O perfil do novo servidor municipal: cabo eleitoral
Os
prefeitos dos 5.566 municípios criaram 64 mil cargos para nomeação política nos
últimos quatro anos. Esse emprego não exige concurso público, passou dos 444
mil dos gestores anteriores para os atuais 508 mil, número suficiente para
lotar os oito maiores estádios da Copa de 2014, segundo reportagem publicada em
o Estado de São Paulo (27/07/2013).
Os dados foram colhidos da Pesquisa de
Informações Básicas Municipais – MUNIC (IBGE). Quando comparados os dados de
2008 e 2012, revelaram as entranhas do empreguismo público no Brasil. Quanto
menor o tamanho da população, mais pobre e mais dependente dos recursos do
governo federal for o Município, maior é a proporção de funcionários
comissionados, isso se dá por indicação política como retribuição pelo trabalho
na campanha eleitoral. O contribuinte é quem paga esta conta. Isto por que, a
receita própria que poderiam vir dos tributos municipais (IPTU, ISS e o PIB),
chega no máximo a 3.5% do orçamento das
cidades de até 5 mil habitantes, de acordo com o pesquisador François
Bremaeker, da Associação Transparência Municipal. Na média, os Municípios com
até 5 mil habitantes têm 12% de seu quadro de pessoal ocupado por comissionados
– 50% mais do que a média de 8% nos Municípios
maiores, afirma o pesquisador.
A pesquisa, aponta os Municípios
recordistas no item cabide de emprego para cabo eleitoral no País. Entre os dez
primeiros Municípios, sete estão no Estado de Goiás. Vila Procópio (GO),
os 200 servidores que entraram na prefeitura por favor político representam 77%
do total do quadro de pessoal está em primeiro lugar. Ádelândia (GO), é o 2º 135
comissionados/sem vínculo, 75% do total. Seguidos por Divinópolis em 5º, Santo
Antônio da Barra em 6º, Aruanã em 7º, Morro Agudo de Goiás em 9º e
Buritinópolis fica em 10º.
Entre os dez recordistas há um
representante da região Norte, Nhamundá, no Amazonas, que está em 3º lugar,
outros dois são da região Sul, São José (SC) que está em 4º lugar e por fim
Itaipulândia (PR) fica em 8º lugar.
Outro dado revelado pela pesquisa
(MUNIC/2012), é que o pessoal ocupado nas prefeituras municipais aumenta a cada
ano, principalmente na administração direta, entre 2005 e 2012 aumentou 33,2%.
Aqui no Amapá, as prefeituras também não
são diferentes do resto do Brasil, em 2008 existiam 17.635 pessoas nos quadros
municipais, sendo que 4.593 eram pendurados com cargos em comissão ou sem
vínculo, estes quantitativos representava 35% dos servidores que não pertenciam
ao quadro efetivo. Já em 2012, eram 18.850, sendo que 5.717 eram comissionados
ou sem vínculo o que representava 44%, do pessoal efetivo. Como podemos
observar, já está próximo da metade de todos os efetivos. Sem dúvida de errar,
essas pessoas aquinhoadas com as nomeações tiveram envolvimento direto com a
campanha eleitoral do prefeito.
Ao analisarmos individualmente os Municípios
amapaenses, cinco fizeram redução significativa, Mazagão foi o que apresentou o
maior percentual em diminuição no número de servidores comissionados/sem
vínculo entre 2008 e 2012, ficou em -57,65%, em seguida foram: Itaubal –
37,56%, Amapá -27,91% , Pedra Branca do Amapari – 20,97% e Porto Grande –
12,10%.
O que mostra ainda a pesquisa, é que
quando há redução foi porque prefeitura realizou concurso público no primeiro
momento, e no segundo foi o próprio gestor municipal que se mostrou mais
eficiente no enxugamento da máquina pública.
Quando avaliamos somente 2012, podemos fazer uma
outra leitura dos números. Os cincos Municípios do Amapá que mantém
ainda o maior percentual de pessoal nos seus quadros de comissionados/sem
vínculo são: em 1º lugar está Tartarugalzinho 264 (74,1%), em 2º Pedra Branca
do Amapari 195 (43,4%), em 3º Vitória do Jari 307 (40,5%), em 4º Pracuúba 116
(40,2%) e em 5º Calçoene 185 (39,7%).
Pedra Branca do Amapari, quando
comparando 2008 e 2012 apresenta uma redução de -20,9%. Já analisamos somente
2012 fica em 2º lugar com um percentual de 43,4%, sou seja, são 195
comissionados/sem vínculo dos 449 servidores que possuí a prefeitura. Até
parece contraditório, mas na verdade é que em 2008 o número de
comissionados/sem vínculo era de 243, dos 680, ou seja, 64,4% um percentual bem
maior que o de 2012.
Por outro lado, analisando o
crescimento entre 2008 e 2012. Macapá apresenta o maior percentual de
crescimento de servidores comissionados/sem vínculo, 23,5%, nada mais nada
menos que 2.853, dos 9.352 existentes na prefeitura.
Para o presidente, da Confederação
Nacional de Municípios, o aumento de cargos comissionados nas prefeituras
é de responsabilidade do governo federal, pois “há uma transferência constante
de atribuições da União para os Municípios”.
A bem da verdade, os prefeitos poderiam
atribuir as funções aos servidores concursados sem a necessidade de aumentar o quadro
de pessoal, e comprometerem a única receita efetivamente concreta para as
prefeituras de pequeno porte, que é o Fundo de Participação dos Municípios.
Como estamos em início de mandato os prefeitos deveriam
pensar em reduzir as verbas que remuneram seus cabos eleitorais.
Adrimauro Gemaque
(adrimaurosg@gmail.com)

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