sexta-feira, 2 de agosto de 2013

INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

O adolescente quem?


Marília Márcia Cunha da Silva - mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense, Niterói/RJ.

Debates inflamados sobre a “impunidade”, ou a punição pouco severa, aos crimes cometidos por adolescentes surgem nos veículos de comunicação brasileiros. Jornais impressos expressam opiniões que reivindicam a reformulação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA):
“Em editorial, O Estado de São Paulo critica a 'impunidade' de adolescentes que praticam crimes. 'O que está errada é a lei. É a maioridade penal vigente no Brasil e o famigerado Estatuto da Criança e do Adolescente que propiciam a enorme quantidade de fascínoras impuníveis em razão da idade, mesmo que possuam o pleno discernimento da pessoa adulta', diz o texto”.
Há sugestões para que as medidas sócio-educativas, previstas no ECA, tenham mais “elasticidade”,  a fim de que suas aplicações sejam mais “justas”, ou seja, que de acordo com o ato infracional praticado, elas possam ultrapassar o limite de três anos. Podemos ouvir as mais diversas opiniões em programas de televisão sugerindo a redução da maioridade penal, a construção de mais casas de internação e medidas que possam “punir” com maior rigor os crimes cometidos por adolescentes.
Notícias, fatos, reportagens que exibem crimes cometidos por todo o Brasil refletem, ao mesmo tempo em que alimentam o medo da violência na população. E este medo propicia tais debates inflamados, os quais exigem mais ações policiais, maior rigor nas punições e mais prisões. Uma pesquisa realizada pelo Estado/Ibope, revelou que 85% dos residentes na cidade de São Paulo são a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade.
Segundo o levantamento realizado pelo Ministério da Justiça em 2002, há 23,3 milhões de adolescentes no Brasil; e dentre estes apenas 9.555 encontram-se nas casas de internação. Ou seja, há 4 adolescentes internados para cada grupo de aproximadamente 10.000 jovens.
Vale afirmar, a primeira vista, o quanto este número parece pequeno quando comparado ao espaço concedido pela mídia aos delitos juvenis. Torna-se ainda menor quando comparado ao tamanho da população de adolescentes de 12 a 21 anos no país  como um todo. No Brasil, para cada grupo de 10,0 mil adolescentes existem apenas três (2,88) jovens privados de liberdade, cumprindo a sentença em uma das 190 instituições disponíveis no país para esta finalidade”. 


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