Coleta Seletiva é Lei
Prefeitos não têm recursos para cumpri-la
Reinaldo Coelho
Da Reportagem
Há
menos de um ano para a entrada em vigor da Lei 12.305/10, que institui o Plano
Nacional de Resíduos Sólidos, a maioria das prefeituras brasileiras não tem
condições de cumprir a determinação legal de não colocar em aterros sanitários
qualquer tipo de resíduo que seja passível de reciclagem ou reutilização.O
projeto de Lei passou 19 anos em discussão na Câmara, onde mais de 100
propostas foram analisadas. De volta ao Senado, foi aprovada em 2010 e
sancionada em agosto daquele ano.
A
legislação promulgada é um marco regulatório para a problemática dos resíduos
sólidos, e traz novas alternativas para a destinação adequada dos insumos,
considerando o bem estar social e, ao mesmo tempo, a sustentabilidade sob os
pontos de vista ambiental, social e econômico.
Ela
traz metas ambiciosas e dúvidas sobre seus prazos. Em agosto de 2012, os 5.565
municípios teriam que apresentar planos de gestão integrada de resíduos
sólidos. E até 2014 precisam eliminar os lixões. Do contrário, não poderão
receber recursos federais para ações nesse setor.
Entretanto,
apesar das boas intenções do novo marco regulatório, o tratamento de resíduos
sólidos permanece um desafio. Isso significa que os municípios brasileiros,
para se adequar a nova legislação, terão que criar leis municipais para a implantação
da coleta seletiva. É aí que está o gargalo no otimismo da lei, a maioria das
prefeituras não tem estrutura técnica nem financeira de executar o que a lei
exige. As leis são feitas, porém cumpri-las é que o problema.
Novos prefeitos
Sozinho,
um município pobre não tem e nem terá condição de cumprir o que manda a Lei dos
Resíduos Sólidos.Os prefeitos que assumiram os mandatos em 2013 enfrentam esse
grande desafio para cumprir a lei, e se não o fizer não poderão receber
recursos do governo federal para as ações de saneamento, pois, os municípios
precisam apresentar um plano de gestão de resíduos. Entretanto, até agora,
apenas 10% deles terminaram ou estão finalizando seus planos.
Outro
entrave dos gestores municipais, principalmente o do Amapá é com referência a
política- a logística reversa, a indústria vai ter dificuldade de buscar esse
material.Para que os municípios cumpram os prazos da lei, será necessário que o
governo federal e os Estados homologuem os equipamentos e as tecnologias
autorizadas na área de tratamento de resíduos, pois ao apresentarem seus planos
depois são barrados nos órgãos ambientais estaduais e federais.
Segundo dados atualizados da Associação Brasileira
de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e IBGE, em 2010 a população urbana do
Amapá era de 600.561habitantes, sendo que a quantidade de Resíduos Sólidos
Urbanos (t/dia) coletados foram cerca de 485 toneladas, já os RSU gerados foram
de 501 (t/dia).
Existe apenas um aterro controlado em todo o Estado
do Amapá, no município de Macapá. Diariamente é despejado na lixeira pública de
Macapá, entre lixo domiciliar, industrial e hospitalar, cerca de 250 toneladas.
O segundo maior município, Santana, produz diariamente cerca de 50 toneladas de
lixo. A área usada como lixeira pública fica às margens da rodovia Duca Serra.
Mesmo o lugar estando saturado, o município continua colocando maquinários para
abrir mais espaços, e essa prática poderá colocar em risco os igarapés que
existem na região.
Santana
está sem opção de local para colocar o seu aterro controlado, devido não ter
área de expansão urbana. A gestão do município está entrando em acordo com a
prefeitura de Macapá, para utilizar o aterro local, pagando uma taxa de lixo
por essa utilização.
Outra
saída seria o consórcio entre as prefeituras dos três municípios vizinhos,
Macapá, Mazagão e Santana em utilizarem a gestão compartilhada do mesmo aterro
sanitário controlado. Já temos o papel com as regras, agora resta descobrir se
elas serão de fato postas em prática.
Com
referência aos outros municípios, os problemas são as limitações geográficas e
a falta de assessoramento técnico, para que os prefeitos encontrem áreas
adequadas para a destinação do lixo. Se optarem pelo consórcio surge outra
pedra no meio do caminho: em que município construir o aterro sanitário?
Segundo
a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) serão necessários R$ 70 bilhões
para transformar todos os lixões em aterro sanitário até 2014 – recursos que
equivalem à arrecadação conjunta de todos os municípios do País. Quando acabar
o prazo, os prefeitos estarão sujeitos a serem processados pelo Ministério
Público por não cumprirem a lei.
Tentando executar o projeto
Em
Macapá, a prefeitura começou a executar o Projeto Piloto de Coleta Seletiva em
2012, mas aconteceu uma paralisação, a atual administração da capital recomeçou
o projeto e o primeiro bairro a receber foi Universidade e o segundo o Cabralzinho.
O
secretário municipal de Manutenção Urbanística, José de Mont’Alverne explicou à
reportagem, que a expectativa é que seja coletada uma tonelada de material
reaproveitável e que até o final do ano,
o processo de coleta seletiva esteja definitivamente na ativa em toda a
capital. “Contamos com apenas um caminhão para este fim, mas tínhamos que
iniciar o projeto. Em pouco tempo a população irá se acostumar a separar o que
pode ser reaproveitado”.
Catadores
A
regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) dá atenção
especial aos catadores de materiais recicláveis. Está definido, por exemplo,
que os planos municipais de gestão integrada, o sistema de coleta seletiva de
resíduos sólidos e a logística reversa priorizarão a participação de
cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais
reutilizáveis constituídas por pessoas físicas de baixa renda.
Com
base nessa premissa foi que a prefeitura de Macapá escolheu o bairro
Universidade para iniciar o projeto, pois ali tem duas associações que
trabalham com materiais recicláveis.
O
bairro possui duas fábricas de vassouras feitas de garrafas pet, administradas
por associações que garantem renda para 30 famílias. No interior da escola
funcionarão oficinas com garrafas pet para mostrar como podem ser
reaproveitadas.
Os
benefícios do projeto envolve a diminuição da quantidade residual depositada
nas células do aterro sanitário, aumentando a vida útil do local, e evita que
garrafas pet sejam jogadas a esmo causando o entupimento de galerias e bueiros.
Também diminui os custos do município, pois todo esse material pesado numa
coleta normal, ocasiona pagamento a mais, tanto para a empresa que faz a coleta
e o transporte, como para a gerenciadora do aterro sanitário.


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