas anualmente plantadas em uma área de 2.132 Hectares.


Na criação de bovinos, o Estado conta com (aproximadamente) 114.773 cabeças de gado (95% destes são para consumo e 5% para a produção de leite e derivados), a maior parte dos bovinos do Estado se concentra na capital e na cidade de Amapá (as duas cidades representam juntas 45% de todo o gado do Amapá). A criação de suínos soma 30.055 cabeças, a de bubalinos soma 214.271 cabeças, a de galos, frangas e frangos somam 47.348 cabeças, a de equinos passa dos 5.294 cabeças. A cidade de Amapá tem a maior fonte de pescado artesanal do Estado, destaque para: gurijuba, pirarucu, uritinga, pirapema, tucunaré, apaiari e branquinha.

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